Morreu neste domingo (21), em Cuba, Ramiro Valdés Menéndez, comandante histórico da Revolução Cubana e uma das figuras fundamentais da geração que levou à derrota da ditadura pró-imperialista de Fulgencio Batista. A morte do dirigente foi recebida com homenagens das instituições cubanas e de amplos setores da população, que o reconhecem como um dos combatentes mais importantes da luta pela independência nacional do país.
Valdés pertenceu ao núcleo que, ao lado de Fidel Castro, Raúl Castro, Ernesto Che Guevara e outros revolucionários, organizou a luta armada contra a ditadura sustentada pelo imperialismo norte-americano nos anos 1950. Sua trajetória esteve ligada desde o início ao Programa do Moncada, que apresentava uma saída nacionalista e popular para Cuba, então submetida à condição de colônia dos EUA.
Do Moncada à Sierra Maestra
Ramiro Valdés participou do ataque ao Quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, uma das principais ações políticas e militares da história cubana. O episódio, embora derrotado militarmente, deu origem ao Movimento 26 de Julho e marcou o início de uma nova etapa da luta revolucionária no país.
Após o Moncada, Valdés voltou a integrar a linha de frente da organização revolucionária. Em 1956, participou da expedição do iate Granma, que levou o grupo comandado por Fidel Castro do México a Cuba para iniciar a guerrilha contra Batista. Daquele núcleo sairia o Exército Rebelde, que, a partir da Sierra Maestra, organizou a resistência armada e política contra o regime.
Nos combates, Valdés destacou-se por sua disciplina militar e por sua capacidade de organização. Tornou-se comandante do Exército Rebelde e atuou como segundo chefe da Coluna Invasora nº 8 Ciro Redondo, dirigida por Che Guevara. Ao lado de Che, participou da batalha de Santa Clara, uma das ações decisivas para a queda de Batista e para o triunfo revolucionário de 1º de janeiro de 1959.
A queda de Batista foi uma das maiores derrotas do imperialismo norte-americano no continente. Cuba deixou de ser um país controlado diretamente pelos interesses dos EUA e passou a ocupar um lugar central na luta dos povos oprimidos da América Latina.
Um dirigente da Revolução
Depois da vitória revolucionária, Ramiro Valdés ocupou funções importantes no Estado cubano, principalmente nas áreas de segurança, defesa e organização do governo. Durante décadas, permaneceu como uma das figuras da direção histórica da Revolução Cubana.
Sua trajetória esteve ligada à defesa da soberania de Cuba contra as agressões dos EUA. Desde 1959, o país enfrenta sabotagens, tentativas de invasão, atentados, pressões diplomáticas e o bloqueio econômico imposto pelo imperialismo norte-americano.
O governo cubano destacou a disciplina e a dedicação de Valdés à Revolução. Sua morte ocorre em um momento em que Cuba continua resistindo ao bloqueio e à campanha permanente dos EUA contra o regime surgido da revolução de 1959.
Díaz-Canel presta homenagem
O presidente Miguel Díaz-Canel lamentou a morte de Valdés e afirmou que a perda do comandante provocava uma dor profunda, semelhante à perda de um pai. Díaz-Canel destacou a disciplina militar, a discrição e os conselhos do dirigente histórico.
O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, também homenageou Valdés. Ele lembrou sua participação no Moncada, no Granma e na Sierra Maestra, além de sua lealdade a Fidel Castro e Raúl Castro.
Com a morte de Ramiro Valdés, Cuba perde um dos últimos comandantes da geração que fez a Revolução.





