O Irã atacou instalações militares dos Estados Unidos no Cuaite e na Jordânia nesta quinta-feira (16), em resposta à nova série de bombardeios norte-americanos contra o território iraniano. As operações atingiram radares, sistemas de comunicação, depósitos de combustível e uma concentração de soldados dos EUA.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã (CGRI) informou que atingiu o radar de alerta antecipado do sistema de defesa antiaérea C-RAM instalado na Base Aérea Ali al-Salem, no Cuaite. O ataque também teve como alvo um agrupamento de militares norte-americanos no local.
O Exército iraniano, por sua vez, lançou aviões não tripulados explosivos contra a Base Aérea de al-Azraq, na Jordânia. Segundo o comunicado militar, foram atingidos um radar fixo, o sistema de comunicações e os depósitos de combustível da base utilizada pelas forças dos EUA.
O CGRI também anunciou a derrubada de um avião não tripulado norte-americano MQ-9 sobre a cidade de Andimeshk, na província de Cuzistão, no sudoeste do Irã. A operação ocorreu após os ataques realizados pelos Estados Unidos durante a noite contra cidades, portos e instalações iranianas.
Explosões também foram registradas em Erbil, no Curdistão iraquiano, na ilha de Bubiyan e nas proximidades do Campo Virginia, ambos no Cuaite. A televisão iraniana afirmou que as avaliações iniciais apontam graves danos aos equipamentos e às forças norte-americanas.
Treze mísseis contra alojamentos militares
A nova resposta iraniana ocorreu depois que os Estados Unidos lançaram 13 mísseis contra o quartel de Bambur, na cidade de Iranshahr, no sudeste do Irã. O ataque atingiu diretamente dormitórios e alojamentos da Força Terrestre do Exército iraniano, assassinando sete militares e ferindo vários outros.
Em comunicado, o Exército declarou que o crime não ficará sem resposta:
“A agressão realizada pelos militares dos Estados Unidos contra o quartel de Bambur, em Iranshahr, que resultou no martírio de sete membros da Força Terrestre, não passará sem resposta. A resposta a esse crime será decisiva e ocorrerá no momento apropriado.”
Os feridos permanecem sob atendimento médico. O bombardeio contra os alojamentos fez parte de uma série de ataques norte-americanos realizados entre a noite de quarta-feira (15) e a madrugada desta quinta-feira.
Os Estados Unidos atacaram Bandar Abbas pela terceira vez em poucas horas. Também foram registradas explosões em Rask e Konarak, na província de Sistão e Baluchistão, além de diversos ataques contra Ahvaz, na província de Cuzistão.
Segundo autoridades locais, casas foram danificadas em Ahvaz. Nas proximidades da ilha de Qeshm, um projétil norte-americano atingiu parte de uma fábrica de farinha de peixe. O porto de Sirik também foi atacado mais de uma vez.
O Ministério da Saúde iraniano informou que pelo menos 35 civis haviam sido mortos pelos bombardeios norte-americanos até o meio-dia de quarta-feira. Os ataques também atingiram partes do aeroporto de Semnan e áreas próximas de Khondab, além de pontos a leste e a oeste de Teerã.
Trump ameaça usinas e pontes
O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que os ataques contra o Irã continuarão por decisão de seu governo. Em entrevista à emissora Fox News, Trump afirmou que as forças dos EUA atacariam o país com maior intensidade durante três dias.
Trump também ameaçou destruir usinas de energia e pontes caso o governo iraniano não aceite as exigências norte-americanas.
“Na próxima semana serão as usinas. Na próxima semana serão as pontes. Vamos destruir todas as usinas. Vamos destruir todas as pontes, a menos que eles se sentem à mesa e negociem”, declarou.
O Comando Central dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de ataques contra centros de comando, sistemas de defesa antiaérea, posições de mísseis, instalações de aviões não tripulados e unidades de vigilância costeira.
O governo norte-americano também estuda ampliar os bombardeios contra outros locais estratégicos do Irã. Desde 8 de julho, as forças dos EUA realizam ataques contra o sul do país sob o pretexto de garantir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
Uma guerra pela destruição do Irã
O negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país enfrenta uma guerra pela própria existência. Segundo ele, o objetivo dos Estados Unidos não se restringe a derrubar o governo, mas inclui dividir e destruir o Irã.
“Nunca desejamos a guerra e nunca desejaremos. No entanto, devemos permanecer sempre plenamente preparados para combater e resistir até o fim em defesa de nossa segurança e de nossos interesses nacionais.”
Ghalibaf afirmou que o Irã deve utilizar tanto as forças militares quanto a diplomacia para proteger seus interesses. Ressaltou, porém, que o país não pode depender das promessas dos Estados Unidos.
“Não temos escolha senão confiar em nossa própria força”, declarou.
O dirigente iraniano também advertiu que o país não possui motivo para cumprir o memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos caso o acordo não traga benefícios concretos e não garanta a segurança nacional iraniana.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, reconheceu que setores do governo de “Israel” tentam prolongar indefinidamente a guerra contra o Irã e influenciar a opinião pública norte-americana. Vance, porém, procurou eximir o regime sionista da responsabilidade direta pela ofensiva, afirmando que Trump atacaria o Irã mesmo sem a pressão israelense.
Sem negociações sob bombardeios
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, anunciou que o país suspendeu parte de seus compromissos depois que os Estados Unidos deixaram de cumprir as próprias obrigações.
“Quando a outra parte violou seus compromissos, também deixamos de executar nossas obrigações onde isso se tornou necessário”, afirmou.
Baghaei declarou que qualquer entendimento somente possui valor enquanto preservar os interesses e a segurança do Irã. Segundo o porta-voz, o governo iraniano não possui atualmente nenhum plano de negociações e concentra seus esforços na defesa do território nacional.
O Exército iraniano também reafirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos encerrem as ações militares, cumpram os termos do memorando de entendimento e reconheçam as leis iranianas que regulam a passagem pela região.
O porta-voz do CGRI, Hossein Mohebi, afirmou que as operações iranianas estão voltadas para a destruição da infraestrutura ofensiva norte-americana em toda a região.
“O inimigo não deve acreditar que é capaz de manter a atual situação dos combates e transformar a guerra em uma guerra de desgaste.”



