Redes sociais

Censura no X: eleitor só vai conhecer os candidatos da Globo

TSE impede redes sociais de recomendar candidaturas e reforça o poder do cartel da imprensa golpista para decidir quem será conhecido pelo eleitor

A Justiça Eleitoral proibiu as redes sociais de recomendar aos usuários perfis e publicações de candidatos nas eleições de 2026. Com o início oficial da campanha, no domingo (16), o X passou a aplicar um filtro específico para retirar as candidaturas da aba “Para Você”.

Batizado de Brazil2026ElectionFilter, o mecanismo impede que as contas registradas para disputar as eleições apareçam por meio das recomendações da plataforma. Os candidatos continuarão podendo publicar normalmente, mas seu conteúdo chegará principalmente a quem já os segue ou procurar diretamente seus perfis.

A determinação está no artigo 28 da Resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe sistemas de inteligência artificial ou tecnologia equivalente de “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar” candidatos, campanhas, partidos, federações ou coligações.

A restrição não vale para os demais usuários. O algoritmo continuará indicando influenciadores, empresas, artistas e perfis comuns. O candidato é que não poderá ser apresentado ao eleitor dessa maneira.

A justificativa aparente seria evitar que uma plataforma favorecesse determinada candidatura. Mas, se o problema fosse garantir igualdade, o caminho seria simples: obrigar as redes a dar o mesmo tratamento a todos.

Durante o período eleitoral, as plataformas poderiam, por exemplo, manter uma área com todos os candidatos registrados, permitindo que qualquer eleitor conhecesse seus perfis e materiais de campanha. Também seria possível estabelecer critérios para distribuir igualmente as recomendações.

Em vez disso, o TSE escolheu a solução oposta: não garantir visibilidade igual a todos, mas reduzir a visibilidade de todos.

O poder fica com os monopólios

A consequência favorece diretamente o cartel da imprensa tradicional. Apesar de todas as limitações impostas às redes sociais, elas ainda oferecem aos candidatos e partidos uma possibilidade que praticamente não existe na televisão e na grande imprensa: chegar ao público sem depender de convite de um proprietário de jornal ou emissora.

Um candidato ignorado pela Globo pode publicar um vídeo e ser descoberto por milhares de pessoas nas redes. É justamente esse mecanismo de circulação que a regra eleitoral procura bloquear.

Na televisão, o controle é muito maior. A legislação garante participação nos debates apenas às candidaturas que preencham determinados critérios de representação parlamentar. Para as demais, a presença depende da decisão das próprias emissoras.

Isso significa que Globo, SBT, Record e outros grandes veículos possuem enorme poder para definir quem terá exposição nacional. Folha de S.Paulo, Estadão e os demais jornais fazem o mesmo ao decidir quais candidatos entrevistar, destacar ou simplesmente ignorar.

O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, chamou atenção para esse problema durante o lançamento das candidaturas do Partido em São Paulo. Ao tratar do curto período eleitoral, afirmou que “são as redes de televisão que escolhem quais os candidatos que eles vão apresentar ao público”.

A decisão do TSE, aparentemente mancomunado com esse cartel, amplia exatamente esse poder.

Os candidatos que já aparecem todos os dias nos monopólios televisivos continuarão conhecidos. Quem perde uma das poucas formas de romper esse bloqueio são os candidatos que a imprensa decidiu deixar de fora. Acima de tudo, quem perde é o eleitor, que não pode conhecer todas as propostas e deixa-se, assim, ser manipulado.

A subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública, Sarah B. Rogers, classificou a medida como “censura imposta pelo Brasil” depois que o X explicou publicamente o funcionamento do filtro.

A declaração de uma integrante do governo Donald Trump é secundária diante do problema central. Não se trata de defender que o X ou qualquer outra empresa possa escolher livremente quais candidatos favorecer. O que deveria existir é uma regra que ampliasse o acesso a todas as candidaturas em condições iguais.

O TSE fez o contrário. Em vez de permitir que o eleitor conheça mais candidatos, restringiu um dos meios pelos quais os menos conhecidos poderiam chegar até ele.

O resultado é que a escolha formal permanece nas mãos do eleitor, mas a escolha de quem será colocado diante dele continua concentrada nos grandes monopólios da comunicação.

A rede social não poderá sugerir um candidato desconhecido. Globo, SBT, Folha, Estadão e os demais veículos, por sua vez, continuarão selecionando quem merece espaço, entrevista e destaque.

É mais um serviço da Justiça Eleitoral aos monopólios da imprensa golpista, que poderão continuar apresentando ao público sobretudo os candidatos da burguesia e do imperialismo, enquanto os demais são empurrados para fora do campo de visão do eleitor.

E ainda somos obrigados a encostar a testa no chão diante da sacrossanta Justiça Eleitoral!

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