Polêmica

Identidade de gênero é terraplanismo da esquerda pequeno-burguesa

Ainda que não tenha base científica, termo é utilizado para tentar negar a realidade biológica da definição do sexo na espécie

Vênus

A choradeira da esquerda identitária não tem fim, como demonstra o artigo Deputada bolsonarista faz blackface e ataque transfóbico à Erika Hilton na Alesp, de Virgínia Guitzel e Luno P., publicado no sítio Esquerda Diário, ligado ao MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), nesta quarta-feira (18).

O texto começa dizendo que “durante uma sessão no plenário da Alesp, Fabiana [Bolsonaro] dedicou seu tempo de fala para fazer uma prática histórica de humilhação e desumanização das pessoas negras, pintando-se de negra, em um desprezível ato racista. Ao mesmo tempo, combinou esse ato antinegro com uma fala transfóbica contra Erika Hilton, alegando que ‘agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E agora, virei negra?’”

Não há nenhuma desumanização, nem racismo, muito menos transfobia, foi um protesto. E, é preciso dizer, foi o identitarismo que levantou a bola. Pesquisas mostram que 84% dos brasileiros rejeitam a parlamentar na presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados – dados coletados Real Time Big Data.

Argumentam que “Fabiana usou argumentos anti científicos e transfóbicos, combinando sua performance asquerosa à alegação de que mulheres trans não entendem as pautas femininas por não terem útero. Em uma tentativa de mascarar sua transfobia, ela alegou que “transexual tem que ser respeitado sim”, enquanto defende que mulheres trans supostamente tiram o espaço das mulheres cis”.

Rebatendo os argumentos acima, é preciso dizer que anticientífico é confundir sexo com gênero. Nas espécies animais, o que define a condição de macho e fêmea é a capacidade dos indivíduos maduros de produzirem respectivamente gametas masculinos e femininos.

O “gênero” não existe, pois há incontáveis casos de pessoas que “transicionaram” e depois reverteram, ou “destransicionaram”, o que põe por terra a tese de que a identidade de gênero seria uma condição inata. Em outras palavras, basta uma pessoa afirmar ser trans para que todos devam aceitar sua identidade. Essa autodeclaração é suficiente para intervenções médicas, como cirurgias e administração de hormônios, além de acompanhamento psicológico etc.

Baseado em quê acusam a deputada de “mascarar sua transfobia”, pelo fato de sua opinião divergir com a dos identitários?

Adiante, escrevem que “esse ataque brutal evidencia a falência das instituições do regime burguês em combater o racismo e a transfobia.” E que “Fabiana Bolsonaro teve direito ao seu show de insultos preconceituosos garantidos pelo presidente da sessão, Fábio Faria de Sá (Podemos), ignorando protestos exigindo a proibição da fala. Evidenciado está o caráter autoritário do identitarismo, que tentar censurar, proibir as pessoas de falarem. Não é censurando que se combate racismo ou “transfobia”. Quem discorda da opinião da deputada tem que contra-argumentar, rebater. Opinião não é crime. – grifo nosso.

Separação

É importante discutir alguns pontos levantados no parágrafo que sustenta que “o discurso de Fabiana Bolsonaro reflete diretamente a posição da extrema-direita sobre pessoas trans: usam todos os recursos possíveis para destruir os poucos direitos que temos, como o acesso à terapia hormonal pelo SUS e o nome social no RG, tentam nos separar do conjunto das mulheres apelando para uma falsa determinação biológica para os gêneros enquanto fazem uma demagogia detestável sobre nossa segurança, fingindo que se interessam pelas nossas vidas”.

A reivindicação de espaços segregados não é posição exclusiva da extrema direita. Muitas mulheres são contra o compartilhamento de espaços privados, como banheiros e vestiários destinados a mulheres e meninas, pois existe uma vulnerabilidade física concreta das mulheres em relação aos homens, ou, “pessoas que nasceram com o sexo biológico masculino” – é preciso explicar tudo, pois vivemos em um tempo onde tudo o que é dito pode ser alvo de processos, de multas e até prisões.

Separar trans do “conjunto das mulheres” não é apelar para uma falsa determinação biológica, ela é verdadeira, tem realidade.

Afirmar que “não existe qualquer tipo de imposição biológica para o gênero” esbarra no fato de que gênero, identidade de gênero, não passa de uma abstração, ou condição mental. Existem pessoas, de fato, que se sentem desconfortáveis com seus corpos. Há uma lista enorme de possibilidades como disforias (de gênero, corporal); neurodivergências (autismo, TDAH), dentre muitas, que podem fazer a pessoa passe a crer que seja de outro gênero.

Retiramos do perfil @matria.oficial, no Instagram, trecho de uma postagem que fala de Nayara “uma mulher destransicionada que fez uso de testosterona por muitos anos e, posteriormente, entendeu que era apenas uma mulher lésbica que não quer se enquadrar nos estereótipos de feminilidade que a sociedade tenta impor às mulheres.

Como ela, há centenas de mulheres que já se manifestam nas redes sociais contando como foram levadas a crer “serem trans” por uma série de fatores, que vão desde traumas que as fazem querer se distanciar de seus corpos sexuados (abusos, sexualização precoce) até confusão em relação à sua orientação sexual ou contágio social e influência da mídia.

O mesmo acontece também com rapazes que, após diferentes graus de transição, se deparam com os efeitos devastadores e irreversíveis de um modelo que insiste na ‘afirmação’ de qualquer autodeclaração de ‘identidade de gênero’”.

Sucateamento

É legítimo afirmar que “os partidos de extrema-direita sucateiam cada vez mais as políticas de combate à violência”. Mas isso não está restrito à violência de gênero ou fortalecimento de modismo como “discurso redpill”.

No governo Bolsonaro o Banco Central foi dado de presente para os banqueiros, isso tem sucateado e destruído todas as políticas públicas, o que aumenta a violência em seu conjunto. Para diminuir a violência é preciso lutar contra a burguesia, além de pressionar o governo do PT a pegar de volta o BC, e exigir o fim dessa política criminosa de juros altíssimos.

É uma completa contradição falar de “luta por um feminismo socialista, aliado dos setores oprimidos e sem confiança no Estado e nas polícias”, quando a política identitária é pela criação de novos crimes e aumento de penas.

A esquerda precisa se afastar do identitarismo, essa ideologia liberal, anticientífica, que só tem causado divisões e enfraquecimento das lutas da classe trabalhadora.

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