O chefe do bloco Lealdade à Resistência no Parlamento libanês, Mohammad Raad, reafirmou, na sexta-feira (24), a oposição do Hesbolá a negociações diretas entre o Líbano e a ocupação israelense. O parlamentar denunciou qualquer cessar-fogo que dê à entidade sionista liberdade para continuar seus ataques contra o território libanês.
Em declaração, Raad afirmou que uma trégua que permita ações militares israelenses dentro do Líbano não pode ser tratada como cessar-fogo.
“Qualquer suposto cessar-fogo que conceda ao inimigo ocupante no Líbano uma exceção especial para abrir fogo ou realizar qualquer movimento ou ação de campo nas zonas de confronto e dentro do território libanês, seja para fortificar uma posição, plantar explosivos, realizar um assassinato, destruir uma casa ou instalação, arrasar terras ou atos semelhantes, não é cessar-fogo algum”, disse Raad.
Segundo o deputado, um acordo desse tipo serve apenas para encobrir a agressão israelense. Ele afirmou que a proposta representa “uma manobra enganosa e uma tentativa de iludir os outros”, ao ocultar os ataques de “Israel” e ignorar as violações cometidas pela ocupação.
Raad também condenou as negociações diretas com “Israel”, realizadas sob pressão dos Estados Unidos. Para o chefe do bloco parlamentar do Hesbolá, o governo libanês deve abandonar esse caminho.
“As autoridades deveriam se envergonhar diante de seu povo e retirar-se das negociações diretas com o inimigo sionista”, afirmou Raad.
O parlamentar alertou que insistir nesse caminho representa “um erro grave”, capaz de colocar o Líbano em uma situação ainda pior do que a provocada pelo acordo de 17 de maio, firmado no início da década de 1980. O acordo, assinado após a invasão israelense do Líbano em 1982, foi amplamente rejeitado no país e acabou derrubado pela resistência nacional.
Raad afirmou ainda que qualquer comunicação oficial ou encontro entre uma parte libanesa e uma parte israelense, durante a guerra contra o Líbano, não recebe consenso nacional e constitui uma violação constitucional clara, sem justificativa possível.
Outro deputado do bloco Lealdade à Resistência, Ali Fayyad, também rejeitou o chamado cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos. Segundo ele, não existe trégua real enquanto “Israel” continua bombardeando, assassinando e destruindo cidades libanesas na fronteira.
“Um cessar-fogo não tem significado enquanto ‘Israel’ persiste em ações hostis, assassinatos, bombardeios e tiros, e continua sua campanha destrutiva contra as cidades fronteiriças, insistindo na liberdade de movimento”, disse Fayyad.
O parlamentar afirmou que “Israel” e os Estados Unidos tentam restaurar, em forma ainda pior, a situação anterior a 2 de março, usando a proposta de cessar-fogo para justificar negociações diretas entre o governo libanês e a entidade sionista. Fayyad destacou que a Resistência rejeita e enfrenta o plano norte-americano de impor ao Líbano uma trégua sem qualquer obrigação para “Israel”.
Fayyad também reafirmou o direito do Hesbolá de responder aos ataques da ocupação.
“Qualquer ataque israelense contra qualquer alvo libanês concede à resistência o direito de responder proporcionalmente, de acordo com a situação no terreno”, afirmou.
Na quinta-feira (23), o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a prorrogação por três semanas do cessar-fogo entre o Líbano e “Israel”. O anúncio foi feito após conversas realizadas na Casa Branca entre representantes libaneses e israelenses.
O cessar-fogo de 10 dias havia entrado em vigor na semana anterior, após pressão do Irã para vincular qualquer acordo com os Estados Unidos à interrupção dos ataques israelenses contra o Líbano. Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que a prorrogação ocorreu depois de uma reunião entre autoridades libanesas e israelenses no Salão Oval.
Os Estados Unidos sediaram, na quinta-feira, conversas em nível de embaixadores entre “Israel” e o Líbano. No início deste mês, representantes libaneses e israelenses já haviam se reunido em Washington pela primeira vez.
Enquanto o Líbano buscava o fim imediato dos ataques aéreos israelenses, “Israel” recusou discutir uma trégua real e exigiu o desarmamento do Hesbolá. Antes da reunião, o secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, já havia pedido ao governo libanês que cancelasse o encontro em Washington.
A guerra no Líbano se agravou após a agressão militar dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. Semanas depois, o Irã e os Estados Unidos chegaram a um cessar-fogo, com o governo Trump aceitando formalmente a proposta iraniana de 10 pontos, que exigia cessar-fogo em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Quando os Estados Unidos recuaram parcialmente sob pressão israelense, “Israel” realizou novos ataques contra o Líbano, em uma ofensiva que resultou no assassinato de mais de 300 pessoas. O cessar-fogo foi implementado em 16 de abril, mas passou a ser violado de forma sistemática pela ocupação israelense.
Em resposta às violações do cessar-fogo, aos ataques contra civis e à demolição de casas em aldeias do sul do Líbano, o Hesbolá realizou seis operações militares em 23 de abril. Na sexta-feira, a Resistência também derrubou um VANT israelense Hermes 450.
Às 13 horas de sexta-feira, o Hesbolá realizou duas operações simultâneas contra uma concentração de tropas israelenses na cidade de Al-Cântara, no sul do Líbano. A Resistência usou VANTs de ataque e confirmou acertos diretos. As operações foram uma resposta aos ataques israelenses contra civis nas cidades de Quirbet Selem e Tulin.
Às 14h10, diante da invasão do espaço aéreo libanês por forças israelenses, a defesa aérea do Hesbolá atingiu um VANT Hermes 450 sobre a região de Al-Hoch com um míssil terra-ar, derrubando a aeronave inimiga.
Às 14h30, um veículo blindado de transporte de tropas israelense foi atingido em Ramié, no sul do Líbano, por um VANT de ataque. O Hesbolá afirmou que o alvo foi atingido diretamente.
Às 18h30, em uma quinta operação de retaliação, a Resistência atingiu um Humvee israelense em Al-Cântara, confirmando acerto direto. A ação respondeu a um ataque israelense contra um veículo na estrada de Choukin, perto de Nabatieh, no sul do Líbano, que resultou no martírio de três cidadãos.
O departamento militar de comunicação do Hesbolá também divulgou imagens de uma operação realizada contra a colônia ilegal de Naharíia, no norte da Palestina ocupada, com um enxame de VANTs de ataque. A operação ocorreu em 14 de abril de 2026.
Também foram divulgadas imagens da operação de 22 de abril contra um Humvee de comando israelense em Al-Cântara, além do ataque a um veículo de comando na cidade de Bint Jbeil, no sul do Líbano, realizado em 13 de abril com um VANT de ataque.
A continuidade das operações do Hesbolá aumentou a pressão sobre a ocupação israelense no norte da Palestina ocupada. Colonos sionistas citados pela imprensa israelense afirmaram que a situação “parece muito ruim” e compararam o norte ao chamado “envelope de Gaza”, região próxima à Faixa de Gaza que se tornou alvo permanente da resistência palestina.
Nas últimas 48 horas, a ocupação israelense reconheceu que 45 de seus soldados foram feridos no sul do Líbano, em meio aos confrontos com a Resistência.




