A reunião do governo Lula, chefiado naquele momento por Geraldo Alckmin, presidente em exercício, com representantes do sionismo no Brasil, é mais uma capitulação diante do lobby sionista.
O encontro foi apresentado pelo governo como uma iniciativa inédita para discutir o combate ao antissemitismo. Participaram, pelo governo, Geraldo Alckmin, presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais; Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania; Esther Dweck, ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos; Maria Laura, ministra substituta das Relações Exteriores, e Clara Ant, da Presidência da República. O problema, portanto, não está apenas no golpista Alckmin, mas em uma orientação geral do governo diante da pressão dos setores que defendem “Israel” no Brasil.
Desde a intensificação do genocídio em Gaza, a partir de 7 de outubro, o lobby sionista tem agido para empurrar o governo brasileiro cada vez mais para longe da defesa da Palestina. Seu objetivo é impedir que o Brasil adote uma posição efetiva contra o genocídio perpetrado por “Israel” e fazer com que o Estado brasileiro atue segundo os interesses do sionismo.
O Instituo Brasil-Palestina (Ibraspal) já denunciou vários casos em que a Polícia Federal atuou sob orientação direta do Mossad e de outros serviços de inteligência estrangeiros para impedir a entrada de palestinos no Brasil. Isso ocorreu independentemente de filiação partidária, orientação política ou mesmo da situação humanitária dessas pessoas.
Um dos casos mais evidentes foi o do dr. Muslim Abuumar, impedido de entrar no País por ação da Polícia Federal, a mando do Mossad. Um dos principais problemas do Brasil é justamente a infiltração de serviços de inteligência estrangeiros em órgãos como a Polícia Federal. Ao abaixar a cabeça para o grupo de pressão sionista, o governo permite que um Estado estrangeiro interfira no funcionamento do Estado brasileiro. Isso não atende aos interesses do povo brasileiro, mas aos interesses desse Estado e das forças políticas que ele representa.
Nesse sentido, trata-se de uma ação de lesa-pátria. É uma agressão à soberania nacional. Quem se reúne com os sionistas para ceder às suas pressões não tem autoridade política para chamar Eduardo Bolsonaro de traidor da Pátria. O caso é ainda mais grave porque envolve o próprio funcionamento do Estado brasileiro e sua submissão a uma potência estrangeira e a seus agentes.
Ao mesmo tempo em que o governo dispõe do seu tempo, inclusive o do presidente em exercício, para se reunir com figuras que defendem e promovem o genocídio em Gaza, ele não comparece de maneira séria às atividades convocadas para discutir a situação dos palestinos barrados no Brasil.
Foi o que ocorreu na audiência pública promovida na Câmara dos Deputados, junto com o deputado Daniel, do PT, para discutir justamente o bloqueio à entrada de palestinos no País. Na ocasião, foram feitos convites formais ao Ministério das Relações Exteriores, ao governo e à Polícia Federal.
Os representantes do governo e do ministério compareceram, fizeram discursos genéricos e sequer permaneceram para responder às perguntas dos presentes. A atitude da Polícia Federal foi ainda pior: nem mesmo enviou um representante para o evento, que era uma atividade oficial do Legislativo e, portanto, uma ocasião para prestar contas à sociedade brasileira.
Esse contraste revela a orientação do governo. Para receber representantes do sionismo, há disposição e tempo, até mesmo do presidente em exercício. Para responder às denúncias de perseguição contra palestinos, bloqueados na entrada do Brasil por influência de serviços estrangeiros, o governo se limita a evasivas ou ao silêncio.
A questão palestina não é um assunto secundário. O genocídio em Gaza é um dos maiores crimes políticos da atualidade. O governo brasileiro não pode, de um lado, fazer declarações formais em defesa do povo palestino e, de outro, aceitar que o sionismo dite a política do Estado brasileiro em relação aos palestinos que buscam entrada no País.




