A última partida do craque Neymar Jr. antes da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo terminou da maneira mais caótica possível: com derrota do Santos, confusão de arbitragem, vaias, ambulância em campo e o camisa 10 tirado do jogo por um erro que transformou um domingo de futebol em cena rara até para o Campeonato Brasileiro.
O Santos perdeu por 3 a 0 para o Coritiba, neste domingo (17), na Neo Química Arena, em São Paulo, pela 16ª rodada do Brasileirão. O Coxa venceu com dois gols de Breno Lopes e um de Josué, de pênalti. O resultado levou o time paranaense a 23 pontos, na parte de cima da tabela, e deixou o Santos com 18, na 16ª colocação, a apenas um ponto da zona de rebaixamento.
Mas o jogo já carregava um peso maior antes mesmo de a bola rolar. Era a última apresentação de Neymar antes da lista de Carlo Ancelotti para a Copa. Diante de 45.360 torcedores, o camisa 10 foi ovacionado e se emocionou durante o hino nacional.
O Coritiba, porém, não entrou em campo para participar da festa. Entrou para acabar com ela.
Aos cinco minutos, Josué lançou Breno Lopes, que disparou nas costas da defesa santista e bateu na saída de Gabriel Brazão. Aos 19, Pedro Rocha fez grande jogada individual, passou por dois marcadores e rolou para Breno Lopes empurrar para a rede. O terceiro veio aos 35, em pênalti cometido por Escobar sobre o próprio Breno Lopes. Josué cobrou no canto direito e ampliou.
Em 35 minutos, o Coritiba havia resolvido a partida. O Santos, nervoso, desorganizado e pressionado pela arquibancada, tentou responder. Neymar finalizou de fora, buscou o jogo, sofreu faltas, tentou participar das poucas construções ofensivas. Antes do intervalo, Pedro Rangel ainda fez duas defesas importantes, em chutes de Escobar e Neymar. No rebote, Rollheiser mandou para fora.
Não foi uma grande atuação do camisa 10. Também não foi, como parte da imprensa apressada gosta de vender, uma sentença definitiva sobre sua condição de jogar a Copa. Neymar disputou 65 minutos, vinha de uma cirurgia no menisco no fim do ano anterior, retornou em fevereiro, foi poupado em alguns jogos por controle de carga e chegou à partida com seis gols e quatro assistências em 15 apresentações na temporada.
O segundo tempo começou ainda mais tenso. Breno Lopes tentou tirar Neymar de perto do árbitro com um empurrão, e os jogadores discutiram. Aos sete minutos, Luan Peres levou uma bolada na cabeça após chute de Lucas Taverna e caiu desacordado. A ambulância entrou no gramado. O zagueiro ainda tentou continuar, mas foi convencido pelo médico do Santos, por Gabigol e por Neymar a deixar a partida. João Ananias entrou.
Pouco depois, Neymar sentiu a panturrilha direita. Abaixou o meião, levou a mão ao local, recebeu atendimento, massagem e spray. O jogo já estava praticamente perdido, e o próprio jogador explicou depois que chegou a pedir para sair por precaução, após uma pancada sofrida no primeiro tempo. Segundo ele, porém, Escobar também sentiu problema físico, e a decisão mudou: o camisa 10 ficaria; quem sairia seria o lateral.
Foi aí que aconteceu o lance que marcou o jogo.
O quarto árbitro levantou a placa indicando a saída de Neymar, camisa 10, para a entrada de Robinho Jr. O problema, segundo o Santos, segundo César Sampaio e segundo o próprio Neymar, é que a substituição correta era a saída de Escobar, camisa 31. O atacante percebeu a confusão, tentou voltar ao gramado, foi impedido e recebeu cartão amarelo por reclamação.
Neymar pegou o papel da substituição, mostrou a numeração, tentou argumentar e repetiu, irritado: “uma vergonha”. A partida foi reiniciada sem ele. Uma vez efetivada a alteração, a arbitragem não voltou atrás.
Depois do jogo, Neymar deu sua versão. Disse que pediu para sair inicialmente, mas que, diante da situação de Escobar, avisou que conseguiria permanecer. “Eu não sabia que tinha sido substituído, eu não tinha visto a placa”, afirmou. Segundo o jogador, o quarto árbitro teria dito que “o que vale na regra é o que está no papel”. Neymar então mostrou o papel e cobrou a aplicação do mesmo critério. “É um erro que prejudica um time, não pode acontecer de jeito nenhum”, disse.
César Sampaio, auxiliar do Santos, confirmou que a substituição solicitada era de Juninho por Escobar, “o 7 pelo 31”, e que o quarto árbitro estava com o papel na mão.
A súmula da arbitragem apresentou outra versão. Segundo o relato, o quarto árbitro Bruno Mota Correia teria sido informado verbalmente por César Sampaio de que a substituição seria a saída de Neymar, e teria recebido confirmação verbal e gestual antes de levantar a placa. Ainda de acordo com a súmula, só depois da substituição concluída o auxiliar teria entregue papeleta com numeração diferente.



