América do Sul

Argentina acelera privatizações para pagar dívida aos banqueiros

Governo Milei quer usar empréstimos multilaterais, venda de patrimônio público e títulos locais para cobrir vencimentos que passam de US$32 bilhões em 2027

O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, afirmou nesta segunda-feira (6) que o governo Javier Milei pretende honrar os pagamentos da dívida pública até 2027 por meio de empréstimos multilaterais, privatizações e emissão de títulos locais. O plano procura evitar, por enquanto, novas emissões de títulos no exterior.

Em coletiva, Caputo disse que o país buscará refinanciar a dívida existente às menores taxas possíveis. A Argentina enfrenta um vencimento decisivo em 2027, ano em que Milei afirmou que buscará a reeleição. Segundo dados do FMI, o país tem mais de US$23 bilhões em pagamentos de principal naquele ano, ou mais de US$32 bilhões quando os juros são incluídos.

Para formar reservas, o governo tem recorrido a títulos locais atrelados ao dólar, operações de recompra e financiamento multilateral. Caputo rejeitou as críticas de que a política econômica de Milei prejudica a indústria nacional ao facilitar importações. Segundo ele, governos anteriores protegeram “setores ineficientes”.

O ministro afirmou que a entrada de dólares também viria do Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI), criado por Milei para favorecer grandes grupos em setores como mineração e energia, além de privatizações, entre elas a da rede ferroviária.

Em junho, Milei autorizou por decreto até US$5 bilhões em financiamento com garantias multilaterais parciais. As cláusulas concedem jurisdição a tribunais de Nova Iorque, submetendo o país a uma regra conhecida do endividamento argentino.

Caputo é uma figura histórica do endividamento argentino. Durante o governo Mauricio Macri, ele negociou o maior empréstimo da história do FMI, no valor de US$56,3 bilhões.

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