A guerra imperialista contra o Irã é cada vez mais rejeitada dentro dos próprios Estados Unidos. Levantamento do instituto Ipsos para a agência Reuters mostrou que apenas um terço da população — 33% — apoia os ataques, contra 62% que se declaram contrários. É a menor adesão desde o início do conflito, e o apoio jamais superou 40% desde os primeiros bombardeios, em 28 de fevereiro.
O desgaste vai além do número frio. Cerca de 69% dos entrevistados, incluindo quatro em cada dez eleitores do próprio partido do governo, afirmam que o presidente não explicou com clareza os objetivos da guerra. E não poderia explicar: os motivos anunciados mudam ao sabor da conveniência — ora “libertar” o povo iraniano, ora destruir sua capacidade militar, ora impedir uma arma nuclear. O que não muda são os interesses do capital que move a matança.
A conta já é sentida na pele dos trabalhadores norte-americanos. Ao menos 18 soldados morreram e mais de 600 ficaram feridos, e a guerra fez o preço da gasolina saltar de cerca de US$3,00 para mais de US$4,00 o galão, corroendo o orçamento das famílias. É o povo que sangra e paga por uma aventura militar decidida em nome dos lucros da indústria bélica e do domínio imperialista sobre a região.
A rejeição popular expõe a distância entre a classe operária dos Estados Unidos e sua burguesia. A guerra não é do povo norte-americano — é do imperialismo, de suas empresas e de seus generais. Quem morre nos campos de batalha e quem sofre com a alta do custo de vida são os trabalhadores, dos dois lados da trincheira.
Que a maioria da população de dentro do próprio centro do imperialismo repudie a guerra é um dado alentador. Cabe à classe trabalhadora transformar essa rejeição difusa em oposição organizada, exigindo o fim imediato da agressão contra o Irã e o rompimento com a política de guerra que só serve aos donos do capital.





