A poucos meses das eleições, Lula não consegue abrir uma vantagem significativa sobre Flávio Bolsonaro. As pesquisas variam entre o empate técnico e uma pequena diferença a favor do presidente, apesar de o petista controlar a máquina federal e enfrentar um candidato submetido diariamente a ataques da imprensa e do aparato estatal.
Flávio Bolsonaro é réu no caso das rachadinhas e tornou-se alvo de um novo inquérito da Polícia Federal em julho. Parte da imprensa capitalista também pressiona para que ele abandone a disputa e dê lugar a um candidato mais aceitável para a burguesia. Mesmo nessas condições, sua candidatura permanece próxima à de Lula.
Isso mostra que o principal problema não está na força de Flávio, mas na fraqueza do petismo. O candidato bolsonarista oscila conforme os acontecimentos, enquanto Lula permanece estagnado. Nem o cargo de presidente, nem os programas do governo, nem a campanha contra Bolsonaro foram suficientes para ampliar de maneira expressiva o apoio ao candidato do PT.
Um voto puramente defensivo
O apoio eleitoral a Lula depende, em grande parte, da rejeição ao bolsonarismo. É um voto defensivo, dado menos por confiança no PT do que pelo receio de uma vitória da direita bolsonarista.
O partido perdeu parte importante do apoio que possuía entre os trabalhadores e deixou de despertar qualquer expectativa séria de transformação. A proximidade entre aprovação e desaprovação do governo, somada à alta rejeição de Lula, revela que a candidatura petista já não possui a força de mobilização apresentada em outros períodos.
Sem a campanha permanente contra o bolsonarismo, a situação seria ainda pior. O governo utiliza a ameaça da direita como principal instrumento para manter os trabalhadores presos ao PT, enquanto aplica uma política feita em acordo com banqueiros, grandes empresários e partidos burgueses.
Haddad adota o programa da direita
Fernando Haddad é uma das expressões mais acabadas dessa evolução. À frente do Ministério da Fazenda, conduziu uma política econômica voltada para atender às exigências da Faria Lima, com controle de gastos públicos, proteção aos banqueiros e ausência de qualquer programa de desenvolvimento nacional.
Agora, como candidato ao governo de São Paulo e muito atrás de Tarcísio de Freitas nas pesquisas, Haddad apresenta a repressão policial e o combate ao crime como temas centrais de sua campanha. Em vez de defender os trabalhadores contra a direita, tenta disputar seu eleitorado repetindo o discurso dela.
O candidato petista também lamentou publicamente o desaparecimento do PSDB como força nacional. Elogiou dirigentes tucanos e defendeu a existência de um partido de centro-direita considerado “viável”. Ou seja, uma das principais figuras do PT pede a recuperação do partido responsável pelas privatizações, pelo arrocho salarial e pela repressão às greves durante os governos de Fernando Henrique Cardoso.
Não se trata de uma declaração isolada. Haddad apenas apresentou de maneira mais aberta a política que o PT vem adotando há anos.
Chapas entregues aos partidos burgueses
Nas eleições estaduais, o PT abriu mão de lançar candidaturas próprias para apoiar nomes do PDT, PSB, PSD, MDB, PP e União Brasil. A estrutura do partido e o voto dos trabalhadores são colocados a serviço de agrupamentos tradicionais da burguesia, muitos deles participantes diretos do golpe contra Dilma Rousseff e dos ataques posteriores contra Lula.
O próprio presidente defende alianças com setores que “pensam diferente”. Na prática, isso significa entregar postos, candidaturas e influência política aos partidos da direita em troca de uma maioria parlamentar instável.
A conciliação com a burguesia, antes apresentada como uma manobra necessária, transformou-se no programa do PT. O partido não propõe romper com os responsáveis pelas privatizações, pelo golpe e pelos ataques aos trabalhadores. Procura incorporá-los ao governo e às suas chapas eleitorais.
Geraldo Alckmin resume essa política. O antigo dirigente do PSDB, responsável pela repressão aos professores e por sucessivos ataques aos trabalhadores de São Paulo, permanece como vice-presidente de Lula e principal ligação do governo com o mercado financeiro e o agronegócio.





