Luigi Mangione se declarou culpado, nesta sexta-feira (14), de duas acusações federais relacionadas à morte de Brian Thompson, diretor-executivo da UnitedHealthcare. Diante da juíza Margaret Garnett, em Manhattan, o norte-americano de 28 anos admitiu ter disparado contra o executivo.
“Eu atirei no sr. Thompson em Manhattan e ele morreu”, afirmou.
Mangione se declarou culpado de perseguição interestadual e de perseguição por meios eletrônicos, ambas resultando em morte. A acusação sustenta que ele atravessou fronteiras estaduais e acompanhou os movimentos de Thompson antes do assassinato.
Não houve acordo com a promotoria. Mangione poderá ser condenado à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional. A sentença federal está marcada para 18 de dezembro.
Ele também responde a oito acusações em Nova Iorque, entre elas homicídio em segundo grau, seis crimes relacionados a armas e posse de documento falsificado. O julgamento estadual está previsto para começar em 8 de setembro.
Depois da declaração de culpa na Justiça Federal, a defesa pediu o arquivamento das acusações estaduais de homicídio e porte de armas, alegando que a legislação de Nova Iorque contra dupla persecução impede que Mangione seja processado duas vezes pelos mesmos fatos. A Promotoria de Manhattan anunciou que contestará o pedido.
A pena de morte, defendida pelo Departamento de Justiça em abril de 2025, já havia sido afastada. Em janeiro, Garnett derrubou as acusações federais que poderiam levar Mangione à execução. Em Nova Iorque, nenhuma das acusações restantes prevê essa pena.
O ódio às seguradoras
Brian Thompson foi morto em 4 de dezembro de 2024, diante de um hotel em Midtown Manhattan, quando seguia para uma conferência de investidores da UnitedHealthcare.
Nos estojos e projéteis encontrados no local estavam escritas as palavras “deny”, “depose” e “delay” — “negar”, “depor” e “atrasar”. As inscrições foram associadas às práticas das seguradoras de saúde norte-americanas, acusadas de protelar ou negar a cobertura de tratamentos.
Um texto atribuído a Mangione, posteriormente divulgado pela imprensa, denunciava a “corrupção e ganância” do sistema de saúde norte-americano, qualificava os dirigentes da indústria como “parasitas” e acusava as empresas de enriquecer às custas da população.
A morte de Thompson desencadeou uma enxurrada de relatos contra as seguradoras. Em vez de produzir uma onda de solidariedade ao executivo, o caso colocou no centro do debate as recusas de cobertura, os preços dos tratamentos e o endividamento provocado pelo sistema privado de saúde dos Estados Unidos.
A nova etapa do processo voltou a provocar manifestações de apoio a Mangione.
No X, @Lottie_Lou_C escreveu:
“A UnitedHealthcare pode matar milhares por lucro e, de alguma forma, isso é legal…”
A publicação acumulava cerca de 8 mil curtidas e mais de 200 mil visualizações.
A conta @Phuxlea afirmou sobre Mangione: “ele é um cara durão. Espero que seja colocado em uma prisão boa, com atendimento médico, bibliotecas, academias e salas de videogame. E também com proteção máxima”. O comentário tinha cerca de 14 mil curtidas.
A usuária @_iamerica_x escreveu: “Libertem Luigi porque essas seguradoras ferram com todo mundo”. Em seguida, afirmou que a UnitedHealthcare havia reduzido pela metade a autorização de atendimento de seu filho autista de 11 anos e classificou a empresa como uma “corporação cruel e repugnante”.
Já @dragonbawlZ declarou:
“Luigi Mangione é um herói americano. O que a UnitedHealthcare e outras empresas de seguro de saúde fazem é igualmente violento. Elas causam centenas, se não milhares, de mortes por ano ao negar pedidos ou cobrar preços abusivos dos norte-americanos.”
Também houve manifestações semelhantes entre brasileiros. @Horse_Analyst95 chamou Mangione de “ícone mundial” e relacionou o apoio ao acusado às recusas de procedimentos médicos e ao endividamento das famílias norte-americanas.
Outros comentários foram ainda mais diretos. @Marc_Marquez99 escreveu “herói mundial”; @jaiacpsc, “Herói”; @NigrisPanthera, “Herói”; @__arjuna, “free Luigi”; e @daenerysin publicou: “Ele não fez nada”.
A conta @WilliamTrotma19 ironizou o caso escrevendo: “Todos nós vimos o mesmo vídeo, certo? Brian Thompson claramente teve uma overdose de fentanil”.
Desde 2024, autoridades norte-americanas vêm demonstrando preocupação com a popularidade de Mangione e com sua transformação em uma figura de protesto contra as seguradoras. A reação ao processo mostra, porém, que a questão está longe de desaparecer: cada nova notícia sobre o acusado volta a trazer à tona relatos de tratamentos recusados, dívidas médicas e denúncias contra as empresas que controlam o acesso à saúde nos Estados Unidos.




