Na semana passada, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou um projeto de lei para equiparar antissionismo a antissemitismo. Na prática, a proposta busca criminalizar críticas ao Estado de “Israel” e punir quem denuncia seus crimes contra o povo palestino. É uma tentativa de transformar uma posição política em crime.
Esse projeto não apareceu do nada. Ele é resultado de uma política que vem sendo aplicada há anos no Brasil, com apoio de setores da esquerda. Em nome do combate ao “racismo”, à “misoginia” e ao chamado “discurso de ódio”, foi sendo aceita a ideia de que o Estado deve controlar o que a população pode dizer. A esquerda capitulou diante dessa política e ajudou a abrir caminho para mais censura.
Foi assim com várias leis recentes. Todas foram apresentadas como medidas de proteção. Mas o efeito prático é aumentar o poder de repressão do Estado e ampliar a censura da fala, da opinião e da denúncia política. Agora, o mesmo método está sendo usado para proteger o sionismo.
O principal alvo dessa política é a Internet. A grande imprensa continua livre para manipular, mentir e defender os interesses da burguesia. Já nas redes sociais, onde a população consegue furar esse bloqueio e divulgar posições contrárias ao regime, a repressão é maior. Não é por acaso. O objetivo é restringir a comunicação popular e devolver aos monopólios da imprensa o controle quase total da informação.
No caso do projeto de Tabata Amaral, a consequência é simples: denunciar o genocídio em Gaza, denunciar a ocupação da Palestina e denunciar os crimes do sionismo pode virar motivo de punição. A intenção é impedir a denúncia política e blindar o Estado de Israel contra a revolta popular que cresce no mundo inteiro.
A esquerda que apoiou esse tipo de legislação ajudou a construir o problema. Ao defender censura contra adversários políticos, aceitou fortalecer o mesmo aparato que agora pode ser usado em defesa do imperialismo e do sionismo.
A ditadura “bem-intencionada” funciona assim: primeiro, a censura é apresentada como defesa de grupos oprimidos; depois, ela é usada para proteger os opressores. É isso que está colocado no projeto da Tabata e em toda essa política de restrição da liberdade de expressão.





