Gustavo Petro proibiu neste domingo (12) o uso de qualquer quartel ou instalação policial na posse de Abelardo de la Espriella, marcada para 7 de agosto. A ordem foi dada depois que o presidente eleito pediu às Forças Armadas que desobedecessem a eventuais determinações do atual governo.
De la Espriella acusou Petro de preparar um golpe de Estado para permanecer no poder. Em seguida, pediu aos militares que não cumprissem nenhuma ordem que considerassem contrária à Constituição.
Petro respondeu lembrando que permanece como chefe de Estado e comandante das Forças Armadas até o fim de seu mandato.
“Os quartéis militares e policiais estão sob minhas ordens até o momento em que o novo presidente preste juramento. Portanto, até esse momento, sou o comandante supremo das forças militares”, declarou.
O presidente também determinou que “nenhum estabelecimento militar sirva para uma posse de um presidente da República da Colômbia”.
Segundo Petro, a cerimônia deve ocorrer perante o Congresso, como determina a lei colombiana. O presidente afirmou que os quartéis devem ser usados para a defesa da população, e não como sede de atos políticos ou legislativos.
“Nos quartéis não se fazem leis. Fazem-se ações de segurança e de defesa do povo e de sua vida”, afirmou.
Petro afirmou que entregará o governo no prazo previsto. Seu mandato termina à meia-noite do dia 6 de agosto. Também anunciou que apresentará uma ação judicial para anular o resultado das eleições presidenciais de 21 de junho.
O atual presidente não reconhece a legitimidade da vitória de De la Espriella. Segundo Petro, atas da votação realizada no exterior foram manipuladas e o Conselho Nacional Eleitoral recusou-se a realizar o escrutínio exigido diante das denúncias.
Para o presidente, a soberania colombiana foi “quebrada por estrangeiros que usurparam o direito do povo de escolher livremente”. Petro sustenta que o candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda, recebeu a decisão majoritária dos colombianos.
Apesar de contestar o resultado, Petro afirmou que não pretende permanecer no cargo depois do fim do mandato.
Transição suspensa
A crise agravou-se no dia 8 de julho, quando os dois governos suspenderam as reuniões conjuntas de transição.
De la Espriella ordenou que seu vice-presidente eleito, José Manuel Restrepo, interrompesse os encontros com os representantes de Petro. Alegou que não poderia negociar com um governo que não reconhece sua vitória e chamou o atual governo de “golpista e corrupto”.
O ministro da Fazenda, Germán Ávila, responsável pela comissão de transição do governo Petro, afirmou que já não existiam “condições mínimas de respeito institucional” para a continuidade das reuniões.
Ávila acusou integrantes da equipe de De la Espriella, especialmente Carlos Alonso Lucio, de transformar a transmissão de informações entre os governos em instrumento de provocação política.
“O processo de transição não é uma investigação penal, não é um julgamento, não é uma plataforma política”, declarou o ministro. Segundo ele, cada ministério continuará entregando os relatórios exigidos pela lei, mesmo sem a realização das reuniões conjuntas.
O governo também pediu o acompanhamento da Procuradoria-Geral da Nação e lembrou que a Controladoria pode fiscalizar a entrega dos documentos.
Aliança com os Estados Unidos
As primeiras declarações da equipe de De la Espriella mostram a orientação do novo governo. Omar Bula Escobar, escolhido para comandar o Ministério das Relações Exteriores, anunciou o fechamento das embaixadas colombianas em Cuba e na Nicarágua.
A decisão atinge diretamente Cuba, país que sediou e garantiu negociações de paz entre o Estado colombiano e organizações guerrilheiras como as Farc e o ELN. O anúncio foi feito enquanto os Estados Unidos ampliam o bloqueio contra a ilha e ameaçam punir países que lhe forneçam petróleo.
Bula também declarou que o governo de De la Espriella manterá uma estreita aliança com os Estados Unidos. Em relação à Venezuela, disse que pretende desenvolver um plano de “estabilização, recuperação e transição”.
Embora tenha defendido relações econômicas com o governo venezuelano, o futuro ministro deixou claro que o objetivo político é interferir no país vizinho e impulsionar uma mudança de governo em colaboração com os norte-americanos.



