Os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã nesta segunda-feira (13). O Comando Central norte-americano afirmou que os ataques foram ordenados pelo presidente Donald Trump e tinham como objetivo reduzir a capacidade iraniana de controlar a navegação no Estreito de Ormuz.
Poucas horas depois, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) anunciou uma nova etapa de sua resposta militar. Mísseis e aviões não tripulados iranianos destruíram sistemas de radar usados pelas forças norte-americanas em Omã e atingiram instalações militares no Barém.
Segundo a televisão estatal iraniana, explosões foram registradas em Sirik, a oeste de Bandar Abbas, em Jask e na ilha de Qeshm. Um dos ataques atingiu uma torre de telecomunicações próxima à aldeia de Tahrovi, local que já havia sido bombardeado em operações anteriores dos EUA.
Os bombardeios atingiram rotas de transporte, portos, sistemas de comunicação e instalações econômicas. Entre os alvos estavam os portos de Chabahar e Bandar Abbas, dois dos principais centros marítimos do país.
Também foram registrados ataques contra instalações de comunicação na província de Hormozgan, que se estende diante do Estreito de Ormuz e do golfo de Omã. Ahvaz e Mahshahr, na província do Khuzistão, onde se concentra uma parte importante da indústria petroquímica iraniana, também foram bombardeadas.
Houve ainda ataques na região de Khondab, próxima à instalação nuclear de Arak, na província de Markazi. As autoridades iranianas não divulgaram imediatamente informações detalhadas sobre os danos.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou os bombardeios como uma violação aberta da Carta das Nações Unidas e uma ameaça à paz e à segurança internacionais.
Segundo o ministério, os EUA violaram quase todos os pontos do memorando assinado 25 dias antes para encerrar as hostilidades. O acordo havia sido apresentado como uma medida para interromper os ataques e estabelecer regras para a navegação no Estreito de Ormuz.
Os novos bombardeios atingiram infraestrutura de transporte, embarcações pesqueiras, navios de carga, instalações meteorológicas e outras estruturas civis. O governo iraniano classificou os ataques como crimes de guerra.
O CGRI informou ainda que as forças norte-americanas atingiram uma bomba de água usada na agricultura em Mahshahr. Segundo a organização, o ataque demonstra o caráter inimigo da população das operações conduzidas pelos EUA.
O Ministério das Relações Exteriores afirmou também que a intervenção norte-americana impediu a aplicação das medidas estabelecidas pelo Irã para o Estreito de Ormuz. De acordo com o comunicado, a ação dos EUA voltou a tornar insegura a passagem e prejudicou o transporte comercial internacional.
Na quinta etapa de sua resposta militar, as forças navais do CGRI atacaram dois sistemas de radar instalados em Omã e usados pelos EUA. Um deles era um radar de alerta antecipado de longo alcance. O segundo era empregado na identificação e no acompanhamento de navios.
Ao mesmo tempo, instalações militares norte-americanas na região de Al-Juffair, no Bahrein, foram atingidas. Segundo o comunicado iraniano, incêndios continuavam ativos no local após o ataque.
“Estas operações decisivas e poderosas tornaram incapaz o Exército norte-americano, que identificamos como o agressor”, declarou o Departamento de Relações Públicas do CGRI.
A operação deu continuidade aos ataques realizados nos dias anteriores contra instalações usadas pelos EUA na Jordânia, no Barém e no Cuaite.
Na Jordânia, mísseis e aviões não tripulados iranianos atingiram a base aérea Príncipe Hassan, incendiando depósitos de combustível e munições. No Barém, a base Xeique Isa teve instalações de manutenção de helicópteros, um hangar de aeronaves de reconhecimento P-8 e um centro de comando de aviões não tripulados atingidos.
No Cuaite, as bases aéreas Ali Al-Salem e Ahmed al-Jaber foram atacadas. O CGRI anunciou a destruição de tanques de combustível, sistemas antiaéreos Patriot e radares. Em outra etapa da operação, duas plataformas de lançamento de foguetes HIMARS e depósitos de munição também foram atingidos.
O CGRI declarou que a reabertura do Estreito de Ormuz à navegação depende do fim das intervenções militares norte-americanas e do respeito à soberania dos países sobre suas águas territoriais.
“A continuação dessas intervenções terá consequências ainda maiores para os setores mundiais de petróleo e gás”, afirmou a organização.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo. Os EUA procuram retirar do Irã o controle militar e político da passagem, utilizando navios de guerra, bases instaladas nos países vizinhos e ataques contra a costa iraniana.
O governo iraniano também advertiu os países da região contra o uso de seus territórios ou instalações militares para atacar o Irã. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os locais de onde partirem os ataques serão considerados alvos legítimos de operações defensivas das Forças Armadas iranianas.
O ministério lembrou que os governos vizinhos têm a obrigação de impedir que potências estrangeiras utilizem seus territórios para agredir outro país.
A imprensa israelense reconheceu que o Irã está evitando abrir uma nova frente direta contra “Israel”. Segundo uma reportagem citada pela Al Mayadeen, dirigentes do CGRI recusam as provocações destinadas a arrastar o país para uma guerra mais ampla.
A avaliação israelense afirma que o governo iraniano procura impedir que o primeiro-ministro Benjamin Netaniahu obtenha vantagens políticas com uma nova guerra. A ampliação dos combates permitiria ao dirigente sionista tentar reduzir seu isolamento e apresentar-se novamente como chefe de um país ameaçado.
A contenção iraniana também procura manter a pressão diplomática contra “Israel”, inclusive dentro dos próprios Estados Unidos. Segundo a reportagem, Trump impediu até agora uma intervenção israelense direta nos ataques norte-americanos.





