As Forças Armadas dos EUA anunciaram, no último dia 19, a morte de dois soldados e o desaparecimento de outros na Jordânia, após ações de retaliação contra alvos militares na região realizadas pela Guarda Revolucionária Islâmica e pelo Exército do Irã. No dia seguinte, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou a morte de mais um militar norte-americano no Iraque.
Segundo fontes oficiais, a guerra já custou pelo menos US$ 37,5 bilhões aos contribuintes norte-americanos, teria provocado a morte de 18 militares dos EUA e deixado mais de 450 feridos.
De acordo com a rede de notícias Fox News, pelo menos 13 soldados norte-americanos ficaram feridos desde o início da reação iraniana contra as bases dos EUA no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia, em meados de julho. O governo Trump, que tem ocultado as baixas desde o início do conflito, agora precisa começar a contar os mortos e dar explicações à população do país.
“Lamentável, mas necessária”?
Pressionado, o presidente norte-americano Donald Trump qualificou as mortes como lamentáveis e trágicas, mas afirmou que seriam necessárias para impedir a destruição do Oriente Médio caso o Irã conquistasse bombas nucleares. A política imperialista criminosa dos EUA sempre aparece maquiada por alguma suposta boa intenção: a “guerra ao terror”, o combate a tiranos com armas de destruição em massa ou qualquer outra mentira que sirva de pretexto para que a imprensa internacional realize uma grande campanha em defesa do imperialismo e de seus crimes.
Contudo, a desculpa de Trump — ou, melhor, do imperialismo — tem sido cada vez mais desacreditada. Milhões de pessoas apoiam o Irã em todo o mundo, inclusive nos EUA. A política belicista encontra uma barreira. Até mesmo as ações de Trump, que são de envergadura muito menor do que outras promovidas pelos EUA, são questionadas.
“Democratas foram piores”
Diante da repercussão da morte dos soldados, Trump tentou se justificar comparando a situação com o número de baixas no Vietnã e no Afeganistão. Em entrevista recente ao The New York Post, o presidente afirmou:
“Você já se perguntou quantas pessoas perderam a vida no Vietnã? Já se perguntou quantas pessoas morreram em um único dia no Afeganistão? Em um único dia, sob a liderança de Joe Biden.”
Trump procurou apresentar sua política como moderada e destacar que as baixas seriam muito menores em comparação com as registradas sob governos democratas ou comandados pelos chamados falcões republicanos. A comparação, porém, é reveladora. Tanto os combatentes da Frente Nacional de Libertação e do Vietnã do Norte, no Vietnã, quanto o Talibã, no Afeganistão, lutaram com recursos tecnológicos limitados e travaram guerras prolongadas. O Irã, por sua vez, demonstra uma capacidade militar inédita para um país atrasado, que o imperialismo nunca havia enfrentado até hoje.
Diante de uma população coesa, enfrentar o Irã em uma guerra de grandes proporções poderá provocar uma crise ainda maior do que as causadas pelas derrotas dos EUA no Vietnã, na década de 1970, e no Afeganistão, após uma guerra que durou mais de 20 anos, de 2001 a 2021. É por isso que o imperialismo teme o Irã. Ao mesmo tempo, não pode tolerá-lo.





