Amanhã, a Causa Operária TV (COTV) transmitirá um dos momentos mais importantes e aguardados do jornalismo político independente brasileiro deste ano. Uma entrevista exclusiva com o renomado acadêmico norte-americano Norman Finkelstein será exibida na íntegra durante o programa Plantão Irã, que vai ao ar pontualmente às 16h. Finkelstein, amplamente reconhecido como uma das vozes mais corajosas e contundentes na denúncia dos crimes do Estado de “Israel” e da manipulação ideológica da memória histórica do holocausto nazista pelo movimento sionista, concedeu ao Diário Causa Operária uma conversa profunda e sem concessões. O eixo central da entrevista aborda as teses de sua obra mais célebre e controversa, o livro A Indústria do Holocausto, além de trazer uma análise afiada sobre o atual cenário de genocídio na Palestina e a perseguição internacional que o próprio autor enfrenta no debate público contemporâneo.
O livro que serve de base para a discussão, publicado originalmente em inglês no ano de 2000 pela editora Verso Books sob o título The Holocaust Industry: Reflections on the Exploitation of Jewish Suffering, é uma obra curta, direta e fartamente documentada que incomodou profundamente o lobby sionista internacional. De acordo com o próprio Finkelstein:
“Nas páginas que se seguem, afirmo que ‘O Holocausto’ é uma representação ideológica do holocausto nazista. Como a maioria das ideologias, ele tem conexão, embora tênue, com a realidade. O Holocausto não é uma arbitrariedade, mas uma construção internamente coerente. Seus dogmas centrais sustentam interesses políticos e de classes. Na verdade, o Holocausto provou ser uma indispensável bomba ideológica.”
De acordo com o desenvolvimento histórico apresentado por Finkelstein, a memória do extermínio nazista real — o assassinato em massa de judeus, comunistas, ciganos e outras minorias — foi sequestrada pelo lobby sionista. Ele demonstra em seu livro que essa propaganda se apoia firmemente em dois dogmas principais. O primeiro é a ideia de que o Holocausto é um acontecimento absolutamente único na história da humanidade, uma categoria à parte que não pode ser comparada a nenhum outro crime ou sofrimento humano. O segundo dogma afirma que o extermínio foi o ponto culminante de um antissemitismo eterno e irracional por parte dos não-judeus, uma aversão metafísica que existiria independentemente das ações ou da situação política real. O autor argumenta vigorosamente que essas teses não possuem base na historiografia séria e cumprem a função estritamente política de colocar “Israel” na posição de vítima permanente, justificando, dessa forma, a opressão violenta e contínua exercida contra o povo palestino. Ao denunciar esse mecanismo, Finkelstein resgata a advertência feita pelo Rabino Arnold Jacob Wolf, Diretor de Hillel na Universidade de Yale, que afirmou categoricamente:
“A mim parece que o Holocausto está sendo vendido — não ensinado.”
A autoridade moral e intelectual de Norman Finkelstein para atacar essa engrenagem decorre diretamente de sua própria história de vida. Nascido no Brooklyn, em Nova Iorque, em dezembro de 1953, ele é filho de sobreviventes do horror nazista. Sua mãe sobreviveu ao Gueto de Varsóvia e ao terrível campo de extermínio de Majdanek, enquanto seu pai enfrentou e sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. Praticamente todos os outros membros de ambas as famílias foram exterminados pelos nazistas. Por essa razão, Finkelstein jamais negou o fato histórico do genocídio. Pelo contrário, sua crítica contundente nasce justamente da necessidade de defender a verdade histórica e a memória de seus pais contra a exploração realizada pelo sionismo. Relembrando as lições humanistas que recebeu em sua criação, o cientista político destaca em sua obra o ensinamento fundamental de sua mãe:
“Uma infinidade de recursos públicos e privados tem sido investido para manter a memória do genocídio nazista. A maioria do que foi produzido não presta, não passa de um tributo ao engrandecimento judeu e não ao seu sofrimento. Muito tempo já se passou para que possamos abrir nossos corações a outros sofrimentos da humanidade. Esta foi a grande lição partilhada por minha mãe. Nunca a ouvi dizer: Não compare. Minha mãe sempre comparou. Não há dúvida de que distinções históricas precisam ser feitas. Mas aceitar distinções morais entre o ‘nosso’ sofrimento e o ‘deles’ é uma caricatura de moral. (…) Diante dos sofrimentos de afro-americanos, vietnamitas e palestinos, o credo de minha mãe sempre foi: Somos todos vítimas do holocausto.”
Essa postura guiou toda a sua trajetória acadêmica. Graduado pela Universidade de Binghamton e doutor em ciência política pela renomada Universidade de Princeton, Finkelstein dedica-se à pesquisa da questão palestina desde 1982. Já em sua tese de doutorado, ele provou de maneira irrefutável que o aclamado livro From Time Immemorial, de Joan Peters, não passava de uma fraude acadêmica grosseira projetada para sustentar a mentira sionista de que a Palestina estava praticamente vazia antes da imigração judaica. Mais tarde, em sua obra Beyond Chutzpah, o autor desmontou os argumentos e as falsificações do jurista Alan Dershowitz, um dos mais agressivos defensores do Estado de “Israel” nos Estados Unidos.
A engrenagem da Indústria do Holocausto, como aponta o terceiro e mais factual capítulo do livro de Finkelstein, opera também no nível financeiro através daquilo que o autor classifica como uma “dupla extorsão”. Analisando os acordos de reparação financeira ocorridos na década de 1990, quando os bancos suíços foram submetidos a uma pesada campanha de pressão internacional coordenada pelo Congresso Judaico Mundial e por políticos norte-americanos por conta de contas inativas da era nazista, Finkelstein revela que a máquina arrecadou bilhões de dólares que jamais chegaram aos verdadeiros e necessitados sobreviventes. Em vez disso, o montante foi abocanhado por burocratas, advogados e instituições judaicas ricas para financiar projetos próprios e expandir sua influência política. O processo converteu-se em uma extorsão descarada contra os países europeus e contra os próprios reclamantes judeus legítimos que foram espoliados pela burocracia sionista.
Para manter a rentabilidade e a eficácia política dessa indústria, seus operadores não hesitaram em validar e promover fraudes literárias escandalosas que reforçassem os estereótipos necessários à propaganda. Finkelstein cita o caso do livro The Painted Bird, de Jerzy Kosinski, e a farsa ainda mais recente de Binjamin Wilkomirski com a obra Fragments. Ambos os livros foram incensados pela crítica e por figuras proeminentes da indústria, como Elie Wiesel, como obras-primas documentais da dor, mesmo depois de cabalmente provado que eram completas mistificações escritas por impostores. Essas fraudes eram celebradas porque alimentavam o dogma de que o sadismo dos não-judeus é onipresente e de que, mesmo em países neutros como a Suíça, todos os gentios desejam secretamente a morte dos judeus. Finkelstein denuncia que o perigo real à memória das vítimas do nazismo não reside apenas nos negadores declarados da extrema direita, mas principalmente naqueles que se apresentam como guardiões sagrados dessa memória para utilizá-la como ferramenta de chantagem moral e justificativa para crimes de guerra atuais.
A coragem de expor essas verdades custou caro ao cientista político. Após uma campanha difamatória implacável movida pelo lobby pró-Israel nos Estados Unidos, Finkelstein teve sua estabilidade docente negada na Universidade DePaul, em Chicago, no ano de 2007, sendo sumariamente afastado do ensino superior. Em 2008, o regime sionista o proibiu oficialmente de entrar em seu território, barrando-o por uma década. No entanto, a tentativa de silenciá-lo fracassou diante da brutalidade da realidade contemporânea. Com o desencadeamento da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza a partir de 2023, o pensamento de Finkelstein retornou com força total ao centro do debate político internacional, expondo o cinismo das potências imperialistas.
A entrevista que a Causa Operária TV exibe amanhã é um documento histórico fundamental para o público brasileiro compreender os mecanismos de manipulação ideológica utilizados pelo imperialismo. No momento em que o Estado de “Israel” utiliza de forma obscena a tragédia do passado para justificar o massacre deliberado e a limpeza étnica do povo palestino em Gaza, a obra de Finkelstein ganha contornos de urgência máxima.




