Há uma única corrente nestas eleições, e ela é fácil de identificar. Uma corrida desenfreada por cargos, alianças que reabilitam figuras que sustentaram o golpe de 2016, a reconstrução do falido PSDB sob a sigla do PSB e um pacote de promessas apresentado por todos os partidos, sem exceção. Nas redes sociais, a disputa se resume a saber qual candidato é menos corrupto. É contra tudo isso que se lança a campanha do Partido da Causa Operária (PCO), apresentada em ato realizado em São Paulo.
As eleições não mudarão a situação do País, nem agora nem nunca. Quase 20 anos de governos do PT confirmaram isso à exaustão. A grande realização apresentada pelo mandato atual é a saída do mapa da fome, o que significa dizer que uma parcela da população passou a se alimentar precariamente algumas vezes por semana, enquanto os bancos se apropriam de metade do orçamento federal e o governo dito de esquerda se dedica a equilibrar as contas para atrair os especuladores.
Seria vergonhoso disputar a eleição com um pacote de promessas, ao mesmo tempo, de nada adiantaria substituí-lo por um pacote de promessas revolucionárias. O programa do PCO existe para orientar a luta da classe trabalhadora, não para ser adaptado ao que o sistema capitalista autoriza. A discussão sobre qual salário mínimo o País “poderia pagar” faz parte justamente desse tipo de adaptação.
Essa diferença aparece concretamente na composição das chapas do partido trotskista. Adriano Teixeira, cabeça de chapa ao governo do Paraná, segue exercendo o ofício de funileiro. Luiz Eugênio, metalúrgico de Volta Redonda, disputa o Senado pelo Rio de Janeiro. Em Santa Catarina, a candidatura é de um pedreiro, Brunno Andrade. Em Mato Grosso do Sul, a chapa ao governo e ao Senado é encabeçada por guaranis que estão na luta pelas retomadas. O PCO é o único partido a apresentar candidatos operários para os principais cargos, distinguindo os trabalhadores que continuam em atividade daquilo que a esquerda oficial costuma apresentar: a condição de operário como um capítulo da biografia encerrado há décadas.
São apenas 45 dias para discutir o destino de um País de 220 milhões de habitantes, com as emissoras de televisão escolhendo quais candidatos aparecem nos debates e nenhum tempo de televisão para quem incomoda. Some-se a isso a perseguição judicial movida pelo sionismo contra os que defendem a resistência palestina, o maior divisor de águas da política nacional e mundial.
Não se trata, portanto, de eleger ninguém. Trata-se de travar uma luta política nas ruas, com material distribuído de mão em mão e atuação na Internet, num momento em que o País discute seu destino. A corrente seguida pelos demais já demonstrou aonde leva. A campanha que se inicia existe para apontar a direção contrária.





