A 55ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR) teve, neste domingo (28), uma atividade especial de introdução à astronomia. Realizada em Sorocaba, no interior de São Paulo, a edição de inverno tem como curso principal A história do Irã e da República Islâmica, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência.
A palestra Reconhecimento do Céu: Uma Introdução à Astronomia foi apresentada pela professora Fernanda Ribeiro, professora de Física e doutora em ensino de ciências pela Universidade de São Paulo (USP). A exposição foi voltada ao público geral e não exigia conhecimento prévio dos participantes.
A atividade integrou a programação cultural e científica da Universidade de Férias, que reúne formação política, convivência coletiva e atividades de lazer. O local do acampamento, afastado da iluminação intensa das grandes cidades, permite a observação de estrelas, constelações e outros objetos celestes em melhores condições.
Utilizando um projetor, Fernanda iniciou a apresentação explicando o conceito de esfera celeste, uma representação imaginária do céu utilizada para localizar estrelas, constelações e outros corpos. Embora as estrelas estejam a distâncias muito diferentes da Terra, elas aparecem ao observador como se estivessem distribuídas em uma mesma superfície, o que facilita a orientação.
A professora explicou a relação entre o equador terrestre e o equador celeste, assim como entre os polos da Terra e os polos celestes. No hemisfério norte, destacou, a Estrela Polar pode ser usada para localizar o norte e determinar a latitude, pois sua altura em relação ao horizonte corresponde aproximadamente à latitude do observador.
No hemisfério sul, a orientação se dá de outra maneira. Como não há uma estrela brilhante equivalente à Estrela Polar, a localização do sul geográfico pode ser feita a partir do Cruzeiro do Sul. Ao prolongar cerca de quatro vezes e meia a haste maior da constelação, encontra-se a direção aproximada do polo sul celeste. Projetando esse ponto no horizonte, chega-se ao sul.
A professora também explicou como identificar corretamente o Cruzeiro do Sul, já que há outras formações no céu que podem confundir o observador. Para isso, indicou as chamadas estrelas apontadoras, Alfa e Beta Centauri, que ajudam a localizar a constelação.
Fernanda destacou a importância de Alfa Centauri, um sistema estelar que está entre os mais próximos da Terra depois do Sol. A partir desse exemplo, explicou que observar o céu é também observar o passado, pois a luz leva tempo para chegar até a Terra. A luz solar, por exemplo, demora cerca de oito minutos para alcançar o planeta.
A partir do Cruzeiro do Sul, foram apresentados objetos que podem ser vistos em um céu escuro. Entre eles estão as Nuvens de Magalhães, duas galáxias satélites da Via Láctea visíveis a olho nu em condições favoráveis. A professora explicou que, para vê-las, é necessário que o céu esteja bastante escuro e que os olhos estejam adaptados à pouca luz.
Outro objeto apresentado foi o Saco de Carvão, uma nebulosa escura próxima ao Cruzeiro do Sul. Fernanda explicou que nebulosas são nuvens de gás e poeira. No caso do Saco de Carvão, a nuvem bloqueia a luz das estrelas que estão atrás dela, formando uma região escura contra o fundo mais brilhante da Via Láctea.
Durante a atividade, os participantes receberam orientações práticas para usar uma carta celeste impressa. A professora explicou como posicionar a carta de acordo com os pontos cardeais e como utilizá-la para encontrar constelações, estrelas e objetos de céu profundo.
Fernanda também apresentou o programa Stellarium, ferramenta gratuita que permite simular o céu de qualquer local e data. Com o programa, os participantes puderam acompanhar a posição das constelações, das estrelas mais brilhantes e de objetos que poderiam ser procurados durante a observação.
Entre as constelações visíveis no período, a professora destacou Escorpião, uma das mais fáceis de reconhecer no céu de inverno. Ela apontou Antares, estrela supergigante vermelha conhecida como o coração do Escorpião, e explicou que a região próxima à constelação coincide com uma das áreas mais ricas da Via Láctea, onde se encontra o centro da galáxia.
A exposição também tratou da eclíptica, o caminho aparente do Sol no céu. Fernanda explicou que os planetas aparecem sempre próximos dessa linha, pois orbitam o Sol em planos relativamente próximos. Por isso, ao usar uma carta celeste, a linha da eclíptica ajuda a localizar planetas e constelações do zodíaco.
A professora apresentou ainda objetos de céu profundo que poderiam ser observados com auxílio de telescópio, como aglomerados de estrelas, nebulosas e galáxias. Explicou que, vistos por telescópios pequenos, esses objetos muitas vezes aparecem como pequenas manchas, exigindo paciência e adaptação dos olhos ao escuro.
Fernanda ressaltou que a observação astronômica exige prática. Não basta montar um telescópio e esperar ver imediatamente imagens semelhantes às produzidas por telescópios espaciais. O observador precisa aprender a localizar os objetos, reconhecer pequenas variações de brilho e se acostumar com a baixa luminosidade.
Ao final da exposição, os participantes puderam observar diretamente os astros por meio de um telescópio. A atividade marcou o segundo dia da 55ª Universidade de Férias, que segue até 5 de julho com o curso A história do Irã e da República Islâmica, atividades culturais, esportivas e convivência entre os participantes.
Os interessados ainda podem participar da Universidade de Férias. Para se inscrever, basta acessar o sítio da Universidade Marxista, em unimarxista.org.br, ou entrar em contato pelo telefone (11) 99741-0436.





