O artigo Lula fala em lucrar com petróleo na foz do Amazonas se estreito de Ormuz estiver fechado, assinado por Jean Barroso e publicado no sítio Esquerda Diário (ligado ao Movimento Revolucionário de Trabalhadores — MRT) nesta terça-feira (18), revela que boa parte da esquerda está disposta a entregar todas as maiores riquezas do País em nome de um mundo “ecossocialista”.
O texto inicia dizendo que “nesta segunda, em evento ocorrido em navio-sonda da Petrobras, com a presença de figurões apoiadores da sua reeleição e a presidenta da Petrobras Magda, Lula apresentou, sob a roupagem de um discurso ‘soberanista’, o projeto de viabilizar a exploração do petróleo na foz equatorial, pegando especialmente o Amapá, mas também os estados do Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte”.
A exploração de petróleo é uma necessidade. Trata-se de uma riqueza cobiçada por qualquer país, e deixar esse recurso no subsolo seria uma loucura. Não haveria tantas guerras em torno do petróleo se ele não fosse essencial para a sociedade moderna. O Irã conseguiu colocar um freio na agressão imperialista ao reduzir o trânsito de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Os sauditas, que durante décadas oprimiram e atacaram o Iêmen, produzindo uma das maiores crises humanitárias do século XXI, sofrem agora sérios riscos em sua produção de petróleo devido ao fato de os iemenitas terem adquirido tecnologia capaz de atingir suas refinarias.
Barroso alega que “o discurso é claro. A exploração do petróleo na foz equatorial foi apresentada por Lula como a promessa do futuro das próximas gerações. Dentro desta promessa, o centro do discurso estava em ligar a exploração do petróleo com um projeto de soberania nacional”. O petróleo é, de fato, uma questão de soberania nacional. Desde a descoberta do pré-sal, o imperialismo tem feito um esforço enorme para retirar do Brasil o controle sobre esse recurso. O petróleo foi um dos motivos para o golpe contra Dilma Rousseff, planejado e executado durante o governo Obama.
Se há alguma crítica a ser feita relação ao governo Lula, é que não tem se esforçado o máximo possível para romper as barreiras impostas pelo imperialismo e explorar todo o petróleo do Brasil. Ou ainda o fato de que a política aplicada pelo governo é contra a reestatização da Petrobrás.
Falta de visão
O MRT diz que “o aprofundamento do extrativismo não é saída ‘soberana’ para a crise capitalista mundial”. Porém, para começar, a exploração do petróleo não se resume ao extrativismo: ela está na base de uma cadeia que envolve a indústria naval, química, petroquímica, energética etc. O mundo moderno não pode ser pensado sem o petróleo. E é óbvio que explorar esse recurso de maneira autônoma é decisivo para a nossa soberania.
Defendendo uma política profundamente reacionária, o texto diz:
“Frente às ameaças externas, com cada dia mais interferência de Trump nas eleições brasileiras, começando pelo seu tarifaço, o discurso da soberania nacional montado em cima da Petrobras é uma tentativa de reedição da política do pré-sal.”
Quando o pré-sal foi descoberto, houve uma pressão gigantesca para que o Brasil não explorasse o recurso. Apareceram inúmeras campanhas na grande imprensa dizendo que não havia petróleo, seguidas de críticas segundo as quais o custo de extração seria muito alto, o preço do barril não compensaria etc.
O WikiLeaks revelou que o tucano José Serra havia se comprometido a entregar o petróleo aos Estados Unidos. Editoriais do The New York Times criticavam a política do governo Dilma para o petróleo, alegando que a política adotada na época de FHC era melhor. A esquerda não pode, hoje, desempenhar o mesmo papel da grande imprensa, criticando o pré-sal e a exploração do petróleo, pois esse é justamente o interesse do grande capital estrangeiro: impedir que o País faça uso de suas riquezas, principalmente de um recurso tão estratégico.
Política imperialista
O artigo faz referência à política imperialista dos Estados Unidos para a América Latina e ao sequestro de Nicolás Maduro, mas não liga os pontos: a Venezuela possui a maior reserva conhecida de petróleo do mundo. Além disso, ocupa uma posição estratégica e é um país amazônico, abrangendo quase 6% da Amazônia internacional.
Adiante, o texto insiste na questão do “extrativismo” e afirma que, ao contrário do que diz Lula, não é “‘a família do povo brasileiro’ quem sai ganhando. Quem ganha são os acionistas da Petrobras, a quem a empresa paga fielmente seus dividendos todos os anos”. Ou seja, a proposta genial do autor é que, em vez de explorar o petróleo, é preciso abandoná-lo já que o imperialismo está disposto a fazer o que for preciso para tê-lo. Deixar de lado essa questão é entregar tudo de mão beijada ao capital internacional.
O texto também repete a velha falácia dos “danos ambientais decorrentes da futura exploração do petróleo na foz do Rio Amazonas. Em nome de uma suposta ‘soberania’ nacional, o que o governo está vendendo é o alto risco de danos irreversíveis e irreparáveis em um dos principais ecossistemas mundiais”. O uso do termo “foz do Rio Amazonas” mascara o fato de que os poços ficarão à mesma distância da costa que Brasília está de São Paulo.
ONGs imperialistas, financiadas com dinheiro da CIA e de George Soros, estão jogando peso na questão ambiental para impedir a exploração de petróleo por uma empresa que é referência mundial em perfuração. Chegaram mesmo a inventar que havia corais na região.
A visão do MRT sobre a questão do petróleo não é materialista; é ingênua, para não dizer infantil. Depois de criticar a exploração, o grupo reivindica uma Petrobrás 100% nacional. É preciso decidir-se, pois a empresa não fará outra coisa senão perfurar novos campos e aumentar a produção.
Tentar impedir a exploração de petróleo na Margem Equatorial é fazer o jogo do imperialismo. Isso precisa ficar muito claro. Enquanto o mundo inteiro corre atrás desse recurso, uma esquerda lunática no Brasil cria obstáculos à sua exploração, o que, no fundo, não passa de uma política entreguista.




