A 55ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR) chegou ao fim neste domingo (5), em Sorocaba (SP), depois de nove dias de atividades políticas, cursos, debates, esporte e convivência entre militantes e simpatizantes de diversas regiões do País.
O último dia foi marcado pela aula final do curso A história do Irã e da República Islâmica, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. A atividade, que teve início no dia 27 de junho, tomou como tema central a história do Irã, país que se encontra no centro da luta contra o imperialismo no Oriente Médio.
Na exposição de domingo, Pimenta tratou diretamente da Revolução Islâmica de 1979. Depois de percorrer, nas aulas anteriores, a história antiga do Irã, a dominação estrangeira, a dinastia Palavi, o golpe imperialista de 1953 contra Mohammad Mossadeq, a ditadura do Xá Mohammed Reza Palavi e a repressão da SAVAK, o dirigente apresentou o processo que levou à queda da monarquia e à formação da República Islâmica.
Pimenta explicou que a Revolução Islâmica não foi uma aberração histórica, nem uma invenção artificial imposta ao povo iraniano. Ao contrário, foi uma revolução com as particularidades próprias do Irã, país de tradição religiosa profunda, marcado pela dominação imperialista, pela repressão da monarquia e pela ligação do baixo clero xiita com as massas pobres.
O presidente do PCO destacou o papel do Aiatolá Ruholá Khomeini como grande dirigente da revolução. Segundo Pimenta, Khomeini não tomou a direção do processo por meio de uma manobra contra outras forças políticas. Ele chegou ao Irã como a principal liderança reconhecida pelas massas, depois de anos de enfrentamento com o regime do Xá e de denúncia da submissão do país aos Estados Unidos, à Inglaterra e a “Israel”.
A aula também rebateu as principais polêmicas difundidas contra a Revolução Islâmica. Pimenta explicou que a formação da República Islâmica foi submetida a referendo, no qual cerca de 99% votaram a favor do novo regime. O dado demonstra, segundo a análise apresentada, que a República Islâmica expressou a vontade da esmagadora maioria da população iraniana no momento da derrubada da monarquia.
O curso mostrou que a Revolução Islâmica não pode ser compreendida a partir dos critérios abstratos da propaganda imperialista. Para Pimenta, é preciso partir da história concreta do país: a pilhagem do petróleo, os golpes organizados pelo imperialismo, a ditadura do Xá, a repressão brutal contra os trabalhadores, os estudantes, os camponeses, os religiosos oposicionistas e todas as correntes que enfrentavam o regime.
Ao longo da aula, Pimenta retomou a importância do clero xiita, especialmente dos setores ligados à população pobre. Ao contrário da tese de que a revolução teria sido “sequestrada” pelos religiosos, o curso mostrou que esses setores já participavam das grandes lutas nacionais desde antes da queda do Xá, inclusive no movimento contra a dominação estrangeira e em defesa da soberania iraniana.
O dirigente também anunciou que será necessário realizar algumas aulas extras para completar todo o conteúdo planejado. A programação inicial precisou ser alterada porque, durante dois dias, não foi possível ministrar o curso em razão de uma laringite. Com isso, parte do material será desenvolvida em aulas posteriores, fora da grade original da Universidade de Férias.
Depois da aula, os participantes se reuniram para o churrasco de encerramento. A confraternização fez parte da rotina coletiva da Universidade, que durante todos os dias contou com refeições no próprio local, atividades de lazer, debates políticos, piscina, jogos e transmissões esportivas.
A Universidade foi realizada em uma área de 150 mil metros quadrados, com chalés, área de acampamento, cozinha ampla, piscina semiolímpica, quadra de vôlei, quadra poliesportiva e campo de futebol. A estrutura permitiu que os participantes permanecessem no local durante toda a atividade, alternando aulas, discussões, descanso e atividades esportivas.
Também no domingo, os participantes acompanharam a transmissão da tragédia da Seleção Brasileira contra a Noruega, pela Copa do Mundo. O Brasil foi eliminado após perder por 2 a 1, em uma partida em que desperdiçou chances claras, perdeu pênalti, falhou na defesa e viu Haaland decidir o jogo para a equipe norueguesa.
A derrota foi recebida como um golpe duro pelos presentes. O jogo estava 0 a 0 quando Neymar entrou no segundo tempo. A Noruega marcou seus dois gols depois, em falhas defensivas, e Neymar fez o único gol brasileiro, de pênalti, já nos acréscimos. Mesmo em má condição física e usado por poucos minutos durante a Copa, o craque brasileiro voltou a mostrar qualidade superior à média da equipe.
A eliminação também abriu discussão entre os participantes sobre a campanha da imprensa burguesa contra a Seleção Brasileira. A derrota foi imediatamente usada por articulistas, comentaristas e influenciadores para atacar o futebol nacional, o jogador brasileiro e, em especial, Neymar.
Após a aula, o churrasco e a transmissão do jogo, os participantes começaram a desmontar seus acampamentos, organizar suas bagagens e retornar para suas cidades e estados, encerrando a 55ª Universidade de Férias do PCO e da AJR.





