Política internacional

As ligações de Messi com Netaniahu, o exército israelense e a espionagem sionista

Reportagem do MintPress News reúne contratos, viagens e relações do jogador argentino com uma empresa ligada à Unidade 8200, autoridades sionistas e ex-agentes israelenses

Uma reportagem publicada pelo portal norte-americano MintPress News reuniu as relações mantidas por Lionel Messi com o governo de “Israel”, o primeiro-ministro Benjamin Netaniahu, o exército israelense e antigos integrantes dos serviços de espionagem do país.

O levantamento apresenta o contrato publicitário do jogador com uma empresa que emprega antigos agentes da Unidade 8200, suas reuniões com autoridades israelenses, uma visita a soldados do exército sionista e a contratação de ex-agentes israelenses para sua segurança pessoal.

A publicação também recuperou declarações recentes de Netaniahu, que anunciou sua torcida pela Argentina na Copa do Mundo e elogiou Messi. Segundo uma pesquisa citada na matéria, 38% dos israelenses apoiavam a seleção argentina no torneio.

Empresa emprega antigos agentes da Unidade 8200

Em 2020, Messi tornou-se embaixador mundial da OrCam, empresa israelense que fabrica dispositivos de visão artificial. Seus produtos são apresentados como ferramentas destinadas a auxiliar pessoas com deficiência visual na leitura e no reconhecimento de objetos.

A reportagem do MintPress identificou antigos integrantes da Unidade 8200 entre funcionários e dirigentes da companhia. A unidade pertence ao exército israelense e atua na interceptação de comunicações, análise de dados e espionagem eletrônica.

Adi Levitski, oficial de inteligência da Unidade 8200 durante vários anos, assumiu em 2024 o cargo de diretor de operações da OrCam. Mor Shamy, que dirigiu o setor de análise de inteligência da unidade militar, trabalhou posteriormente como programador de algoritmos na empresa.

Outro funcionário citado é Matan Albeck, antigo chefe do departamento de análise de dados da Unidade 8200. De acordo com o levantamento, alguns profissionais também fizeram o percurso inverso, saindo da OrCam para trabalhar na unidade de espionagem.

Os currículos examinados pelo portal mostram ainda que Amitai Edrei declarou ter trabalhado para a OrCam e para a Unidade 8200 durante o mesmo período. Eliya Segev e Eli Corn também passaram pelas duas organizações.

Apesar das demissões realizadas pela companhia nos últimos anos, o MintPress afirma que antigos integrantes dos serviços de inteligência continuam ocupando diversos postos em sua estrutura.

Messi aparece no material publicitário da OrCam e participa da divulgação internacional de seus produtos desde a assinatura do acordo.

Unidade participa da seleção de alvos em Gaza

A Unidade 8200 possui participação nas operações militares israelenses na Faixa de Gaza. Segundo investigações publicadas durante a guerra, informações recolhidas pelos sistemas de vigilância foram usadas na elaboração de listas de palestinos selecionados para ataques.

Os bancos de dados reúnem informações sobre comunicações, deslocamentos, residências e relações pessoais da população palestina. Sistemas de inteligência artificial analisam esses dados e indicam possíveis alvos para os bombardeios.

A Unidade 8200 também formou integrantes de empresas israelenses dedicadas ao desenvolvimento de programas de invasão e vigilância de aparelhos eletrônicos.

Entre os programas mais conhecidos está o Pegasus, criado pela empresa israelense NSO Group. O sistema permite acessar mensagens, chamadas, microfones e câmeras de celulares sem o conhecimento de seus proprietários.

O programa foi encontrado nos aparelhos de dirigentes políticos, jornalistas, ativistas e defensores dos direitos humanos em vários países. Pessoas próximas ao jornalista saudita Jamal Khashoggi também foram espionadas com o Pegasus antes de seu assassinato no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, em 2018.

Reunião com Netaniahu e visita a soldados

Messi viajou para “Israel” em 2013 com o Barcelona. A excursão foi apresentada pelo clube como uma iniciativa pela paz e incluiu compromissos em territórios palestinos e israelenses.

Durante a visita, o jogador e seus companheiros reuniram-se com Benjamin Netaniahu e com o então presidente israelense, Shimon Peres. Messi também visitou o Muro das Lamentações, usou um quipá e encontrou-se com integrantes do exército israelense.

Imagens da viagem mostram jogadores do Barcelona cumprimentando soldados e participando de atividades organizadas pelas autoridades israelenses.

A reportagem do MintPress destacou que, desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, Messi não fez declarações públicas sobre os ataques israelenses ou sobre a situação dos palestinos. Algumas publicações atribuídas ao jogador nas redes sociais eram falsas.

Netaniahu voltou a mencionar Messi durante a Copa do Mundo de 2026. Ao declarar sua torcida pela Argentina, o primeiro-ministro israelense citou a experiência do jogador.

“Ele tem 39 anos agora. Eles têm sorte de possuir um jogador tão experiente, que sabe como marcar gols”, declarou.

Segundo uma pesquisa apresentada pelo portal, 38% dos israelenses afirmaram torcer pela Argentina na competição. O Brasil apareceu na segunda posição. Yoav Berkowitz, diretor de esportes da emissora pública israelense Kan, atribuiu parte do resultado à popularidade de Messi.

Segurança é feita por ex-agentes israelenses

A segurança pessoal do jogador argentino também envolve antigos agentes israelenses, segundo informações reunidas pelo MintPress.

Uma equipe formada por ex-integrantes das forças de segurança de “Israel” organiza os deslocamentos de Messi, principalmente em viagens internacionais. Os agentes também participaram da segurança de seu casamento, realizado em Rosário, na Argentina, em 2017.

A informação sobre a cerimônia foi publicada pela ESPN. A reportagem não esclareceu se os responsáveis pertenciam anteriormente ao Mossad, ao Shin Bet ou a unidades especiais do exército israelense.

Messi já deixou de comparecer ao casamento de uma cunhada na Argentina por preocupações com sua segurança. A equipe contratada pelo jogador acompanha também seus compromissos familiares e profissionais.

Apoio de Netaniahu à Argentina

Além da popularidade de Messi entre os israelenses, o MintPress apontou as relações entre Netaniahu e o presidente argentino, Javier Milei, como outro motivo para o apoio à seleção argentina.

Desde que assumiu o governo, em dezembro de 2023, Milei aproximou a Argentina de “Israel”. Em maio de 2024, o país votou contra a admissão da Palestina como membro pleno da Organização das Nações Unidas.

Quatro meses depois, o governo argentino votou contra uma resolução que exigia o fim da ocupação israelense dos territórios palestinos.

A Argentina também declarou o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica e a Força al-Quds, do Irã, como organizações terroristas. Milei apoiou publicamente os ataques dos Estados Unidos e de “Israel” contra o território iraniano.

O presidente argentino anunciou ainda que pretendia transferir a embaixada de seu país para Jerusalém. A medida foi suspensa depois que a companhia israelense Navitas Petroleum anunciou atividades petrolíferas nas proximidades das Ilhas Malvinas, ocupadas pela Inglaterra e reivindicadas pela Argentina.

Milei declarou-se “o presidente mais sionista do mundo”. Netaniahu, por sua vez, chamou o argentino de “grande amigo de Israel” e elogiou sua política econômica.

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