O artigo A Copa do Mundo entre a resistência do futebol e os interesses que tentam dominá-lo, assinado por André Valuche e publicado no sítio Esquerda Diário (ligado ao MRT – Movimento Revolucionário de Trabalhadores) nesta quarta-feira (1°) mostra uma esquerda repercutindo uma política moralista que vem agindo como uma verdadeira polícia de costumes.
Querer controlar a vida dos trabalhadores, o que estes devem fazer ou não, tem que passar longe das pretensões da esquerda.
O texto começa dizendo que “a Copa do Mundo, que deveria ser uma celebração do futebol, da cultura e da união entre povos, revela também contradições profundas. Para a classe trabalhadora e para o povo, esta edição carrega pelo menos duas marcas preocupantes: o avanço da extrema-direita sobre o espaço esportivo e o crescimento desenfreado das apostas, transformando o futebol em um grande negócio financeiro.”
De início, é preciso dizer que a direita “democrática” é que tem sido o problema, basta ver que o Estado genocida de “Israel” tem recebido total apoio financeiro e também político dessa gente. Na Europa, a perseguição a quem critica os crimes dos sionistas é violenta.
Segundo o autor, “o primeiro ponto é a forte presença da extrema-direita, expressa pelo trumpismo e por uma política de ataques às soberanias nacionais e às liberdades democráticas. A FIFA, ao permitir essa influência, acaba se rendendo a interesses políticos que utilizam o esporte como instrumento de disputa e controle.” No entanto, é preciso completar o raciocínio: Trump foi apoiado na sua agressão ao Irã por todos os democratas que, aliás, exigiram a guerra.
Política da direita
É sintomático que o MRT escreva que “o segundo grande problema é a presença massiva das chamadas bets, as empresas de apostas esportivas. A Copa do Mundo praticamente passou a ser tratada como uma vitrine da indústria da jogatina. Mais do que um campeonato esportivo, transforma-se em uma oportunidade de exploração econômica sobre milhões de torcedores.”
Está havendo uma mobilização do PSOL e do PT para defender os interesses dos bancos e da Rede Globo.
No final do mês de junho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan disse que o governo iria anunciar uma limitação de propaganda das casas de apostas (bets) nas transmissões da Copa do Mundo de 2026. Estas seriam tratadas como nos comerciais de cigarros e cerveja.
A coisa não ficou apenas no anúncio. No dia 29, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) que tem vínculo com o Ministério da Fazenda, abriu processo administrativo contra a Bet365, Betnacional e a KTO por terem anunciado durante as transmissões da CazéTV no YouTube.
A situação não parou por aí, as empresas podem ser multadas em até R$ 2 bilhões e terão dez dias úteis par se defenderem. Aqui, ninguém deve se deixar enganar, pois apesar das ações serem contra as empresas de apostas, a CazéTV também será afetada pois se trata de uma de suas principais, se não a principal, fonte de renda. Dependendo dos desdobramentos dessas ações, a empresa poderá ficar sem receita para manter as operações.
No dia 25 de junho, a deputada do PSOL-SP, Erika Hilton, acionou o MPF (Ministério Público Federal) contra a CazéTV, e o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar) fez com que as propagandas fossem interrompidas ao conceder liminar.
A Globo agradece
Ninguém estranha essa política da deputada do PSOL, que tradicionalmente utiliza o judiciário para tudo. Dentre os parlamentares de esquerda, muitos buscaram se mostrar preocupados com a propaganda das bets (com especial preocupação com a CazéTV) e apontando as apostas como o principal fator de endividamento do trabalhador, o que está longe de ser verdade.
Até mesmo a deputada sionista Tabata Amaral (PSB-SP), aderiu. Justamente ela, que recentemente apresentou um Projeto de Lei que objetiva censurar quaisquer denúncias ao sionismo e seus crimes cometidos contra os palestinos. Naturalmente, quem defende as ações sionistas não pode estar preocupada com os cidadãos.
O problema de fundo é que, pela primeira vez em décadas, a Rede Globo não possui o completo domínio da transmissão da Copa do Mundo, perdendo grande parte de sua audiência para a CazéTV, que transmitiu todos os jogos gratuitamente pelo YouTube, além desta ter adquirido o direito exclusivo para algumas partidas.
O monopólio
Toda essa movimentação é uma clara ação em nome da proteção do monopólio da transmissão esportiva.
Como já aconteceu em outros momentos da história, uma grande empresa recorre ao Estado para afastar a concorrência. Lembrando que a empresa em questão foi criada durante a ditadura militar.
A ironia desse caso é que a própria Globo transmite propaganda para as casas de apostas, além, é claro, do patrocío governamental e dos grandes bancos. O que causa estranheza é a esquerda parlamentar agindo como porta-voz dessa política, além de fazer demagogia com a questão das apostas.
Nada é dito a respeito da política de juros, taxas do cheque especial, empréstimo consignado, que mantêm o trabalhador endividado. Os bancos também são responsáveis pela drenagem de mais da metade do orçamento público.
Mais uma vez, temos setores da esquerda encampando campanhas lideradas pela direita. Prova de que a esquerda pequeno-burguesa é pautada pelo grande capital.




