Análise Internacional

Trump procura saída para derrota no Irã, diz Rui Costa Pimenta

Presidente do PCO afirmou que governo norte-americano tenta conter a crise militar e financeira aberta pela guerra contra a República Islâmica

No programa Análise Internacional desta quinta-feira (26), transmitido pelo Diário Causa Operária em parceria com o canal Arte da Guerra, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que Donald Trump procura uma “saída honrosa” para a guerra contra a República Islâmica do Irã. Segundo Pimenta, a ofensiva norte-americana fracassou até o momento e a divulgação de supostas negociações com Teerã serve para tentar conter a instabilidade financeira provocada pelo conflito.

Ao comentar o anúncio de Trump de que haveria uma pausa nos bombardeios e um possível acordo, Pimenta declarou que se trata de uma operação política do governo norte-americano diante de uma situação desfavorável no terreno. Segundo ele, os próprios iranianos negaram que exista qualquer negociação nos termos apresentados pela Casa Branca e deixaram claro que a guerra terminará quando seus objetivos forem cumpridos.

“Estamos tratando aí com a maior potência militar do mundo. Até o momento eles foram mal nessa guerra. Não há dúvida nenhuma disso. Mas não quer dizer que eles não tenham alguma carta na manga. É difícil de saber. A impressão que dá nesse momento aqui, mas é mais uma impressão do que qualquer outra coisa, é que o Trump está buscando uma saída honrosa. Ele está apresentando aí uma negociação fictícia com o Irã, o Irã nega que haja negociação. Eu vi uma matéria da imprensa iraniana que falava que todas essas notícias fictícias servem para controlar a situação de instabilidade no mercado financeiro.”

Ainda segundo Pimenta, cada notícia sobre interrupção ou continuidade da guerra produz abalos nos mercados internacionais, sobretudo por causa da ameaça ao petróleo e à infraestrutura energética da região. Ele lembrou que Trump lançou um ultimato ao Irã, rejeitado por Teerã, no qual ameaçava atacar a rede de energia elétrica iraniana caso suas condições não fossem aceitas.

Pimenta também colocou em dúvida a utilidade militar do envio de 10 mil soldados norte-americanos ao Oriente Médio. De acordo com ele, a própria movimentação das forças dos EUA na região mostra dificuldade crescente para manter suas posições. O dirigente afirmou que a situação se agrava em países vizinhos, citando o Barém e os Emirados Árabes, e que o quadro geral é de delicadeza para o imperialismo.

“Também concordo com o comandante que é difícil de ver aí a utilidade das 10 mil tropas que ele mandou para o Oriente Médio. Isso até porque uma boa parte das tropas que estavam no Iraque tiveram que se deslocar e sair do país. Tem esse detalhe também importante. A situação é cada vez mais difícil nos países vizinhos para os Estados Unidos. Nós temos uma situação crítica no Bahrein. O Irã falou que vai agir com dureza com os Emirados Árabes, porque os Emirados são, aparentemente, o país que está mais ligado ao esforço de guerra dos Estados Unidos e do ‘Israel’. Então estamos aqui diante de uma incógnita, mas é uma situação delicada para os Estados Unidos aparentemente.”

Ao tratar dos objetivos declarados pelo Irã, Pimenta afirmou que expulsar os Estados Unidos do Oriente Médio não é uma meta simples de ser alcançada no curto prazo, mas observou que essa palavra de ordem entra como elemento concreto de pressão sobre as negociações e sobre a reorganização da presença militar norte-americana na região. Segundo ele, a aparelhagem dos EUA ficou ameaçada pelos ataques iranianos e a retirada forçada do Iraque pode se repetir em outros países.

“Eu acho muito difícil que o Irã consiga agora esse objetivo, expulsar os Estados Unidos do Oriente Médio. Mas é uma colocação dos objetivos iranianos. Aí, se houver negociação, se os Estados Unidos concordarem com a negociação, isso entra no bolo da negociação. Vai sair os Estados Unidos de lado? Em que medida? O que vai acontecer? O fato é que a aparelhagem norte-americana na região está ameaçada. Os ataques iranianos foram contundentes, sem dúvida nenhuma. Os Estados Unidos vão precisar de uma reestruturação. Essa situação no Iraque pode acabar se reproduzindo em outros países também.”

Sobre a possibilidade de uma invasão terrestre do Irã, Pimenta descartou que haja base material para uma operação desse tipo nas condições atuais. Ele comparou a hipótese às guerras do Vietnã, do Afeganistão e do Iraque, destacando que o Irã não passou por um esmagamento militar semelhante ao imposto anteriormente a outros países atacados pelos EUA.

“Acho que não faz sentido no quadro que nós estamos vendo. Na melhor das hipóteses, poderia haver alguma operação limitada. Agora, uma invasão terrestre do Irã na atual circunstância, primeiro que necessitaria muito mais de 10 mil soldados. O Irã não é um país pequeno, não é uma coisa simples. Segundo que os Estados Unidos estariam fazendo uma coisa que eles não fizeram desde a Guerra do Vietnã, que é colocar tropas lá para levar tiros.”

Outro ponto central da exposição de Pimenta foi a operação de falsificação levada adiante pela imprensa imperialista sobre o andamento da guerra. Segundo ele, essa cobertura procura preservar a aparência de invencibilidade dos Estados Unidos, mesmo diante do fracasso da ofensiva contra o Irã. Para o presidente do PCO, essa aparência é indispensável para conter a reação popular internacional e limitar os efeitos políticos e econômicos da derrota norte-americana.

“Acho que isso aí tem múltiplos objetivos. O primeiro objetivo é mostrar para o público mais desinformado que o imperialismo sempre é poderoso, está sempre por cima, está sempre ganhando, está sempre impondo. Quer dizer, é preservar aquela aparência de poder. Então precisa preservar essa ilusão, porque sem essa ilusão, se a coisa começa a aparecer como uma demonstração muito grande de debilidade, isso incentiva a reação no mundo inteiro contra o imperialismo.”

Na parte final do programa, Pimenta também afirmou que o Irã mantém capacidade de ação suficiente para prolongar o impasse e impor novos golpes ao imperialismo. Ao comentar avaliações de que um desembarque norte-americano seria ainda pior do que o Dia D, ele disse que a própria cobertura da imprensa internacional entra em contradição ao apresentar o Irã como um país arrasado que, ao mesmo tempo, continua atacando bases norte-americanas e ameaçando a infraestrutura regional.

“A imprensa internacional mostra o Irã assim como se ele tivesse sido arrasado. Agora o que ninguém consegue explicar é por que um país arrasado continua lá infligindo, dando nas bases norte-americanas, nos países ao lado, ameaçando a infraestrutura. É muita a distância entre a realidade e a versão que aparece. O Irã teria sido arrasado, mas está segurando o imperialismo pelo pescoço.”

Pimenta também declarou que a pressão contra a guerra cresce dentro dos próprios Estados Unidos. Segundo ele, há uma desaprovação elevada da iniciativa militar, o que amplia a crise política do governo Trump. Ao mesmo tempo, destacou que a continuidade do conflito aprofunda as contradições do imperialismo e coloca em xeque sua capacidade de impor sua política na Ásia Ocidental.

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