A menos de uma semana de assumir a Presidência da Colômbia, o ultradireitista Abelardo de la Espriella teve a máscara arrancada. Eleito com um discurso de mão dura contra o crime organizado e a promessa de guerrear o narcotráfico ao lado de Donald Trump, ele carrega um passado que desmente a própria bandeira: foi, por anos, advogado de traficantes e de acusados de lavagem de dinheiro.
A revelação é de uma reportagem do The New York Times. Instalado em Miami, De la Espriella construiu a carreira defendendo clientes envolvidos em processos federais por tráfico e lavagem, entre eles o empresário Alex Saab, apontado como principal operador financeiro do governo da Venezuela. Durante a investigação sobre Saab, o próprio advogado foi alvo de escrutínio dos procuradores norte-americanos, embora nunca tenha sido formalmente acusado. Para conseguir esse tipo de cliente, chegou a contratar um ex-traficante.
O caso escancara a farsa do discurso da direita. Os que se apresentam como cruzados contra o crime são, muitas vezes, sócios do próprio crime que dizem combater. A “guerra às drogas” que De la Espriella promete travar não passa de pretexto para servir ao imperialismo norte-americano e reprimir os movimentos populares — a mesma receita que os Estados Unidos aplicam em toda a América Latina para justificar intervenções e sustentar governos a seu serviço.
Não por acaso, o novo presidente se apresenta como aliado de Trump e inimigo da esquerda. A Colômbia terá à frente um serviçal de Washington, de mãos sujas de dinheiro do narcotráfico, pronto a governar contra os trabalhadores em nome do “combate ao crime”. Cabe aos explorados colombianos, e de toda a região, rejeitar essa fraude e a tutela imperialista que ela representa.





