Em resposta encaminhada à assessoria de imprensa do PCO, a Quaest afirmou que, durante a fase de pré-candidaturas, não existe uma relação oficial de nomes a ser apresentada aos entrevistados. Segundo o instituto, entram nos questionários apenas aqueles cuja intenção de concorrer foi formalmente comunicada. A empresa acrescentou que nunca recebeu do PCO a relação de seus pré-candidatos. Por isso, em pesquisa publicada nesta semana, ela não incluiu nenhum pré-candidato do PCO, nem a nível nacional (presidente da República) nem a nível estadual (governadores dos estados pesquisados). O Partido foi o único que não apareceu na pesquisa.
A explicação desmorona diante de uma outra pesquisa da própria Quaest divulgada nesta semana. Nela, a Quaest incluiu o pré-candidato do PCO ao governo do Rio Grande do Sul, César Pontes. O instituto, portanto, tinha conhecimento de que o Partido disputará as eleições de 2026 e de que já anunciou suas candidaturas. Ainda assim, excluiu o pré-candidato do PCO à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, e os demais nomes do Partido dos levantamentos estaduais. Não se trata de desconhecimento, mas de uma seleção deliberada.
O PCO anunciou oficialmente o nome de Rui Costa Pimenta como pré-candidato do Partido à Presidência da República em sua 38ª Conferência Nacional, em 21 de fevereiro deste ano. Há cinco meses é oficial que o presidente do Partido é o pré-candidato nas eleições de 2026.
Mas, na verdade, a primeira vez que a militância do PCO decidiu que Pimenta seria posteriormente lançado candidato à Presidência em 2026 foi na 37ª Conferência Nacional do Partido, em outubro de 2024! Isso faz quase dois anos!
Além disso, desde que o presidente do Partido foi oficializado como pré-candidato, este Diário publica todo santo dia notícias, reportagens e artigos em que se menciona Rui Costa Pimenta como pré-candidato à Presidência da República nestas eleições.
Portanto, é amplamente conhecido que ele é pré-candidato. Apelando para altas doses de hipocrisia, a Quaest finge não saber.
O caso confirma o que o PCO denuncia há décadas: as pesquisas eleitorais não se limitam a registrar a opinião pública. Elas também procuram manipulá-la, distorcê-la, escondê-la e formá-la. Os institutos, financiados por grandes empresas e transformados pela imprensa capitalista em autoridades incontestáveis, decidem previamente quais candidatos serão apresentados ao eleitor e quais permanecerão fora do debate.
https://causaoperaria.org.br/2026/com-medo-da-propaganda-revolucionaria-burguesia-quer-esconder-o-pco/
Não há critério técnico capaz de explicar por que um pré-candidato do PCO aparece no Rio Grande do Sul enquanto os demais são eliminados. Os partidos protegidos pela burguesia recebem exposição contínua, mesmo quando seus candidatos têm pouco apoio popular. O PCO, por outro lado, é retirado dos questionários para impedir que seu programa revolucionário e socialista alcance uma parcela maior da população.
A exclusão tem consequências diretas. Para milhões de pessoas, as pesquisas são o primeiro contato com a disputa eleitoral. Um candidato que não aparece nos levantamentos é apresentado, de antemão, como inexistente ou inviável. Depois, os próprios números produzidos por essa exclusão são usados para afastá-lo dos debates, reduzir sua cobertura na imprensa e pressionar o eleitor pelo chamado “voto útil”.
A exclusão também facilita a distorção da percepção do público a respeito de um determinado partido. Se a pesquisa fosse realmente imparcial, a opinião do entrevistado seria fielmente registrada. Caso o partido tenha uma simpatia de, digamos, 5% dos entrevistados, esse índice seria transferido para o resultado do levantamento. Imagine, caro leitor, qual não seria a reação do partido, dos seus militantes e apoiadores – bem como de seus críticos e adversários – ao saber que o partido tem um índice de intenção de voto e, portanto, de simpatia por suas ideias, que é muito maior do que é costumeiramente apresentado pela burguesia.
É assim que se fabrica o cenário eleitoral mais conveniente para a classe dominante. Antes da votação, os institutos restringem as alternativas apresentadas à população; em seguida, divulgam o resultado dessa escolha como expressão espontânea da vontade popular. No caso da Quaest, a manobra está exposta em sua própria resposta: a empresa reconheceu, talvez por “tropeço” dos funcionários gaúchos, uma candidatura do PCO e fingiu desconhecer as demais para apagá-las das pesquisas.





