A ditadura boliviana concedeu prisão domiciliar ao ex-comandante do Exército Juan José Zúñiga, principal acusado pela tentativa de golpe militar de 26 de junho de 2024 contra o então governo de Luis Arce.
A decisão foi tomada nesta segunda-feira (13), no mesmo dia em que começou o julgamento oral do ex-general.
Zúñiga estava preso preventivamente havia dois anos no presídio de El Abra, em Cochabamba. Segundo seu advogado, Eduardo León, a decisão deve ser cumprida em até 72 horas.
Enquanto os procedimentos são concluídos, o ex-comandante será transferido para o presídio de San Pedro, em La Paz. A defesa deverá registrar o endereço no Ministério Público, pagar fiança e garantir a presença do acusado nas sessões do julgamento.
O processo começou com a primeira de 21 declarações previstas.
No dia do golpe, militares sob o comando de Zúñiga ocuparam a praça Murillo, no centro de La Paz. Um blindado derrubou a porta do antigo Palácio de Governo, e as tropas permaneceram no local durante várias horas.
Zúñiga declarou que pretendia “mudar o gabinete” e “restabelecer a democracia”.
Ameaças contra Evo Morales
Poucos dias antes da operação militar, Zúñiga ameaçou impedir uma nova candidatura do ex-presidente Evo Morales. O dirigente do Movimento ao Socialismo já havia denunciado o general por persegui-lo e preparar provas falsas contra ele.
Depois de ser preso, Zúñiga acusou Arce de ter ordenado a saída dos blindados para aumentar sua popularidade. Evo Morales havia advertido, antes do levante, que o governo organizava um autogolpe.
A Promotoria acusa o ex-comandante de terrorismo, levante armado e descumprimento de deveres.
Em 2013, Zúñiga também foi acusado de desviar 2,7 milhões de bolivianos destinados a pensões e benefícios para soldados e estudantes. Recebeu sete dias de prisão em um julgamento militar.





