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Plantão Irã: EUA pagam o preço da derrota para o Irã

Programa destacou recuo norte-americano diante do Irã e tentativa de “Israel” de sabotar cessar-fogo no Líbano

O Plantão Irã tratou nesta terça-feira (23) dos novos desdobramentos das negociações entre Irã e EUA. O programa também discutiu a perseguição contra apoiadores da Palestina, o relatório da ONU sobre os crimes de “Israel” em Gaza e a situação no Líbano.

Com a participação de Pedro Burlamaqui e Victor Assis, a edição destacou que a devolução de US$12 bilhões em fundos iranianos bloqueados pelos EUA representa mais uma derrota do imperialismo diante da República Islâmica. O valor deve ser liberado em duas parcelas de US$6 bilhões, com participação do Catar.

Burlamaqui lembrou que, após a rodada realizada na Suíça, os EUA aceitaram suspender as sanções contra o petróleo iraniano, medida prevista no memorando de entendimento assinado na semana anterior. Em seguida, foi confirmada a devolução dos fundos pertencentes ao Irã.

O programa também abordou a ofensiva diplomática iraniana na região. A delegação do Irã foi ao Omã para discutir a gestão do Estreito de Ormuz. Os dois países acertaram a formação de um comitê conjunto para tratar das taxas, da navegação e dos serviços ligados ao estreito.

Outra viagem destacada foi a do presidente Massud Pezeshkian ao Paquistão, país que exerceu papel de mediador nas negociações entre Irã e EUA. Durante a visita, Pezeshkian afirmou que a República Islâmica não abre mão de sua defesa.

“Jamais negociaremos com quem quer que seja sobre nossas capacidades de defesa. Se não tivéssemos construído os mísseis necessários para nos defender, ‘Israel’ e os EUA teriam tratado o Irã como trataram Gaza, sem demonstrar misericórdia, nem para com os idosos, nem para com os jovens”, disse o presidente iraniano, de acordo com a citação feita no programa.

Para Assis, as medidas mostram que os EUA foram obrigados a recuar.

“Com os primeiros passos que estão sendo dados após o acordo de cessar-fogo, fica ainda mais claro, mais incontestável, que quem venceu a guerra foi o Irã, e com uma vantagem muito grande. Primeiro, tivemos a abertura do Estreito de Ormuz, a liberação do Estreito de Ormuz por parte dos EUA. Isso já deu o recado de que os EUA abriram mão de tentar controlar uma parte do mundo. Em si, já é uma capitulação, porque, para o imperialismo, qualquer parte do mundo pertence a ele.”

O comentarista também apontou a importância da retirada das sanções. Para ele, esse tipo de medida é um instrumento fundamental do imperialismo contra os países atrasados.

“As sanções sempre foram um mecanismo do imperialismo para asfixiar economicamente os países atrasados. Dito de outro modo, não fossem as sanções, os países atrasados teriam condições de se desenvolver muito mais rapidamente e, assim, impor mais barreiras à dominação imperialista. O imperialismo necessita das sanções para sobreviver.”

Assis afirmou ainda que a devolução dos fundos bloqueados atinge outro mecanismo de pressão do imperialismo.

“Agora tem a devolução do roubo, dos US$12 bilhões tomados pelos EUA. Também é uma capitulação que se assemelha à questão das sanções. Uma das primeiras iniciativas do imperialismo com a guerra da Ucrânia foi congelar ativos russos. Então, devolver os ativos congelados é devolver parte da capacidade do imperialismo de pressionar os países. É uma derrota muito grande, uma derrota como nunca vimos na história dos EUA.”

O programa também tratou da situação no Líbano. Burlamaqui informou que duas pessoas foram assassinadas e uma terceira ficou ferida após serem atingidas por forças israelenses no sul do país. Segundo a exposição feita no programa, os dois jovens trabalhavam perto de escavadeiras usadas para abrir uma estrada bloqueada por escombros dos bombardeios sionistas.

Esta foi a primeira violação do cessar-fogo, desde o anúncio ligado ao memorando de entendimento, que resultou em vítimas fatais. O acordo prevê o cessar-fogo total no Líbano e a retirada das tropas israelenses.

Ao mesmo tempo, o governo libanês mantém negociações com “Israel” nos EUA, sem a participação do Hesbolá. Para Assis, o governo de Joseph Aoun atua cada vez mais subordinado ao imperialismo.

“O governo libanês, presidido por Joseph Aoun, vai colaborar com o Estado de ‘Israel’ na medida em que for do interesse do imperialismo. ‘Israel’ não tem essa independência política, nem tem condições de sequer aspirar a isso. O governo libanês sabe muito bem. Tanto é assim que as conversas entre o Líbano e o Estado de ‘Israel’ têm sido intermediadas pelos próprios EUA e as principais conversas ocorreram nos EUA.”

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