TSE

Para Folha, eleições brasileiras eram limpas até surgir Nunes Marques

Colunista ignora passado criminoso da Justiça Eleitoral quando esta esteve sob a batuta de Alexandre de Moraes

No último sábado, 13 de junho de 2026, a jornalista Dora Kramer publicou na Folha de S.Paulo a coluna intitulada TSE deve garantir lisura sem interferir na eleição. O pretexto para a nova pregação moralista da autora é o debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em torno da decisão do ministro Kássio Nunes Marques, que tentou barrar a divulgação e as análises da pesquisa AtlasIntel sobre o suposto derretimento da candidatura de Flávio Bolsonaro após o escândalo dos áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Kramer celebra que o tribunal de conjunto não tenha referendado de imediato a canetada de Nunes Marques, pintando o episódio como uma batalha heróica em defesa da “democracia”. A autora, assim, tenta enganar o eleitor, afirmando que existe algo chamado “lisura eleitoral” a ser preservado dentro do Estado capitalista e que o problema do sistema político seria apenas a “interferência” individual de magistrados descontentes.

“A boa notícia é que os ministros do Tribunal Superior Eleitoral não se alinharam automaticamente a Kássio Nunes Marques na decisão que cria um precedente para a censura não só às pesquisas de intenções de votos, mas a análises dos responsáveis pelos institutos sobre o conteúdo dos levantamentos. (…) Será péssima notícia se o colegiado resolver prestar um desserviço à liberdade de opinião…”

A ideia de uma eleição “sem interferência” sob o capitalismo é uma fraude total. Toda e qualquer eleição na “democracia” é intrinsecamente manipulada e controlada pelo grande capital.

Os bancos, as multinacionais e os grandes monopólios controlam o processo de ponta a ponta: são eles que injetam rios de dinheiro nas candidaturas de sua preferência, ditam as regras do jogo e financiam lobistas para aprovar leis profundamente antidemocráticas no Congresso.

Dora Kramer ignora totalmente que o sistema eleitoral é organizado de tal modo a impedir a participação real das massas:

  • Impuseram regras asfixiantes como as campanhas relâmpago de apenas 45 dias, que inviabilizam o surgimento de candidaturas populares sem estrutura bilionária;

  • Pressionaram e garantiram que o fundo eleitoral fosse repartido de forma vergonhosa, concentrando a esmagadora maioria dos recursos nas mãos das grandes legendas da burguesia;

  • Utilizam o monopólio da grande mídia para massacrar diariamente os partidos ideológicos da classe trabalhadora.

A desfaçatez da argumentação atinge níveis escandalosos quando o artigo passa a atacar Kássio Nunes Marques por fazer exatamente aquilo que o tribunal eleitoral vem fazendo há anos sob os aplausos da própria grande imprensa.

Diz a autora:

“Interferência no processo eleitoral houve sim, mas por parte do ministro Nunes Marques. Indução à opinião do público também é de autoria dele, na apresentação de alegações falaciosas e da distorção da realidade naquilo que está parecendo afã de agradar o filho de quem o indicou para o Supremo Tribunal Federal.”

Durante anos, sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes, o TSE e o STF pintaram e bordaram no cenário político nacional. Moraes interveio diretamente em pleitos passados, censurou perfis de redes sociais, baniu canais de imprensa independentes, derrubou reportagens inteiras. E onde estava a indignação democrática de Dora Kramer e da Folha de S.Paulo quando o tribunal operava essa censura escancarada a serviço do grande capital? Estavam em silêncio absoluto ou, pior, publicando editoriais defendendo que o arbítrio era “necessário para salvar a democracia”.

A gritaria atual contra Kássio Nunes Marques não tem absolutamente nada a ver com uma defesa da “liberdade de opinião”. A imprensa burguesa só ataca a canetada de Nunes Marques porque ele pertence a uma dissidência política — a ala ligada ao bolsonarismo — e tentou usar o aparato de censura do Estado para blindar Flávio Bolsonaro no escândalo de Vorcaro, contrariando a facção dominante do regime que a Folha representa.

Para a moral seletiva dos colunistas da grande imprensa, a censura e a intervenção judicial no processo eleitoral são perfeitamente legítimas, desde que operadas pela “sua turma” contra os adversários de turno.

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