A Alternativa para a Alemanha (AfD) foi alvo de 121 ataques violentos contra políticos na Alemanha em 2025, segundo dados do governo federal. O número representa quase dois terços dos ataques violentos registrados contra políticos no país e supera, com folga, os casos contra os demais grandes partidos somados.
Os dados foram apresentados após questionamento do deputado Martin Hess, da própria AfD. Além dos ataques violentos, o total de crimes politicamente motivados contra o partido passou de 1.800 em 2025, incluindo delitos sem violência. A AfD também apareceu como o alvo mais frequente de infrações políticas não violentas.
De acordo com os dados governamentais, cerca de 60% dos crimes violentos politicamente motivados teriam sido cometidos por suspeitos de tidos como de esquerda, enquanto 11% foram atribuídos a suspeitos de direita. Ainda que não fique claro o que o governo considera “de esquerda”, não há dúvidas de que o caso será utilizado para perseguir as organizações ligadas ao movimento operário.
A União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz, apareceu como o segundo maior alvo de crimes politicamente motivados, com 1.171 registros. O número mais que dobrou em relação a 2024, quando foram 420 casos. A diferença central é que, contra a CDU, apenas 12 crimes foram violentos, enquanto a AfD concentrou 121 ataques violentos.
Hess, ex-policial e deputado da AfD, atribuiu o crescimento das agressões a uma campanha prolongada de difamação contra seu partido. O governo, por outro lado, afirmou não ver indicação de que os ataques contra a AfD tenham sido planejados de forma sistemática.
A AfD defende plataforma anti-imigração e se opõe às sanções europeias contra a Rússia. O partido enfrenta boicote de legendas tradicionais e é acusado por opositores de ser incompatível com a “ordem constitucional alemã”. Ainda assim, a AfD ultrapassou a CDU em apoio popular, tornando-se a sigla mais popular do país.




