O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (17) um contrato de US$22,9 bilhões com a Raytheon, empresa pertencente ao grupo RTX, para multiplicar a fabricação dos mísseis de cruzeiro Tomahawk. O acordo terá duração de sete anos e faz parte de um esforço do imperialismo norte-americano para ampliar rapidamente sua capacidade de travar guerras em diferentes regiões do mundo.
A dimensão do aumento previsto mostra que não se trata de uma ampliação rotineira da produção militar. Atualmente, a Raytheon produz aproximadamente 60 Tomahawk por ano para os Estados Unidos. Pelo novo acordo, a capacidade deverá superar 1.000 unidades anuais — mais de 16 vezes o volume atual.
São dezenas de bilhões de dólares entregues diretamente a uma das maiores empresas de armamentos do planeta para que os Estados Unidos aumentem sua capacidade destrutiva. O próprio secretário interino da Marinha, Hung Cao, declarou que o objetivo é garantir às forças norte-americanas o “poder de fogo letal” de que necessitam.
O Tomahawk é uma das principais armas de ataque de longo alcance da Marinha dos Estados Unidos. Lançado de navios e submarinos, pode atingir alvos terrestres a grandes distâncias e costuma integrar as primeiras ondas de ataques em operações militares de grande escala. O reforço extraordinário da produção desse tipo de armamento mostra para onde aponta a política externa dos Estados Unidos: não para uma diminuição das guerras, mas para a preparação material de novos ataques.
A corrida para aumentar a fabricação ocorre porque os estoques norte-americanos foram pressionados pelo fornecimento de grandes quantidades de armamentos aos aliados de Washington e pelo próprio emprego de munições pelas Forças Armadas dos Estados Unidos na guerra contra o Irã. O problema chegou a provocar preocupação dentro do aparelho militar norte-americano acerca da disponibilidade de armamentos de alta tecnologia para novos conflitos.
A guerra contra o Irã deixou particularmente evidente o consumo acelerado desse arsenal. Em março, enquanto prosseguiam os ataques, a administração de Donald Trump já pressionava os grandes monopólios militares para acelerar a fabricação de armas. Naquele momento, o governo discutia inclusive dezenas de bilhões de dólares adicionais para substituir armamentos empregados nas operações militares no Oriente Médio.
O acordo com a Raytheon não surgiu, portanto, de maneira repentina. Em fevereiro, o Pentágono já havia acertado com a empresa um plano de sete anos para elevar drasticamente a produção de diferentes tipos de mísseis. No caso do Tomahawk, a meta estabelecida era justamente passar das aproximadamente 60 unidades anuais para 1.000. O contrato agora anunciado coloca US$22,9 bilhões à disposição desse programa.
O mesmo processo está ocorrendo com outros sistemas militares. Os Estados Unidos também fecharam acordos para ampliar a fabricação de componentes dos sistemas Patriot e THAAD, usados na defesa contra mísseis. A administração Trump vem estabelecendo contratos plurianuais com os principais monopólios do setor bélico, garantindo encomendas estatais durante anos para que essas empresas construam novas instalações, comprem equipamentos e aumentem sua capacidade de produção.
O resultado é uma transferência gigantesca de recursos públicos para a indústria da guerra. A Raytheon recebe um contrato de quase US$23 bilhões justamente no momento em que as sucessivas agressões dos Estados Unidos exigem a recomposição do arsenal utilizado pelo próprio imperialismo.
A preocupação norte-americana com a redução dos estoques também revela um dos problemas criados pela extensão das operações militares dos Estados Unidos. Washington fornece armas a seus aliados, mantém forças espalhadas por todo o planeta e, ao mesmo tempo, emprega diretamente munições de alto custo em suas próprias guerras. Para sustentar essa política, precisa ampliar em escala industrial a fabricação de mísseis e outros armamentos.
A multiplicação da produção dos Tomahawk é particularmente significativa. Uma potência que pretende passar de algumas dezenas para mais de 1.000 unidades anuais de uma arma destinada a ataques de longo alcance não está se preparando para a paz. Está criando as condições materiais para manter e ampliar sua política de agressão militar contra os povos que se colocam no caminho dos interesses do imperialismo.



