Europa

Apoio aos partidos do regime na Alemanha é o menor em 5 anos

CDU/CSU cai a 20%, enquanto AfD chega a 28%; quatro em cada cinco alemães rejeitam o governo federal

A CDU/CSU, principal força do governo alemão, caiu para 20% das intenções de voto, seu pior resultado em uma pesquisa do instituto INSA desde outubro de 2021. O levantamento, divulgado pelo jornal Bild neste sábado (15), coloca o bloco do chanceler Friedrich Merz oito pontos atrás da Alternativa para a Alemanha (AfD), que aparece com 28%.

A pesquisa ouviu 1.203 pessoas entre 10 e 14 de agosto e tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais. Em relação à semana anterior, a CDU/CSU perdeu um ponto, enquanto a AfD permaneceu estável.

O Partido Social-Democrata (SPD), que governa em coalizão com a CDU/CSU, tem apenas 12%. Juntos, os dois partidos que comandam o governo federal somam 32%, quatro pontos acima da AfD sozinha.

Os Verdes aparecem com 13%. A Esquerda tem os mesmos 12% registrados pelo SPD, enquanto o Partido Liberal Democrático (FDP) chega a 5% e a Aliança Sahra Wagenknecht, a 3%.

Os números referentes diretamente ao governo são ainda mais negativos. Apenas 16% disseram estar satisfeitos com a atuação de Merz, contra 78% de insatisfeitos. Quatro em cada cinco entrevistados desaprovam o governo federal.

“O apoio nunca foi tão baixo e a rejeição tão alta”, declarou ao Bild o diretor do INSA, Hermann Binkert. Para ele, a queda pode ter atingido um estágio difícil de reverter porque até mesmo grande parte dos eleitores dos partidos governistas rejeita o gabinete.

Merz assumiu o governo em maio de 2025, apoiado por uma coalizão entre CDU/CSU e SPD. Desde então, os dois partidos vêm perdendo terreno em meio à estagnação econômica, ao aumento do custo de vida e às disputas internas sobre impostos, gastos públicos e benefícios sociais.

A deterioração da economia alemã, particularmente de sua indústria, já vinha atingindo os trabalhadores antes da formação do atual governo. Grandes empresas anunciaram cortes de dezenas de milhares de postos de trabalho, enquanto falências e custos elevados de energia aprofundaram o quadro. O DCO já havia apontado que essa crise econômica vinha acompanhada pelo desgaste dos principais partidos do regime alemão.

A insatisfação também chegou às ruas. Cerca de 10 mil pessoas participaram na semana passada de uma manifestação contra o governo em Plauen, na Saxônia, segundo a polícia local. Entre as reivindicações estavam a convocação de eleições antecipadas, a redução dos custos da energia e mudanças nas políticas de saúde, imigração e militar.

Nas urnas, a AfD vem canalizando parte desse descontentamento. Nas eleições federais de fevereiro de 2025, o partido obteve 20,8% dos votos. Agora, aparece oito pontos acima daquele resultado, apesar da política dos demais partidos alemães de impedir qualquer coalizão de governo com a legenda.

A pressão contra a AfD não se limita ao isolamento parlamentar. Tribunais alemães já impediram candidaturas do partido com base na exigência de chamada “lealdade à Constituição”. O DCO destacou anteriormente essas medidas como parte do endurecimento do regime político diante do avanço de forças que escapam ao controle dos partidos tradicionais.

No leste da Alemanha, onde a crise social é particularmente profunda, a vantagem da AfD é ainda maior. O partido aparece com cerca de 41% na Saxônia-Anhalt e 36% em Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, estados que terão eleições regionais. São regiões atingidas por salários mais baixos, perda populacional e pela destruição econômica que se seguiu à incorporação da Alemanha Oriental pela Alemanha Ocidental.

A pesquisa do INSA mostra, assim, uma mudança profunda no quadro político alemão. CDU/CSU e SPD, partidos que durante décadas monopolizaram o governo do país, hoje precisam somar seus votos para superar por apenas quatro pontos uma única legenda de oposição.

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