Uma fiscalização encontrou 14 trabalhadores da construção civil submetidos a condições análogas à escravidão no Recife. Os operários estavam alojados no bairro da Imbiribeira e foram retirados do local durante uma operação realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Polícia Federal.
Os trabalhadores dormiam em quartos superlotados e mal ventilados. Os colchões estavam em condições precárias, não havia armários para guardar os pertences e parte dos móveis havia sido improvisada. Sem forro, os quartos ficavam diretamente expostos ao calor.
Também não existia um local apropriado para as refeições. Na área externa, os fiscais encontraram lixo, entulho e vegetação alta.
Até o fornecimento de água potável era limitado. Segundo a fiscalização, água mineral só era disponibilizada quando ocorria interrupção do abastecimento pela rede pública.
As condições encontradas mostram a brutalidade da exploração no setor da construção civil. Enquanto construtoras e grandes proprietários movimentam enormes quantidades de dinheiro com empreendimentos imobiliários, trabalhadores continuam sendo submetidos a alojamentos degradantes e condições elementares de sobrevivência.
A legislação brasileira considera trabalho análogo à escravidão situações que envolvam trabalho forçado, jornada exaustiva ou condições degradantes. Após o resgate, os 14 operários receberam as guias necessárias para solicitar o Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado. O relatório da fiscalização também foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho.





