Em um pronunciamento divulgado neste domingo (5), o porta-voz das Brigadas Al-Qassam (ala militar do Hamas), Abu Obeida, convocou uma mobilização de massa em defesa da Mesquita de Al-Aqsa e dos prisioneiros palestinos. Citado pela emissora libanesa Al Mayadeen, o líder da resistência alertou que a escalada militar israelense rompeu todas as normas internacionais, expandindo o conflito para além de Gaza e atingindo diretamente o Líbano, o Iêmen e o Irã.
A mensagem é clara: a resistência não aceitará passivamente as violações nos territórios ocupados e a agressão regional coordenada pelos Estados Unidos e “Israel” será respondida com uma “confrontação ampliada”.
Abu Obeida colocou a Mesquita de Al-Aqsa e a situação dos detidos palestinos no centro das preocupações de resistência. Segundo o porta-voz, qualquer dano a esses símbolos “não passará sem resposta”. Ele convocou especificamente os palestinos na Cisjordânia, em Al-Quds (Jerusalém) e nos territórios ocupados em 1948 a marcharem em direção à mesquita e realizarem “operações qualitativas” em defesa dos prisioneiros.
A resistência denunciou o projeto de “lei de execução” de detentos palestinos como uma “mancha de vergonha” para a humanidade e um sinal do caráter fascista do regime de ocupação. Para as Brigadas Al-Qassam, o momento exige a superação de divisões internas em favor de uma mobilização global contra o genocídio.
O pronunciamento destacou que a agressão ao Líbano, que ocorre após 14 meses de escalada sustentada, é parte de um plano de destruição sistemática que ignora fronteiras. Abu Obeida vinculou diretamente as ações no Irã, no Líbano e no Iêmen à guerra em Gaza, descrevendo-as como uma extensão natural da Operação Dilúvio de Al-Aqsa.
“As ações levadas a cabo pelo Irã, pelo Líbano e pelo Iêmen são parte de um contínuo mais amplo ligado à guerra de Gaza. Elas são a prova de que a estratégia de agressão de Israel não alcançará seus objetivos e apenas sinaliza uma instabilidade mais profunda para o próprio ocupante.”
No campo diplomático, o porta-voz acusou o regime israelense de obstruir deliberadamente o progresso das negociações. Segundo as Brigadas Al-Qassam, o lado palestino cumpriu suas responsabilidades perante os mediadores para remover quaisquer pretextos utilizados por “Israel”. Abu Obeida exigiu pressão internacional — especialmente sobre os Estados Unidos — para que o primeiro estágio do acordo de cessar-fogo seja cumprido antes de qualquer avanço para fases subsequentes.
A fala de Abu Obeida, reproduzida pela Al Mayadeen, reforça a ideia de que o sionismo perdeu o controle da propaganda e da situação militar. Ao convocar os palestinos dos territórios de 1948, o Hamas atinge o coração da estrutura de ocupação, mostrando que a resistência é onipresente na região. O aviso é um claro: ou o imperialismo recua na sua política de extermínio e respeita as “linhas vermelhas”, ou enfrentará uma conflagração regional cujas consequências — como já visto no fechamento do Estreito de Ormuz — serão catastróficas para o sistema capitalista mundial.




