No último dia 27, a ministra da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico da Espanha, Sara Aagesen, declarou que, em 2026, mais de 170 mil hectares foram queimados por incêndios florestais no país, número seis vezes maior que o registrado no mesmo período de 2015, até então o ano mais crítico.
No mesmo dia, o fogo na região de Vall d’Uixó, em Castellón, consumiu mais de 4.300 hectares e obrigou mais de 16 mil pessoas de cerca de vinte municípios a deixar suas casas.
O Instituto de Saúde Carlos III informou ainda que pelo menos 1.028 mortes foram atribuídas ao calor na Espanha somente no mês de junho.
Ao mesmo tempo, a França enfrenta uma das temporadas de incêndios mais graves desde a Segunda Guerra Mundial, com cerca de 115 mil hectares queimados neste ano. A situação ocorre em meio a uma forte onda de calor, com mais de 60 departamentos sob alerta e temperaturas chegando a 42°C.
Em todo o continente, mais de 325 mil pessoas tiveram de deixar às pressas suas casas e hotéis.
Culpa do clima?
Diante das altas temperaturas e dos grandes incêndios, a burguesia espanhola e europeia corre para atribuir a situação às mudanças climáticas e reforçar sua política de suposta “defesa” do meio ambiente.
Essa campanha serve para justificar novas medidas contra a população e contra os países pobres, ao mesmo tempo em que esconde um elemento fundamental para compreender a dimensão dos incêndios: os cortes nos gastos com prevenção e combate ao fogo.
Na Espanha, por exemplo, esses gastos chegaram ao menor nível em treze anos. As altas temperaturas criam condições favoráveis para os incêndios, mas a extensão da destruição expõe sobretudo as consequências da política de cortes promovida pelo governo espanhol para preservar os interesses dos banqueiros e dos grandes capitalistas.
Governo cortou metade do orçamento
Segundo o jornal El País, o governo espanhol reduziu pela metade os gastos públicos com prevenção e combate a incêndios florestais desde 2009. Os números mostram que o agravamento e o descontrole dos incêndios não podem ser separados dessa política de cortes, resultado das medidas adotadas pela burguesia diante da crise histórica do capitalismo para preservar os lucros dos bancos e dos grandes monopólios.
As variações climáticas são apresentadas pela burguesia imperialista e por sua imprensa como explicação suficiente para os desastres, ocultando o abandono da população e o sucateamento das estruturas destinadas à prevenção. Foi o que também se viu nas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Por trás da dimensão alcançada por grandes desastres naturais aparece repetidamente a mesma política: austeridade, cortes de gastos em setores essenciais e abandono da infraestrutura pública. O discurso sobre as mudanças climáticas é então utilizado para esconder da população a responsabilidade dos governos pela falta de prevenção.




