A Ucrânia realizou, entre domingo (2) e e segunda-feira (3), dois novos ataques contra áreas repletas de civis em território russo. Um drone atingiu as proximidades de um parque infantil na região de Belgorod, matando uma menina de 13 anos. No dia seguinte, outro ataque atingiu uma praia lotada no litoral do Mar Negro, deixando sete mortos, entre eles três crianças.
Os atentados fazem parte de uma intensificação dos bombardeios ucranianos contra regiões distantes da linha de frente, ao mesmo tempo em que as tropas de Quieve continuam perdendo terreno no Donbass.
No domingo, um drone ucraniano atingiu a aldeia de Printsevka, no distrito de Valuysky, região de Belgorod. Uma menina de 13 anos sofreu ferimentos graves e morreu durante o atendimento médico.
“Os médicos que chegaram ao local tomaram todas as medidas possíveis para salvá-la, mas os ferimentos eram incompatíveis com a vida”, informou o chefe municipal Aleksandr Shuvaev.
Duas outras meninas, de sete e nove anos, foram atingidas por estilhaços e levadas ao hospital. A criança de sete anos sofreu ferimentos na cabeça, nas costas e nas pernas. Segundo o ministro regional da Saúde, Andrey Ikonnikov, as duas permaneciam internadas em estado moderadamente grave.
Durante o fim de semana, os ataques ucranianos contra Belgorod mataram quatro pessoas e feriram outras 32. Segundo Ikonnikov, 134 vítimas de bombardeios ucranianos encontram-se atualmente internadas na região, incluindo 12 crianças. Doze adultos estão em unidades de tratamento intensivo.
Ataque contra praia mata sete
Nessa segunda-feira, um novo ataque com drones atingiu uma praia próxima à cidade de Gelendzhik, no litoral russo do Mar Negro.
Sete pessoas morreram, incluindo três crianças. O número de feridos chegou a 47. Segundo o Ministério da Saúde russo, 21 pessoas precisaram ser hospitalizadas, entre elas três crianças. Nove estavam em estado grave.
Imagens divulgadas pelas autoridades russas mostram a praia cheia de banhistas no momento do ataque e, em seguida, pessoas correndo para procurar abrigo.
O governador da região de Krasnodar, Veniamin Kondratyev, afirmou que a localidade turística de Arkhipo-Osipovka foi atingida durante o ataque.
“O que aconteceu hoje foi um ataque deliberado do regime de Quieve contra civis sem qualquer relação com infraestrutura militar. Esse ataque terrorista cínico e desumano, tendo crianças como vítimas, não pode ser justificado”, declarou.
Equipes médicas de outras unidades foram enviadas para atender os feridos. Os casos mais graves começaram a ser transferidos para hospitais de cidades próximas.
Mais de 35 crianças mortas neste ano
Segundo o embaixador especial russo Rodion Miroshnik, mais de 35 crianças morreram em ataques ucranianos desde o começo do ano e mais de 300 ficaram feridas.
Os dois atentados deste início de semana não são casos isolados.
Na semana passada, drones atingiram um hotel na cidade de Kirillovka, na região de Zaporíjia, matando 12 pessoas, incluindo cinco crianças. A cidade fica a mais de 100 quilômetros da linha de frente e, segundo as autoridades locais, não há instalações militares nas proximidades do local atingido.
Em maio, outro ataque atingiu um alojamento estudantil em Starobelsk, no Donbass. Parte do prédio de cinco andares desabou, matando 21 pessoas.
Há ainda o ataque realizado em junho de 2024 contra Sebastopol, na Crimeia, com cinco mísseis ATACMS fornecidos pelos Estados Unidos. Quatro foram interceptados. Um quinto míssil, atingido pela defesa antiaérea russa, desviou-se e teve sua ogiva de fragmentação detonada sobre uma praia. Quatro pessoas morreram, entre elas duas crianças, e mais de 150 ficaram feridas.
O episódio mostrou também o papel direto dos Estados Unidos no prolongamento da guerra. Além dos mísseis, o governo ucraniano depende do imperialismo para receber armamentos, dinheiro, informações de inteligência, treinamento e diversos sistemas utilizados pelo Exército.
Quieve perde terreno no Donbass
A escalada dos ataques ocorre em meio ao avanço russo no Donbass.
Nas últimas semanas, a Ucrânia aumentou o uso de drones de longo alcance contra território russo. Foram atingidos depósitos, instalações petrolíferas, prédios residenciais e outras estruturas muito distantes da frente de combate.
No mês passado, a Rússia anunciou a tomada de Konstantinovka, uma das principais posições ucranianas no noroeste do Donbass. Depois disso, as forças russas iniciaram um avanço em direção a Slaviansk e Kramatorsk, as duas últimas grandes cidades da região ainda controladas pelo regime de Quieve.
A enorme quantidade de armamentos e dinheiro enviados pelos Estados Unidos e pelos países europeus não conseguiu reverter a situação. Apesar do apoio da OTAN, o Exército ucraniano continua cedendo posições.
É nesse quadro que Quieve amplia ações que nada têm a ver com enfrentar tropas russas no campo de batalha. Crianças num parque infantil, turistas num hotel e famílias numa praia não são objetivos militares.
Moscou passou a denunciar esses ataques como atos de terrorismo contra a população.
OTAN financia a guerra
Após o ataque contra Gelendzhik, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, responsabilizou os países da OTAN.
“Os patrocinadores do terrorismo são os países da OTAN. Não faz muito tempo, a OTAN e a União Europeia proclamavam tolerância zero ao terrorismo. Hoje, eles próprios se tornaram parte da atividade terrorista internacional”, declarou.
O governo de Quieve não teria condições de manter a guerra sem os Estados Unidos e as demais potências imperialistas. Desde 2022, centenas de bilhões de dólares em dinheiro e armamentos foram enviados à Ucrânia para sustentar a guerra contra a Rússia.
Essa intervenção é anterior, contudo, ao início da operação militar russa. Desde o golpe de Estado de 2014, apoiado pelo imperialismo, a Ucrânia foi convertida numa ponta de lança da OTAN contra a Rússia. O armamento e treinamento das forças ucranianas foram ampliados continuamente durante os anos seguintes.
A Rússia, por sua vez, aumentou seus ataques de longa distância contra fábricas de armamentos, centros logísticos e instalações utilizadas pelas Forças Armadas ucranianas. Moscou afirma que seus bombardeios são dirigidos contra alvos militares e estruturas empregadas para abastecer as tropas de Quieve.
Enquanto os drones ucranianos atingem parques, hotéis e praias, as forças russas mantêm a pressão sobre as posições de Quieve no Donbass e avançam em direção a Slaviansk e Kramatorsk.





