Entrevista

‘PCO está sob fogo cerrado do Judiciário’, afirma Rui Costa Pimenta

Presidente nacional do partido denunciou a perseguição sionista, analisou as eleições de 2026 e comentou a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, denunciou a perseguição judicial movida contra o Partido por sua defesa da resistência palestina. A declaração foi dada em entrevista a Leandro Fortes, no Canal do Galo Preto, no YouTube, nessa terça-feira (14).

Segundo Pimenta, o PCO e seus dirigentes foram alvo de 12 processos, dos quais dois já foram arquivados. A maioria das ações está relacionada às posições do partido contra o sionismo e em defesa da luta do povo palestino.

“Na realidade, tivemos 12 processos. Dois foram arquivados. É muito processo. O PCO está debaixo de um fogo cerrado do Judiciário. É o Ministério Público que atua contra nós, um Ministério Público completamente dominado pelos lavajatistas.”

Em uma das ações, o Ministério Público exige o fechamento definitivo de todos os órgãos do PCO na Internet e o pagamento de uma indenização de R$240 milhões. A acusação é de antissemitismo, em razão das denúncias feitas pelo partido contra “Israel” e o movimento sionista.

“Para você ter uma ideia, em um processo que está sendo movido contra nós, o Ministério Público pede, supostamente por racismo contra judeus, antissemitismo, o fechamento de todos os órgãos do PCO na Internet. Todos. O fechamento definitivo e uma indenização de R$240 milhões. Só isso já é uma barbaridade.”

Pimenta afirmou que o partido prepara uma campanha nacional contra a perseguição sionista e pretende formar um comitê com parlamentares, partidos e personalidades da esquerda. Entre os processados está Ahmed Shehada, presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal).

“Um palestino está sendo processado por instigação dos sionistas, que estão matando palestinos em escala industrial em Gaza. Veja se isso tem cabimento. Ele é palestino e brasileiro, porque é naturalizado brasileiro.”

‘Esquerda radical’

Outro assunto foi a articulação eleitoral apresentada como uma bancada da “esquerda radical”, formada por integrantes do PSOL e figuras próximas ao partido.

Para Pimenta, o grupo não apresentou diferenças políticas claras em relação à atuação tradicional do PSOL. A iniciativa serviria principalmente para distinguir eleitoralmente seus integrantes dos setores mais associados ao PT.

“Não consegui ver muito o propósito da frente. Parece mais uma operação de cunho eleitoral, para se apresentar como uma coisa diferenciada. Se eles são a bancada radical, todo o restante seria moderado.”

O dirigente considerou contraditória a promessa de recolocar o socialismo no debate político. Segundo ele, os integrantes do grupo dão prioridade ao identitarismo, e não à luta da classe operária.

“Parece uma coisa mais de retórica e propaganda do que de realidade. A bancada da ‘esquerda radical’ é uma bancada superidentitária. É um pouco incongruente dizer que vão resgatar o socialismo quando a prioridade do pessoal não é o socialismo, não é a luta operária, não é a luta de classes.”

Direito dos presos

O presidente do PCO também criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir Flávio Bolsonaro de manter contato com Jair Bolsonaro durante 90 dias, após a divulgação de uma carta do ex-presidente nas redes sociais.

Segundo Pimenta, impedir um preso de se manifestar e denunciar sua situação é uma medida antidemocrática. A defesa desse direito, destacou, deve valer inclusive para adversários políticos.

“Você tem o direito de se defender mesmo tendo sido condenado. Amanhã a gente vai para a cadeia. O que vamos defender? Que devemos ter o direito de nos pronunciar. Não é possível cassar o direito da pessoa de protestar.”

Pimenta também voltou a questionar a acusação de que Jair Bolsonaro e setores militares prepararam um golpe de Estado depois das eleições de 2022. Para ele, não havia condições políticas para a instalação de uma ditadura militar naquele momento.

“A intenção do Bolsonaro era fazer alguma coisa a respeito da eleição. Não acho que ele acreditasse que poderia dar um golpe de Estado e estabelecer uma ditadura. Se fosse para dar um golpe, seria mais normal fazê-lo enquanto estava no governo e no comando das Forças Armadas.”

Eleições de 2026

Ao analisar a disputa presidencial, Pimenta afirmou que setores da burguesia procuram enfraquecer simultaneamente Lula e Flávio Bolsonaro.

Segundo ele, os ataques contra o candidato bolsonarista aumentaram, mas a direita ainda não apresentou um nome capaz de substituí-lo. Contra Lula, reaparecem denúncias e investigações que podem ser utilizadas para desgastar sua candidatura.

“Uma alternativa que eu penso é a seguinte: eles estão desgastando os dois candidatos porque querem que o presidente eleito seja um presidente muito fraco. Isso é preocupante, porque pode dar lugar a novas tentativas de golpe de Estado, como aconteceu em 2016.”

Pimenta explicou ainda que sua candidatura à Presidência tem como objetivo apresentar o programa socialista do PCO em escala nacional, e não apenas obter votos.

“O partido considera que sou uma pessoa apta a fazer uma defesa nacional desse programa, a apresentar de maneira convincente o programa do PCO. Não é um problema de voto. É um problema da organização partidária e da luta pelo programa do partido.”

Ataques contra o Irã

Na parte internacional da entrevista, Pimenta analisou a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã. Segundo ele, o governo norte-americano acreditava que alguns bombardeios seriam suficientes para derrubar o regime iraniano.

A grande mobilização popular durante o funeral do aiatolá Ali Khamenei mostrou o contrário.

“Os Estados Unidos atacaram o Irã acreditando que bastava soltar algumas bombas para o regime político cair. Isso mostra uma falta de visão política total. Eles tiveram a resposta com o funeral de Khamenei, que foi uma coisa assombrosa de mobilização popular.”

Para Pimenta, os Estados Unidos não possuem uma saída para o conflito. A derrubada do governo iraniano exigiria uma guerra total e a ocupação militar do país, para as quais o imperialismo não demonstrou capacidade.

“O único futuro desse enfrentamento apresenta duas opções: ou você declara uma guerra total e se prepara para ocupar militarmente o país, o que é uma insanidade, ou derruba o regime político. Não há uma terceira alternativa. E as duas alternativas não dão certo.”

O dirigente afirmou que o Irã mantém o controle do Estreito de Ormuz e não deu qualquer indicação de que aceitará entregá-lo. As ameaças de Donald Trump, segundo ele, demonstram a crise da política norte-americana, e não sua força.

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