Eleições 2026

Ciro Gomes promete parceria com Mossad caso eleito

Ex-ministro, que se vendeu por anos como nacionalista, disse à Veja que pretende procurar “Israel” para treinar forças de segurança no Ceará

Ciro Gomes declarou que, caso seja eleito governador do Ceará, pretende procurar “Israel” para administrar a política de segurança pública do estado. A declaração foi feita em entrevista à revista Veja, publicada em 19 de junho, na qual o ex-ministro também afirmou que pretende utilizar tecnologia norte-americana na área de inteligência e que, no caso israelense, já havia recorrido a esse tipo de colaboração quando governou o Ceará entre 1991 e 1994.

Perguntado sobre o papel da polícia em um eventual governo, Ciro respondeu:

“Não me interessa muito entrar em favela atirando a esmo e matando gente inocente a pretexto de pegar bandido. Vamos fazer cirurgicamente a caça do dinheiro e dos chefões a partir de níveis intermediários e vou procurar Israel, porque já no meu primeiro governo, quando governei o Ceará, mandei gente treinar lá e me dei muito bem.”

A declaração é uma confissão política. Ciro Gomes, que durante anos tentou se apresentar como nacionalista, sucessor de Leonel Brizola e crítico da submissão do Brasil aos interesses estrangeiros, anuncia que pretende recorrer ao Estado de “Israel”, isto é, a um dos principais aparelhos militares e de espionagem do imperialismo no mundo, para formar quadros da segurança pública brasileira.

A referência à “inteligência” e ao treinamento em “Israel” remete diretamente aos órgãos de espionagem e repressão do Estado sionista, entre eles o Mossad, mundialmente conhecido por operações clandestinas, assassinatos políticos, perseguição a opositores e colaboração com regimes alinhados aos Estados Unidos. Não se trata de uma colaboração qualquer. “Israel” é hoje o principal instrumento militar do imperialismo no Oriente Próximo, responsável por uma guerra de extermínio contra o povo palestino e por agressões permanentes contra o Líbano, a Síria, o Irã e outros países da região.

A fala de Ciro Gomes desmonta uma farsa cultivada durante anos. Muitos votaram nele acreditando que se tratava de uma alternativa de esquerda ao PT, um político nacionalista, ligado à tradição trabalhista de Brizola, defensor da soberania nacional. O próprio Ciro alimentou essa imagem em sucessivas eleições presidenciais, apresentando-se como crítico da política econômica dos governos do PT e como alguém capaz de defender o Brasil contra os interesses estrangeiros.

No entanto, não há nada mais contrário à soberania nacional do que entregar a política de segurança pública de um estado brasileiro à colaboração com “Israel”. A experiência israelense na área de segurança não tem relação com a defesa da população. Trata-se de um aparato de ocupação militar, repressão colonial, espionagem, perseguição política e controle de uma população submetida à violência permanente.

Ciro diz criticar o PT por não defender o Brasil. Ao mesmo tempo, promete se apoiar em “Israel” e nos Estados Unidos para montar sua política de segurança. Na mesma entrevista, ele afirmou que pretende criar comandos com “tecnologia dos Estados Unidos, especialmente de inteligência”. Ou seja, o ex-ministro critica o governo Lula e o PT em nome de uma suposta defesa nacional, mas apresenta como solução entregar áreas sensíveis do Estado brasileiro à cooperação com duas potências diretamente responsáveis por golpes, guerras, espionagem e intervenções contra países atrasados.

Ciro nunca representou um movimento popular real. Seu discurso de esquerda sempre teve caráter eleitoral. Tratava-se de uma demagogia destinada a atrair setores descontentes com o PT, principalmente camadas da pequena burguesia que buscavam uma alternativa supostamente nacionalista.

Sua trajetória, no entanto, sempre mostrou outra coisa. Ciro iniciou a carreira no PDS, partido herdeiro da ARENA, organização da ditadura militar. Sua ascensão política no Ceará esteve ligada ao grupo de Tasso Jereissati, um dos principais representantes da direita burguesa no estado. Mais tarde, passou por diferentes partidos, sempre de acordo com as necessidades de sua carreira pessoal.

A filiação ao PSDB, partido central da direita neoliberal no Brasil, revelou de maneira ainda mais aberta o caráter de sua política. Em 2026, Ciro voltou a se aproximar dos tucanos. Na entrevista à Veja, afirmou que vota em Aécio Neves, apresentado como pré-candidato do PSDB à Presidência. O mesmo Aécio que foi derrotado por Dilma Rousseff em 2014 e que teve papel decisivo na ofensiva golpista que abriu caminho para o impeachment.

Ciro também manteve vínculos com setores diretos da burguesia golpista. Durante a crise do golpe contra Dilma Rousseff, atuava profissionalmente no grupo de Benjamin Steinbruch, capitalista ligado à Companhia Siderúrgica Nacional.

A destruição da Gurgel também pesa em sua história política. Como ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, Ciro integrou o governo no período em que a empresa, uma tentativa de desenvolver uma indústria automobilística nacional, foi deixada à própria sorte.

Na entrevista, Ciro Gomes procurou se apresentar como adversário simultâneo de Lula e Bolsonaro. Disse que “tirando a estética, os dois são rigorosamente iguais”. O ataque ao PT ocupa boa parte de sua intervenção. Ciro chamou o arcabouço fiscal de “mentira”, disse que o governo Lula pratica “truque contábil”, afirmou que a entrega do governo é “nula” e declarou que “o PT não tem moralidade nem decência nenhuma”. Também acusou o PT no Ceará de receber dinheiro de facção e disse que pretende “libertar” o estado do partido.

Apesar de toda a retórica, Ciro, além de sionista, não rompe com a direita responsável pelos crimes econômicos citados por ele próprio. Questionado sobre o apoio do PL no Ceará, tentou separar a aliança estadual da disputa nacional. Afirmou que sua divergência nacional com o PL é “insuperável” e descartou apoiar Flávio Bolsonaro, mas admitiu a negociação regional.

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