O parlamento de “Israel” aprovou nesta terça-feira (14) uma lei que impede temporariamente a prisão e o processo de homens judeus ultraortodoxos que se recusam a cumprir o serviço militar.
A proposta do governo foi aprovada por 58 votos a 54 depois de uma sessão que atravessou a noite. A oposição apresentou 1.748 emendas para retardar a votação.
A lei protege dezenas de milhares de desertores até 30 de novembro, incluindo os que alcançarem a idade militar depois da entrada em vigor da medida.
Também ficam suspensos os processos já abertos contra ultraortodoxos que desobedeceram às ordens de alistamento.
Dados divulgados pelo gabinete da procuradora-geral em maio mostraram que cerca de 72 mil homens estavam sujeitos à prisão pela recusa em servir.
Falta de soldados
A lei foi aprovada quando o exército de ocupação enfrenta falta de militares para sustentar as guerras contra Gaza e o Líbano e as operações na Cisjordânia ocupada e na Síria.
Comandantes afirmaram em maio que precisavam de mais 12 mil soldados, incluindo cerca de sete mil para unidades de combate. O exército estima que a falta chegará a 17 mil soldados em janeiro de 2027.
Alguns reservistas já cumpriram seis ou sete períodos de mobilização desde outubro de 2023.
O chefe do Estado-Maior, Eial Zamir, classificou a lei como “inconcebível” e afirmou que ela contradiz as necessidades do exército. Assessores jurídicos do parlamento disseram que a medida praticamente isenta os ultraortodoxos do serviço militar.
A proteção foi aprovada por pressão dos partidos religiosos que sustentam o governo de Benjamin Netaniahu. O primeiro-ministro compareceu a parte da sessão, mas deixou o plenário antes da votação final.
Em 2024, o Tribunal Superior de “Israel” decidiu que não havia base legal para manter as isenções. Em abril de 2026, o tribunal ordenou a retirada de benefícios financeiros e o avanço dos processos contra os desertores. A nova lei suspende essas medidas sem estabelecer uma regra permanente de alistamento.




