No dia 6 de julho de 2026, o sociólogo direitista Demétrio Magnoli publicou no jornal O Globo o artigo Mais fuzis do que pás na Venezuela, atacando a resposta do governo venezuelano aos graves terremotos que atingiram o país no final de junho. Poucos dias antes, em 25 de junho de 2026, o sítio Esquerda Diário, braço de propaganda do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), já havia se antecipado com a declaração Terremoto na Venezuela: o abalo sísmico é imprevisível, a catástrofe social não.
O MRT, que se reivindica “revolucionário”, funciona na prática como uma correia de transmissão ideológica da direita golpista. Magnoli defende que o exército venezuelano é o inimigo a ser combatido em meio à tragédia, e o MRT atua como seu propagandista de esquerda, mascarando com jargões pseudo-marxistas a política desenhada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e reproduzida pela imprensa burguesa.
O ponto central que escancara o MRT como um papagaio da direita é a campanha histérica contra a atuação das Forças Armadas venezuelanas no socorro às vítimas do terremoto.
Demétrio Magnoli, escrevendo das páginas do maior monopólio de mídia do Brasil, destila o seu veneno imperialista ao citar um suposto voluntário:
“— Aqui, há mais fuzis que pás, irmão! — gritou um deles aos homens armados.”
E complementa com a análise de um suposto especialista antichavista:
“— Eles estão preparados para distúrbios sociais, não desastres naturais.”
Agora, veja como o MRT, fingindo fazer uma crítica “pela esquerda”, repete exatamente a mesma música, com a mesma partitura de Magnoli, em seu manifesto:
“A crescente participação das forças armadas na gestão da crise social expressa, além disso, um processo de militarização de funções civis… trata-se de uma forma de gestão da crise que desloca a organização social, comunitária e dos próprios trabalhadores organizados.”
Para ambos, a presença do exército venezuelano organizando a distribuição de alimentos e o resgate sob o estado de emergência não é uma necessidade logística diante de uma catástrofe, mas sim um plano malévolo de “militarização” e repressão. O
Para desmascarar o MRT, é preciso primeiro esmagar o argumento de seu mentor intelectual, Demétrio Magnoli. O colunista de O Globo chora lágrimas de crocodilo pelas vítimas venezuelanas para, logo em seguida, defender abertamente a intervenção estrangeira e aplaudir a agressão imperialista. Magnoli escreve com naturalidade colonial sobre o “sequestro de Maduro” ocorrido em março de 2026 e reclama que:
“A segurança da camarilha no poder, não o auxílio às vítimas dos terremotos, é a prioridade absoluta do governo.”
Magnoli esconde cinicamente que os “fuzis” que ele tanto odeia são os mesmos que impediram que a Venezuela fosse completamente retalhada e transformada em uma colônia aberta de Washington após a invasão recente. Ele exige que o exército venezuelano deponha as armas e use apenas “pás” no exato momento em que o país está cercado e agredido militarmente pelos EUA.
Dizer que as Forças Armadas bolivarianas “estão preparadas para distúrbios sociais, não desastres naturais” é uma mentira cavalar. O exército e as milícias populares são os únicos organismos com capacidade de transporte, engenharia e logística capazes de atuar em um país cujo Estado foi asfixiado por anos de bloqueio econômico. Magnoli quer desarmar a revolução sob o pretexto da ajuda humanitária.
Ao endossar a tese burguesa de que o problema da Venezuela é a “centralização” e o controle militar, o MRT protege o imperialismo norte-americano na hora em que o povo venezuelano mais precisa de solidariedade contra o bloqueio.
Enquanto Magnoli decreta que “o regime chavista dilapidou sistematicamente os bens públicos ao longo de anos”, o MRT faz coro e escreve que:
“…os impactos do desastre se concentram nos setores populares, ali onde a deterioração urbana, a crise dos serviços e a precarização das condições de vida vêm se acumulando há anos.”
Ambos apontam a metralhadora contra o mesmo alvo: o governo que resiste ao imperialismo. O MRT adota uma neutralidade covarde. Para eles, a fome, a falta de infraestrutura e a escassez de materiais médicos na Venezuela após o terremoto não são o resultado direto das sanções criminosas dos EUA que congelaram as contas do país e impediram a compra de insumos básicos; são culpa da “gestão chavista”.
O MRT, em vez de organizar os trabalhadores para combater essa ofensiva neocolonial, prefere gastar suas linhas atacando o decreto de estado de emergência de Delcy Rodríguez, alegando de forma infantil que a centralização dos recursos “abre uma disputa política de fundo: quem controla os recursos”.
O que o MRT queria? Que em meio a um terremoto de magnitude 7,5, com milhares de mortos e prédios colapsados, o governo venezuelano dissolvesse o comando centralizado e esperasse que “comitês locais espontâneos” criassem escavadeiras e hospitais de campanha do nada?
Essa postura demonstra a total indigência política de uma esquerda que, na ânsia de se diferenciar do nacionalismo burguês e do chavismo, capitula de braços dados com a direita imperialista.




