São Paulo

PM de Tarcísio mata e câmeras ‘falham’ justamente na hora dos disparos

Em pelo menos cinco mortes analisadas no último mês, policiais só acionaram as câmeras corporais depois dos tiros

Em pelo menos cinco mortes provocadas pela Polícia Militar de São Paulo no último mês, as câmeras corporais deixaram de registrar justamente o momento em que os policiais atiraram.

A informação aparece nos próprios boletins de ocorrência. Em uma análise de 25 casos de mortes decorrentes de intervenção policial na capital paulista, cinco registraram que os equipamentos começaram a gravar somente depois dos disparos.

Há ainda ocorrências em que a ausência das imagens foi atribuída a problemas de bateria, falhas técnicas ou falta do equipamento.

A repetição dessas situações derruba o argumento de que se trata apenas de incidentes ocasionais. O problema está diretamente relacionado ao sistema adotado pelo governo de Tarcísio de Freitas, que abandonou o modelo de gravação contínua e passou a utilizar equipamentos que podem depender do acionamento do próprio policial.

Em Parelheiros, Fábio Augusto da Silva Martins, de 49 anos, foi morto pela PM no dia 27 de julho. Segundo o boletim, as câmeras foram ligadas apenas depois dos tiros. Familiares contestaram a versão apresentada pelos policiais e cobraram as imagens do momento da morte.

É justamente para situações desse tipo que as câmeras deveriam existir. Quando um agente armado do Estado mata uma pessoa e afirma ter agido em legítima defesa, a gravação poderia confirmar ou desmentir sua versão.

Com o sistema atual, o policial pode atirar e só depois começar a gravar.

A câmera passa então a registrar a cena posterior ao fato, mas não o momento decisivo. Em vez de servir como instrumento de fiscalização, transforma-se em uma cobertura tecnológica para uma versão produzida pelos próprios envolvidos no assassinato.

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