João Pedro Stedile, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), denunciou o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba em artigo publicado no Brasil, na segunda-feira (22). O texto relaciona a crise energética, alimentar e sanitária da ilha ao cerco econômico e afirma que a defesa da soberania cubana é parte da defesa de toda a América Latina diante da pressão do imperialismo norte-americano.
A denúncia parte da duração do bloqueio: mais de 60 anos de perseguição contra Cuba sem guerra formal entre os dois países. Stedile aponta que governos democratas e republicanos disputaram formas de pressão contra a ilha, ora de maneira aberta, ora de forma indireta. Entre as medidas citadas estão restrições ao comércio, proibição de uso do dólar em operações financeiras, controle de remessas enviadas por familiares que vivem nos Estados Unidos e ameaças contra autoridades cubanas.
O dirigente também associa a crise recente ao endurecimento das sanções. Uma das medidas destacadas é a punição a turistas que viajem a Cuba, retirando a isenção de visto de entrada nos Estados Unidos para determinados visitantes. O efeito recai sobre um setor vital para a entrada de divisas. Outro ponto é a pressão para dificultar a logística do fornecimento de petróleo por Venezuela e México, o que atinge diretamente o abastecimento de energia elétrica e as condições de plantio e colheita de alimentos.
Stedile afirma que a radicalização do bloqueio dificulta a vida cotidiana da população cubana, com impacto sobre energia, alimentos, medicamentos e uso de recursos enviados por parentes. Ele também critica o indiciamento do general e ex-presidente Raúl Castro por episódio de 1996, quando duas aeronaves clandestinas saídas de Miami foram abatidas.
O texto lembra que a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) vota desde 1992 pela suspensão do bloqueio. No ano passado, apenas sete países votaram contra a resolução: Estados Unidos, “Israel”, Ucrânia, Argentina, Paraguai, Costa Rica e Equador, além de 12 abstenções. Para Stedile, a insistência dos Estados Unidos contra Cuba tem razões políticas e ideológicas, pois a ilha mostra a possibilidade de um caminho soberano próximo ao território norte-americano.
A conclusão é um chamado à ação. O dirigente defende que governos, partidos e forças populares aumentem a solidariedade material e política a Cuba. Ele cobra do governo brasileiro o envio de alimentos e combustíveis e lembra a formação de mais de mil médicos na Escola Latino-Americana de Medicina, além da atuação de profissionais cubanos em comunidades pobres no Brasil, na África durante a epidemia de ebola e na Itália durante a pandemia de covid-19.



