Nesta segunda-feira, dia 29 de junho, começa o tão esperado curso A história do Irã e da República Islâmica. A atividade faz parte da 55ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO), iniciada no dia 27 de junho, em Sorocaba, no interior de São Paulo. O curso também será transmitido pela Internet para aqueles que o adquiriram pela plataforma da Universidade Marxista.
O que mais chama a atenção nesse debate é, em primeiro lugar, o fato de o Irã estar no centro dos acontecimentos mundiais. O país se tornou a vanguarda da luta anti-imperialista, principalmente depois de sua vitória inquestionável sobre os Estados Unidos na guerra recente.
O Irã se mostrou tão forte no conflito que “Israel” foi completamente excluído da negociação. O governo iraniano não apenas não precisou fazer concessões, como saiu fortalecido. O país garantiu o direito de cobrar pedágio sobre o Estreito de Ormuz e impôs o fim da guerra em todas as frentes, com destaque para o Líbano.
Esse é o primeiro aspecto que torna o curso tão importante. No entanto, há outro ponto ainda mais decisivo: a história da Revolução Islâmica nunca foi debatida seriamente no Brasil de um ponto de vista marxista e revolucionário.
Do lado da direita, o que existe é uma campanha reacionária contra o Irã pelo fato de o país enfrentar os Estados Unidos. Trata-se de uma campanha caluniosa, difamatória e podre, que impede uma discussão honesta sobre o que aconteceu naquele país.
Do lado da esquerda, a incompreensão também é quase total por causa do identitarismo. A esquerda pequeno-burguesa, em sua maior parte, é favorável à derrubada do regime revolucionário iraniano. Defende, na prática, o fim do regime e se alinha ao imperialismo em quase todas as suas investidas contra o Irã.
Essa esquerda não se alinhou abertamente à guerra imperialista porque isso seria demasiado escancarado. No entanto, apoiou todas as tentativas de revoluções coloridas, toda a campanha contra a “teocracia iraniana” e todas as falsificações usadas contra a República Islâmica.
A acusação de “teocracia” é uma calúnia completa. O Irã é uma República Islâmica, não uma teocracia. Essa diferença é fundamental para entender o regime surgido da revolução e o papel que ele passou a cumprir na luta contra o imperialismo.
O curso permite justamente desvendar o que de fato aconteceu no Irã e estudar fenômenos fundamentais para o marxismo. Um deles é o nacionalismo burguês. O Irã é talvez o caso mais radical desse fenômeno estudado por Leon Trótski.
No caso iraniano, o xiismo aparece como uma forma ideológica de organizar e expressar a tendência de luta da nação persa contra o imperialismo. O clero xiita acaba funcionando, no desenvolvimento concreto da Revolução Iraniana, como uma espécie de partido revolucionário.
Os líderes xiitas aparecem, nesse processo, como dirigentes revolucionários. O Conselho Islâmico da Revolução cumpre o papel de um conselho revolucionário. Seu líder é um dirigente revolucionário, responsável por organizar e dirigir uma revolução política e econômica contra as tendências reacionárias e pró-imperialistas existentes no país.
É justamente isso que torna o curso imperdível. Ele permite estudar elementos fundamentais do marxismo que muitas vezes são ignorados ou mal compreendidos no Brasil. A Revolução Iraniana é um acontecimento decisivo da história contemporânea e sua compreensão é indispensável para entender a luta anti-imperialista atual.




