O governo israelense começou a preparar uma ala destinada a prisioneiros palestinos condenados à morte. O setor deverá contar inclusive com uma sala própria para as execuções, segundo informação divulgada pelo gabinete do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.
A medida representa um passo adiante na ofensiva conduzida pela extrema direita israelense contra os presos palestinos. Depois das campanhas políticas e das iniciativas legislativas em defesa da pena de morte, o aparelho penitenciário começa a ser adaptado para colocá-la em prática.
O presidente da Sociedade de Prisioneiros Palestinos, Abdullah al-Zaghari, pediu uma intervenção internacional diante dos preparativos. Para ele, o governo israelense procura transformar a incitação contra os palestinos em uma política oficial de execução de prisioneiros.
Al-Zaghari classificou a iniciativa como um “crime contra a humanidade” e acusou “Israel” de utilizar os presos palestinos como instrumento de pressão política. Também responsabilizou o silêncio das potências estrangeiras pelo avanço da repressão.
A ameaça ganha outra dimensão quando se observa a quantidade de palestinos mantidos nas prisões israelenses. Segundo dados palestinos citados pela agência Anadolu, são aproximadamente 9.400 presos, entre eles 94 mulheres e mais de 350 crianças.
Há ainda 3.244 pessoas mantidas em detenção administrativa, mecanismo pelo qual palestinos podem permanecer presos sem acusação formal ou julgamento, além de 1.320 classificados por “Israel” como “combatentes ilegais”.
O anúncio feito pelo gabinete de Ben-Gvir mostra que não se trata apenas de propaganda da extrema direita. Uma estrutura material começa a ser organizada para executar palestinos sob custódia israelense.
A pena de morte possui utilização extremamente rara na história do Estado de “Israel”. Segundo a informação reproduzida pela Anadolu, a última execução ocorreu em 1962, quando Adolf Eichmann, dirigente nazista responsável pela deportação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, foi enforcado.
Mais de seis décadas depois, o governo israelense prepara uma ala específica para aplicar essa medida excepcional contra palestinos submetidos ao seu próprio sistema de ocupação.
A iniciativa acompanha o endurecimento geral das condições impostas aos presos. Ben-Gvir transformou a repressão dentro das penitenciárias em uma de suas principais bandeiras e defende abertamente medidas cada vez mais brutais contra os palestinos.
O sistema prisional israelense já mantém milhares de pessoas sem julgamento. A criação de uma ala de execução acrescentaria a pena de morte a um aparelho utilizado em larga escala contra a população dos territórios ocupados.
A responsabilidade das grandes potências também não pode ser separada dessa política. Os Estados Unidos e seus aliados continuam fornecendo apoio diplomático, financeiro e militar a “Israel”, mesmo diante dos massacres em Gaza e das denúncias sobre o tratamento dado aos presos palestinos.
Esse respaldo permite que medidas antes apresentadas como propostas extremistas passem gradualmente para o terreno da política oficial.
A preparação de uma sala de execução mostra até onde chegou essa escalada. Depois de prender milhares de palestinos e manter parte deles durante anos sem julgamento, o regime sionista começa a montar a estrutura necessária para matá-los dentro das próprias prisões.





