O Partido da Causa Operária (PCO) convocou para esta terça-feira (31) um ato em memória dos Mártires da Ditadura, marcado para as 18h, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, na República, região central de São Paulo. A atividade será realizada na véspera dos 62 anos do golpe militar de 1964 e pretende homenagear os militantes, operários, estudantes, camponeses, jornalistas e dirigentes populares assassinados pelo regime instaurado pelos militares a serviço do imperialismo.
A convocação retoma uma tradição da esquerda e do movimento operário de transformar a data do golpe em um momento de denúncia da ditadura e de homenagem aos que tombaram na luta contra o regime. Ao longo de décadas, os atos do fim de março e do começo de abril serviram para recordar os crimes da ditadura militar, entre eles a censura, a perseguição política, a tortura, os desaparecimentos forçados e o assassinato de centenas de combatentes do povo brasileiro.
O ato convocado pelo PCO deverá recordar nomes como Carlos Marighella, Carlos Lamarca, Alexandre Vannucchi Leme, Ana Kucinski, Pedro Pomar, Osvaldão, Santo Dias, Margarida Maria Alves, Luiz Eduardo Merlino e tantos outros lutadores assassinados pelo aparato repressivo. A atividade tem como eixo central a memória desses mártires, destacando a caracterização de que a ditadura foi uma etapa de uma política de repressão e entrega do patrimônio nacional ao estrangeiro cujas consequências seguem pesando sobre o conjunto da população trabalhadora.
A iniciativa também busca denunciar que a queda formal do regime militar, em 1985, não significou o fim da influência política das Forças Armadas sobre o Estado brasileiro. Nas últimas décadas, os militares continuaram intervindo na vida política nacional e desempenharam papel decisivo nos principais episódios da crise do regime. O golpe de 2016, a prisão de Lula em 2018 sob ameaça aberta do Alto Comando do Exército mostram o peso da tutela militar sobre a situação política do País.
Nesse sentido, o ato desta terça-feira será apresentado não apenas como uma homenagem aos mortos e desaparecidos, mas também como uma denúncia da situação atual. Ao convocar a atividade, o Partido procura ligar a memória dos mártires da ditadura ao combate contra a herança preservada pelos quartéis, pelo Judiciário e por todo o aparato repressivo do Estado. A avaliação é a de que a impunidade dos crimes do regime de 1964 fortaleceu os setores golpistas e abriu caminho para novas ofensivas contra os direitos democráticos da população, como, por exemplo, os perpetrados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O partido também procura diferenciar sua convocação das iniciativas que limitam a discussão sobre a ditadura a cerimônias oficiais ou manifestações abstratas em defesa das instituições do regime e da “democracia”. A proposta do ato é centrar a atenção nos lutadores assassinados, na violência do regime e na necessidade de uma mobilização independente dos trabalhadores contra toda a herança da ditadura.





