A frente ampla de Lula em São Paulo tem candidatos para todos os cargos, mas não reservou nenhuma das duas vagas ao Senado para o PT. No maior colégio eleitoral do país, Marina Silva, da Rede, e Simone Tebet, do PSB, serão as candidatas da coligação, enquanto Fernando Haddad disputará o governo estadual ao lado de Márcio França.
A chamada esquerda paulista será representada no Senado por duas políticas diretamente ligadas à burguesia. Simone Tebet disputou a Presidência pelo MDB em 2022, terminou em terceiro lugar e aderiu depois ao governo Lula. Marina Silva, candidata presidencial em três eleições, mantém antigos vínculos com grandes organizações internacionais financiadas pelo imperialismo.
A composição, formada por seis partidos, foi apresentada como garantia da unidade. Na prática, porém, a unidade consiste em entregar cada vez mais espaço aos representantes da burguesia e reduzir a presença do próprio PT. É muito pouco PT para muita burguesia.
O caso paulista faz parte de uma operação nacional. De norte a sul, a frente ampla reunida em torno da candidatura de Lula torna-se mais ampla e menos petista. Os quadros do partido são afastados para abrir caminho a políticos oriundos do MDB, do antigo PSDB e de organizações subordinadas ao capital financeiro internacional.
O exemplo mais evidente está na própria chapa presidencial. O vice de Lula é Geraldo Alckmin, fundador do PSDB e adversário histórico do PT. Derrotado por Lula na eleição de 2006, Alckmin foi incorporado à chapa em 2022 para servir de garantia aos banqueiros, grandes empresários e especuladores.
A permanência de Alckmin demonstra que a frente ampla deixou de ser apresentada como uma manobra eleitoral circunstancial, mas passou a ocupar o lugar do próprio partido. Os políticos que participaram do golpe de 2016 são apresentados como defensores da democracia. Os antigos tucanos transformam-se em aliados indispensáveis. Os representantes diretos da burguesia recebem as principais posições da chapa.
Com Lula ainda à frente da operação, o PT caminha para assumir uma forma semelhante à dos partidos social-democratas europeus ou do Partido Socialista chileno. A organização que surgiu apoiada no movimento operário perde seus quadros, seu programa e sua independência política, enquanto seus postos institucionais passam às mãos de elementos da burguesia.
Essa direitização também arrasta uma parcela dos trabalhadores que ainda confia no PT. Em nome da defesa de Lula e da luta contra a direita, procura-se obrigar a classe operária a apoiar Marina Silva, Simone Tebet, Geraldo Alckmin e todos os antigos golpistas incorporados à frente ampla.
Uma parte dos trabalhadores rompe com essa política. Outra permanece subordinada à direção petista. A entrada de cada novo representante da burguesia na coligação não fortalece os trabalhadores. Fortalece a burguesia dentro da chapa de Lula e prepara uma frente ampla capaz de funcionar até mesmo sem o PT.





