Causa Operária TV

Plantão Irã destaca resposta iraniana e crise energética

Edição desta terça-feira tratou da nomeação no Conselho de Segurança, das mentiras de Trump, dos ataques a “Israel” e do bloqueio de Ormuz

Na edição desta terça-feira (24), o Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), levou ao ar uma discussão sobre os desdobramentos mais recentes da guerra contra o Irã. Apresentado por Pedro Burlamaqui, com comentários de Francisco Muniz e Victor Assis, o programa abordou a nomeação do novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, as declarações de Donald Trump sobre uma suposta negociação com o Irã, o ultimato iraniano a “Israel” e o aprofundamento da crise energética internacional.

O primeiro tema da edição foi a escolha do novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, após o assassinato de Ali Larijani. Ao comentar a nomeação, Francisco Muniz afirmou que não se trata de uma mudança de orientação, mas da continuidade da mesma linha adotada pelo regime iraniano desde a Revolução Islâmica. Segundo ele, a política do país permanece sendo a do enfrentamento ao imperialismo, ainda que a guerra imponha novas exigências de organização e resposta imediata.

Victor Assis, por sua vez, sustentou que a reposição do posto em poucos dias mostra a solidez do regime iraniano. Segundo ele, o governo revolucionário não depende de uma ou outra figura isolada, mas se apoia em uma mobilização popular profunda, formada a partir da revolução de 1979 e aprofundada na luta anti-imperialista.

“O assassinato do Larijani não mudou em absolutamente nada. O regime, a formação, a política, a tática que está sendo empregada na guerra, estratégia de conjunto. Nada. Pelo contrário, conforme os próprios muçulmanos falam, os iranianos, os árabes, os martírios aumentam a unidade, eles intensificam a convicção de que é preciso enfrentar o inimigo. Essa convicção de que sua liderança é assassinada em vez de você se desesperar, se desorganizar, você deve reunir forças para vingar o sangue da sua liderança. É uma ideia muito revolucionária.”

Na sequência, a bancada tratou das declarações de Trump segundo as quais haveria negociações em curso entre os Estados Unidos e o Irã. Os comentaristas ressaltaram que autoridades iranianas desmentiram a informação, entre elas o presidente do parlamento, Mohamed Bagher Ghalibaf. Assis observou ainda que o próprio Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) levantou a contradição central da versão norte-americana: se o governo dos Estados Unidos queria negociar, por que assassinou justamente um dos principais negociadores iranianos?

Outro eixo do programa foi o ultimato emitido pelo CGRI a “Israel”, advertindo que a continuidade dos ataques contra o Líbano e a Palestina terá como resposta bombardeios pesados. Para Francisco Muniz, a posição do Irã parte da constatação de que os ataques em Gaza não cessarão por apelos diplomáticos, mas apenas diante de consequências militares concretas.

“O genocídio, ou melhor, os ataques de ‘Israel’ à Faixa de Gaza só vão parar se houver alguma consequência militar que realmente faça com que Israel tenha que retroceder. Porque também o negócio é, lá também o governo Netaniahu não pode se dar por derrotado. Porque ele corre o risco de cair. Então não vai parar assim, por parar. Porque alguém falou para ele que é muito feio matar o pessoal lá. Isso aí não resolve nada.”

A bancada também comparou a posição do Irã à dos regimes árabes da região. Para Victor Assis, enquanto o Irã atua como força de enfrentamento ao imperialismo e de defesa dos povos oprimidos da região, vários governos árabes cumprem um papel de colaboração com o inimigo e, justamente por isso, são regimes fracos, sem base popular sólida.

No trecho final do programa, os comentaristas abordaram as operações iranianas contra “Israel”, com destaque para os ataques a Telavive e Haifa, e a informação de que os Estados Unidos estariam retirando parte de seu pessoal diplomático do território ocupado. Assis afirmou que a ofensiva iraniana se intensificou e que o sistema de defesa sionista se mostrou incapaz de conter os ataques. Segundo ele, as imagens de destruição que passaram a circular com mais frequência indicam não apenas o impacto material das operações, mas também uma crise política crescente dentro de “Israel”.

Francisco Muniz avaliou que a situação aprofunda um processo de desintegração já aberto pela guerra contra a resistência palestina. Segundo ele, trata-se de um regime artificial, sustentado pela força militar e pelo financiamento imperialista, cuja estabilidade depende justamente da crença de que pode garantir segurança absoluta aos colonos. Com o fracasso desse sistema, cresce a tendência à decomposição interna.

O programa encerrou com uma análise da crise energética provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. A bancada lembrou que a medida afeta uma parcela decisiva do fluxo mundial de petróleo e gás, atingindo em cheio os países imperialistas e seus aliados. Foram citados o desabastecimento de postos na Austrália, a emergência energética nas Filipinas e a reorientação das compras de gás na Europa como sinais de que a guerra já se converteu em uma crise internacional de grandes proporções.

Ao comentar esse quadro, Francisco Muniz afirmou que o imperialismo entrou em um atoleiro e que a necessidade de recuo se impõe cada vez mais. Victor Assis acrescentou que, embora o Irã não possa se tornar uma potência imperialista nos marcos do sistema atual, pode assumir um papel de vanguarda revolucionária na luta contra a dominação imperialista, atraindo forças de toda a região para um enfrentamento mais amplo.

Assista ao programa desta terça na íntegra:

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