Oriente Próximo

Hamas acertou no 7 de outubro, Trump errou feio ao assassinar Khamanei

Rreação iraniana elevou a confiança das forças que combatem o imperialismo na região

Donald Trump

A Operação Dilúvio de Al-Aqsa, realizada pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em 7 de outubro de 2023, foi uma decisão muito acertada. Ela rompeu o cerco político imposto ao povo palestino, recolocou a causa palestina no centro da luta mundial e demonstrou que a ocupação israelense não é invencível. Quase três anos depois, o assassinato do Aiatolá Saied Ali Khamenei pelos Estados Unidos e por “Israel” confirma o que a esquerda pró-imperialista se recusou a compreender: os povos oprimidos avançam quando enfrentam seus dominadores, enquanto o imperialismo se enfraquece quando acredita que pode esmagá-los pelo terror.

Desde o primeiro dia, setores da esquerda condenaram o Hamas. Disseram que a operação tinha sido um “erro de cálculo”, porque a resposta genocida de “Israel” provocaria um número gigantesco de mortos em Gaza. Esse raciocínio transfere ao povo palestino a responsabilidade pelos crimes do ocupante. Em vez de condenar o sionismo, condena-se a resistência por ter reagido. Cobra-se dos palestinos que aceitem o cerco, a fome, os bombardeios e a expulsão de suas terras.

Nenhum povo conquista sua liberdade escolhendo apenas ações que não provoquem reação do inimigo. Toda luta de libertação enfrenta repressão. O problema é saber se a ação enfraquece o opressor, amplia a organização dos oprimidos e modifica a correlação de forças. O 7 de Outubro fez isso. Destruiu a aparência de estabilidade do regime sionista, revelou a fragilidade de seu aparato militar e obrigou o imperialismo a mobilizar seus recursos para sustentar a ocupação.

A guerra contra Gaza não apagou a causa palestina. Fez o contrário. A resistência permaneceu em combate. O Hesbolá abriu uma frente no Líbano. O Ansar Alá enfrentou navios ligados ao sionismo no Mar Vermelho. Organizações do Iraque atacaram posições do imperialismo. O Irã assumiu um papel ainda mais destacado na defesa dos povos da região.

Foi nesse quadro que Donald Trump tomou uma das decisões militares mais desastrosas da história recente dos Estados Unidos. Ao ordenar o assassinato de Ali Khamenei, o governo norte-americano apostou que a morte do Líder da Revolução Islâmica produziria desorganização, medo e crise no Irã. Aconteceu o oposto. O funeral de Khamenei reuniu uma imensa mobilização popular e demonstrou que o regime iraniano possui uma base social profunda, formada durante décadas de confronto com o imperialismo.

O erro de Trump foi imaginar que o Irã funciona como um governo artificial, mantido apenas por uma cúpula burocrática. A República Islâmica nasceu de uma revolução popular que derrubou o xá, agente dos Estados Unidos, e consolidou sua autoridade por meio da luta contra a dominação estrangeira. Quanto maior a agressão externa, maior é a coesão do povo iraniano em torno da defesa nacional. O assassinato de Khamenei não separou a população do regime. Uniu ainda mais o país contra seus inimigos.

O funeral tornou evidente a ignorância do imperialismo a respeito do Irã. Os estrategistas norte-americanos acreditaram que a eliminação física de uma liderança seria suficiente para abalar todo o sistema político. Não compreenderam que a força de Khamenei vinha de sua identificação com a independência nacional, com a Revolução Islâmica e com o enfrentamento aos Estados Unidos e a “Israel”.

O resultado da agressão foi o fortalecimento do Irã. A reação iraniana elevou a confiança das forças que combatem o imperialismo no Oriente Médio. A resistência no Iraque, no Líbano, na Palestina e no Iêmen ganhou novo impulso. O imperialismo, que pretendia intimidar seus adversários, demonstrou que não possui uma saída fácil para a crise que criou.

Para derrotar o Irã, os Estados Unidos precisam enfrentar um país de mais de 90 milhões de habitantes, com grande território, recursos econômicos, indústria militar e uma população mobilizada. Não se trata de derrubar um governo isolado, mas de enfrentar uma nação cuja unidade política foi reforçada pela própria agressão. O assassinato de Khamenei não resolveu nenhum problema para Trump. Criou problemas maiores.

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