A venalidade da grande imprensa parece não ter fim. Após apoiar bloqueios, sanções, o Estadão se aproveita dos terremotos na Venezuela para, nesta segunda-feira (6), vir falar sobre as supostas “As ruínas do ‘socialismo do seculo 21’”. O jornal se sente à vontade para escrever um editorial e culpar a revolução bolivariana, mas apoiou todas as medidas que levaram a essa tragédia.
Segundo o jornal que apoiou a ditadura militar, “as ruínas de La Guaira, região mais afetada pelos terremotos de 24 de junho passado na Venezuela, são também as ruínas do chamado ‘socialismo do século 21’ – experimento chavista destinado a transformar o país, um dos mais ricos da América do Sul, em uma grande Cuba.”
Se a Venezuela é um dos países mais ricos da América do Sul, como o jornal explica o Caracazo de 1989? Além disso, quem vem transformando a Venezuela em uma Cuba são justamente os bloqueios econômicos criminosos que punem populações inteiras e empobrece os países, mas que o Estadão também apoia.
As sanções, que duram décadas, impedem a entrada de remédios e mata milhares e milhares de pessoas silenciosamente. Estudo apontam que mais de meio milhão de pessoas morreram anualmente nos últimos 50 anos por conta dessas medidas, que já ceifaram a vida de mais de 28 milhões de pessoas.
Para se ter uma pequena ideia da crueldade do imperialismo, Cuba e Venezuela tiveram dificuldades durante a pandemia de Covid-19 para adquirir seringas descartáveis para a vacinação, a compra de ventiladores pulmonares e também de insumos para a produção de vacinas. Ainda assim esses países conseguiram produzir suas próprias vacinas, o que causa a raiva da burguesia e de seus porta-vozes, como o Estadão.
Acusações
O editorial diz que “La Guaira concentra moradias populares erguidas com o dinheiro da bonança do petróleo nos tempos do caudilho Hugo Chávez – época na qual o governo venezuelano transformou a PDVSA, estatal petrolífera, na cornucópia que alimentou o projeto revolucionário chavista. Essas moradias foram construídas a toque de caixa pela ditadura bolivariana, sem qualquer preocupação com padrões técnicos – e quem quer que questionasse o governo a esse respeito era logo tratado como “inimigo do povo”. Hoje, sob os escombros desses prédios, estão milhares de pessoas pobres para as quais o “socialismo do século 21” havia prometido a redenção.”
O que editorial esconde é que havia urgência para construções, dado o avanço da pobreza na Venezuela, fruto das medidas neoliberais implementadas pelo governo de Carlos Andrés Pérez, um pau-mandado do imperialismo que afundou o país em dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Estimativas apontam que até 85% da população vivia abaixo da linha de pobreza, o desmonta a farsa do Estadão, que tenta mostrar que a Venezuela seria um país próspero que a Revolução tratou de empobrecer.
Um jornal como o Estadão, que chama os governantes sauditas de reis e príncipes, ou o Estado genocida de “Israel” de democracia, trata Hugo Chávez como “caudilho”. E é preciso dizer que o projeto revolucionário não era “chavista”, foi apoiada pelo povo, cansado de viver na pobreza causada pelas burguesias nacional e internacional. Daí a raiva mal disfarçada dessa imprensa.
Mentiras
O jornal burguês alega que “a rigor, o tal ‘socialismo do século 21’ não precisava de um terremoto devastador para ser desmoralizado. A Venezuela, dona das maiores reservas provadas de petróleo no mundo, transformou-se ao longo de quase três décadas de chavismo num país falido”. Faz isso para esconder os crimes contra nosso país vizinho que não apenas asfixiaram a economia venezuelana e até mesmo roubaram reservas em ouro.
O país é um bom exemplo para demonstrar como agem as forças apoiadas pelo Estadão, mesmo possuindo a maior reserva de petróleo do mundo, o grande capital não permite que um país se desenvolva, o que evidencia seu alto grau de parasitismo.
A tarefa da grande imprensa é mentir, por isso se escreve no editorial que a “economia encolheu brutalmente desde que o modelo de assalto ao Estado inaugurado por Chávez e aperfeiçoado pelo seu sucessor, Nicolás Maduro”. A assalto, de fato, foi feito pelas potências econômicas, as mesmas que alugam a caneta do Estadão.
Quando o jornal diz que “A erosão do Estado venezuelano, entregue à rapina bolivariana, cobrou seu preço na forma de um profundo despreparo para enfrentar tragédias como os terremotos de junho”, tenta esconder que a punição à Venezuela se deu porque o país não quis entregar suas riquezas à rapina do mundo “democrático”.
Corrupção
Um jornal que apoiou, e participou, do golpe de 2016; que apoiou o julgamento do Mensalão; que apoiou a Lava Jato, critica Chávez e Maduro devido à “corrupção desenfreada e a falta de planejamento adequado”. Para a burguesia, a corrupção nunca foi um problema. A grande imprensa, desde sempre, esteve à venda. Quem quiser um quadro vivo de como age esse braço do capital pode ler o excelente livro Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, que, apesar de ter sido escrito logo no início do século passado, expõe a podridão da imprensa.
O jornal aproveita o final do editorial para criticar tanto Delcy Rodrigues quanto Donald Trump, o prova que o atual presidente norte-americano nunca foi o candidato preferencial do imperialismo. Apesar de que toda a grande imprensa o apoiou quando este, acompanhado do genocida Benjamin Netaniahu, iniciou uma guerra de agressão contra o Irã.
O Estadão, que espantou até os mais conservadores ao mostrar sua cara sem máscara, chegou a dizer que ninguém iria chorar pelo Irã. Deve ter sido um tapa na cara acompanhar o velório de Khamenei, que levou milhões de pessoas às ruas. O problema para essa gente é que os iranianos não ficam apenas chorando seus mortos, eles revidam as agressões.
Todos os que ousarem enfrentar a tirania do imperialismo são maltratados e não deve ser ouvido. Daí a necessidade burguesa de eliminar todas as formas democráticas de uso das redes sociais.




