Isaias Filho

Membro da Direção Nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Coluna

A imprensa não engole a Seleção Brasileira

Não há nenhuma razão séria para apresentar o Brasil como uma equipe praticamente sem possibilidade de disputar o título

Segundo a imprensa brasileira, que de nacional não tem nada, o Brasil teria chances remotíssimas de chegar às fases finais da Copa do Mundo, quanto mais de ser campeão. A cobertura da primeira fase do Mundial deixou isso bastante claro.

Essa posição é absurda. A seleção brasileira tem vários dos melhores jogadores do mundo. Não há nenhuma razão séria para apresentar o Brasil como uma equipe praticamente sem possibilidade de disputar o título. O que existe é uma campanha contra o futebol nacional, algo que a imprensa brasileira faz há muitos anos.

O Brasil começou a Copa com problemas, o que era absolutamente natural. O último ciclo de preparação foi caótico, marcado por trocas de treinadores, falta de continuidade e instabilidade no trabalho. Nessas condições, era esperado que a seleção entrasse no torneio ainda buscando um melhor funcionamento.

No entanto, os jogos seguintes mostraram uma evolução clara do time. A seleção foi se ajustando, corrigindo problemas e apresentando um futebol melhor. A tendência é que esse processo continue até as fases finais da Copa, quando as grandes seleções costumam atingir seu melhor nível.

Por isso, ao contrário do que diz a imprensa, o Brasil tem toda condição de disputar o título. É um dos favoritos, sem dúvida nenhuma. As demais seleções também não apresentaram nada extraordinário. Não há, portanto, nenhuma base concreta para o pessimismo extremo em relação à seleção brasileira.

O que explica essa campanha é o traço fundamental da imprensa brasileira: ela é vendida e defende interesses estrangeiros. No futebol, isso aparece de maneira muito clara. A imprensa trata a seleção brasileira como se fosse inferior às equipes europeias e tenta convencer o público de que o futebol nacional já não tem força para vencer.

A diferença de tratamento entre Neymar e Messi é mais uma expressão desse mesmo fenômeno. Neymar é o principal jogador brasileiro, o principal jogador da seleção e, de certa maneira, quem personifica o futebol brasileiro há cerca de 15 anos. Por isso mesmo, é atacado de maneira permanente.

Messi, por outro lado, é tratado como o grande queridinho da imprensa. Ele aparece como o antagonista de Neymar, como o jogador usado para colocar o futebol brasileiro em segundo plano. A comparação entre os dois sempre serviu para rebaixar Neymar e, junto com ele, a própria seleção brasileira.

A cobertura da primeira fase da Copa mostra que a imprensa brasileira não torce pelo Brasil. Ela torce contra. Seu pessimismo não tem base no futebol apresentado pelas seleções. Tem base em uma posição política contra o futebol nacional e contra tudo o que ele representa.

A seleção brasileira pode ter problemas, como qualquer equipe. Mas é uma das maiores forças do futebol mundial e segue como uma das candidatas ao título. O que a imprensa não aceita é justamente isso: que o Brasil continue sendo Brasil.

* A opinião dos colunistasnão reflete, necessariamente, a deste Diário

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