Editorial

Os imundos contra o Brasil

Após a derrota para a Noruega, os abutres de sempre atacam o melhor jogador do século e repetem que o futebol brasileiro acabou

A eliminação da Seleção Brasileira diante da Noruega foi o sinal esperado para que a burguesia, por meio de sua imprensa, de seus articulistas e de seus influenciadores, desatasse uma campanha furiosa contra o futebol brasileiro. Não bastou analisar a derrota, apontar os erros da partida ou discutir o desempenho da equipe. O que se viu foi uma operação de ataque à Seleção, ao jogador brasileiro e, principalmente, a Neymar.

A derrota por 2 a 1, neste domingo (5), foi uma tragédia. O Brasil perdeu chances claras, desperdiçou um pênalti no primeiro tempo, falhou nos lances decisivos e permitiu que Haaland, um poste ambulante, resolvesse a partida para a Noruega. Mas a campanha que tomou conta dos jornais e das redes sociais não teve como objetivo explicar o jogo. Teve como objetivo avacalhar a Seleção Brasileira.

Há duas teses sendo marteladas pelos inimigos do futebol nacional. A primeira é a de que o futebol brasileiro acabou, que o País não produz mais craques e que a Seleção se tornou uma equipe comum. A segunda é a de que Neymar seria o culpado moral pela eliminação, mesmo tendo jogado menos de 45 minutos em todo o torneio.

Neymar entrou aos 22 minutos do segundo tempo. O jogo estava 0 a 0. A Noruega fez dois gols depois, ambos em falhas da defesa brasileira, e Neymar marcou o único gol do Brasil, de pênalti, aos 54 minutos. Este é o fato. Mesmo em sua pior condição física, mesmo sem ritmo, mesmo utilizado apenas em pequenos trechos da Copa, Neymar mostrou em campo mais qualidade, mais capacidade de criação e mais personalidade do que todos os seus companheiros.

Neymar é o melhor jogador do século. É o maior representante do futebol arte em atividade. Não há nenhum jogador em campo hoje que represente de maneira tão clara a tradição brasileira do drible, da improvisação, da ousadia, da jogada inesperada. É exatamente por isso que a imprensa burguesa o odeia. O ódio a Neymar é o ódio ao jogador brasileiro que não se submete ao padrão europeu, ao moralismo dos comentaristas e à disciplina artificial que querem impor ao futebol nacional.

O esquerdista Juca Kfouri chamou Neymar de “pequeno cafajeste”. O ex-jogador Neto atacou o choro do crauqe e chamou a geração da Seleção de “mentira”. Casagrande afirmou que Neymar “não é ídolo de nada” e que seria uma “péssima referência para a juventude”. Thiago dos Reis chamou o jogador de “verme” e “lixo”. O pré-candidato à Presidência da República pelo MBL, Renan Santos, recorreu ao mesmo expediente moralista, atacando a vida pessoal de Neymar para apresentar o jogador como uma espécie de degenerado.

Nenhum desses senhores está preocupado com o futebol brasileiro. Querem usar a derrota para pisotear o maior jogador do País, atacar a Seleção e reforçar a velha campanha de que o Brasil precisa abandonar sua própria tradição. É a mesma imprensa que passou anos bajulando a solução estrangeira para a Seleção, apresentando o técnico europeu como salvação da pátria. Quando a derrota veio, os mesmos que ajudaram a criar a expectativa passaram a cuspir sobre os jogadores brasileiros.

A tese de que o futebol brasileiro acabou é uma mentira grosseira. O Brasil continua formando jogadores de altíssimo nível, espalhados pelos principais clubes do mundo. O problema é que a imprensa só reconhece o valor desses jogadores quando eles estão a serviço dos clubes europeus. Quando vestem a camisa amarela, passam a ser tratados como preguiçosos, marrentos, irresponsáveis ou incapazes.

O choro de Neymar incomodou porque mostra que, ao contrário do que dizem seus detratores, ele se importa com a Seleção. Ele joga, provoca, erra, acerta, reclama, chora, dribla, chama o jogo. É um jogador brasileiro. Atacar Neymar é atacar a última grande expressão do futebol brasileiro no cenário mundial. É uma tentativa de substituir o futebol arte pelo futebol burocrático que a imprensa vende como “moderno”.

A Seleção Brasileira é o maior patrimônio esportivo do povo brasileiro. É a representante histórica do futebol dos povos oprimidos contra o futebol dos grandes países imperialistas, contra a FIFA e contra os grandes monopólios que controlam o esporte mundial. Por isso, cada derrota do Brasil é comemorada por uma parcela da imprensa nacional como se fosse uma oportunidade de reeducar o povo brasileiro, de ensiná-lo a ter vergonha de seus próprios craques.

A derrota para a Noruega não prova que o futebol brasileiro acabou. Prova apenas que o Brasil perdeu um jogo decisivo em que desperdiçou suas chances e falhou na defesa. O Brasil poderia ter vencido. Teve pênalti, teve chances frente a frente com o goleiro, teve domínio em vários momentos e perdeu para uma equipe de pernas de pau que soube aproveitar duas oportunidades. Isto é futebol.

O que a imprensa fez depois do jogo, porém, não é futebol. É política contra o Brasil.

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